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terça-feira, 5 de maio de 2020

PERGUNTA_DO LIVRO PROSAS E CONTOS

Fora num domingo, quase aproximando a metade do dia, a cidade letárgica e solitária, aparentara um ar de silenciosa melodia, enquanto as ondas lavavam caprichosamente as areias desertas, assopradas por uma leve brisa prenunciando um outono triste, nada acolhedor.
Sempre fora minha estação preferida, pelas misturas que traz em si, pelos entardeceres acolhedores, pelas noites suaves e manhas acomodadas climaticamente discorrendo.
Pandemia?
Eu me perguntara, sem conseguir uma resposta plausível, pois havíamos acabado de vivenciar os fogos de artifícios de final de ano, também uma multidão brincando carnaval.
E a quarentena logo agora?
Mas enfim, ainda meio em dúvida, parara eu perto do Banco, pois iria verificar minha conta, certificando se eu fora alguém especial ou não.
Mas ao sair da calçada escuto alguém gritando muito alto comigo,levara um susto porque a cidade estava literalmente deserta, mas olho do outro lado e vejo um rapaz de uns trinta anos mais ou menos, que falava comigo.
Eu disse:
Que foi? Que foi?
Achara que estivera levando bronca por estar sem máscara, mas ele também estava sem.
Ele se aproximou e disse:
Eu olho o teu carro!
Naquele deserto todo, olhar o quê?
Ocorreu-me, de imediato.
Mas eu ainda assustada, irritada disse a ele:
Não tenho nenhum trocado, não carrego dinheiro comigo!
Semelhando uma planta, que murcha rapidamente, respondera:
Tudo bem! Tudo bem!
Já no Banco, certificando minha conta, verifiquei que eu era uma pessoa "especial" para o tal, mas aí a consciência grita.
Trocado?
Como tu podes ser tão fria, calculista?
Tirei vinte reais e dividi com ele.
Gritei:
Moco,venha aqui!
Ele veio, e eu coloquei a cédula em sua mão.
Sentira a gratidão aflorada pelos seus pelos poros, pela sua fala, mas do outro lado,a  minha angústia.
Como é difícil ajudar alguém nessas condições...
Os nossos excedentes, com tantos Deus te abençoe, e  mil agradecimentos.
Sempre me sinto mesquinha e insignificante, quando coloco a comida no prato, quando vou para minha cama simples mas confortável, todos esses milhões de sofredores me vêm em mente.
Aí me pergunto:
Porque não eles?
A pandemia,nada representa para eles,pois vivem triscando a morte o tempo todo.

Um comentário:

  1. Cara poetisa,o que você diz é verdade, são os seres invisiveis nessa cidade,nesses tempos malucos.Um gesto de solidariedade como o seu,um simples gesto,pode significar muita coisa para eles. Mas por outro lado,vivemos com tanto medo que acabamos nos afastando uns dos outros,Talvez essa tragedia da epidemia nos desperte. Um abraço

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha