Fora
num domingo, quase aproximando a metade do dia, a cidade letárgica e solitária,
aparentara um ar de silenciosa melodia, enquanto as ondas lavavam
caprichosamente as areias desertas, assopradas por uma leve brisa prenunciando
um outono triste, nada acolhedor.
Sempre
fora minha estação preferida, pelas misturas que traz em si, pelos entardeceres
acolhedores, pelas noites suaves e manhas acomodadas climaticamente
discorrendo.
Pandemia?
Eu me
perguntara, sem conseguir uma resposta plausível, pois havíamos acabado de
vivenciar os fogos de artifícios de final de ano, também uma multidão brincando
carnaval.
E a
quarentena logo agora?
Mas
enfim, ainda meio em dúvida, parara eu perto do Banco, pois iria verificar
minha conta, certificando se eu fora alguém especial ou não.
Mas
ao sair da calçada escuto alguém gritando muito alto comigo,levara um susto
porque a cidade estava literalmente deserta, mas olho do outro lado e vejo um
rapaz de uns trinta anos mais ou menos, que falava comigo.
Eu
disse:
Que
foi? Que foi?
Achara
que estivera levando bronca por estar sem máscara, mas ele também estava sem.
Ele
se aproximou e disse:
Eu
olho o teu carro!
Naquele
deserto todo, olhar o quê?
Ocorreu-me, de imediato.
Mas
eu ainda assustada, irritada disse a ele:
Não
tenho nenhum trocado, não carrego dinheiro comigo!
Semelhando uma planta, que murcha rapidamente, respondera:
Tudo
bem! Tudo bem!
Já no
Banco, certificando minha conta, verifiquei que eu era uma pessoa "especial" para
o tal, mas aí a consciência grita.
Trocado?
Como
tu podes ser tão fria, calculista?
Tirei
vinte reais e dividi com ele.
Gritei:
Moco,venha
aqui!
Ele
veio, e eu coloquei a cédula em sua mão.
Sentira
a gratidão aflorada pelos seus pelos poros, pela sua fala, mas do outro lado,a minha angústia.
Como
é difícil ajudar alguém nessas condições...
Os nossos excedentes, com tantos Deus te abençoe, e mil agradecimentos.
Os nossos excedentes, com tantos Deus te abençoe, e mil agradecimentos.
Sempre
me sinto mesquinha e insignificante, quando coloco a comida no prato, quando
vou para minha cama simples mas confortável, todos esses milhões de sofredores
me vêm em mente.
Aí me
pergunto:
Porque
não eles?
A pandemia,nada representa para eles,pois vivem triscando a morte o tempo todo.
Cara poetisa,o que você diz é verdade, são os seres invisiveis nessa cidade,nesses tempos malucos.Um gesto de solidariedade como o seu,um simples gesto,pode significar muita coisa para eles. Mas por outro lado,vivemos com tanto medo que acabamos nos afastando uns dos outros,Talvez essa tragedia da epidemia nos desperte. Um abraço
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