Voltamos para casa eu e minha prima, descansamos aquela tarde, depois da janta, com a promessa de que sairíamos á noite.
Eu vira um pouco de televisão e lera algumas poesias de Pablo Neruda, enquanto minha prima dormira o tempo todo.
Ela dirigia na estrada e obviamente vivia sempre mais cansada, mas tinha também um bom sono como sua marca registrada, eu a admirava por isso.
Nenhum problema a faria perder o sono.
Mais tarde tomei um banho, fiz um jarro de suco de açaí o qual minha prima adorava e fiz uma boa salada de atum para a janta.
Meu peito naquele dia estava meio apertado, pois toda vez que marcara um encontro com alguém, a imagem de Ricardo parecera sempre ficar mais nítida em meu pensamento, em meu coração.
Coloquei uma saída bem larga e fresca depois do banho e sentara na varanda olhando a tarde começar a cair.
Lembrara dos poetas que sempre associavam a maturidade com o entardecer, enquanto muitas pessoas achavam que perdiam sua beleza com a maturidade, os poetas simplesmente acrescentavam um crepúsculo, numa inspiração mais suave.
os mesmos afirmavam, que o entardecer tem sua beleza, diferentemente do amanhecer, mas igualmente belo.
Sempre achara isso lindo!
A poesia sempre fora uma constante em minha vida, embora também sofrera por isso.
Ter alma de poeta, não quer dizer necessariamente escrever poesias, visto que estas, sem a interpretação do leitor, se mantêm pagãs sem receber o batismo de tal explanação.
Eu sempre fora uma poetisa de alma, estivera sempre atenta ao que a poesia me acrescentara á essência, porém eu não conseguira perdoar Ricardo e vivera assim, tentando usar a mesma receita em outro jantar, porém, esta sempre saíra insossa.
Mesmo assim, eu vivera me dando chances e jamais me fechara, estivera sempre atenta a um olhar mais expressivo, a uma palavra que dissera muito mais.
Minha prima tomara muito suco e acordara refeita para um novo flerte, ela houvera terminado um relacionamento há poucos dias e já estivera predisposta a amar alguém de novo.
Ela sempre me fora motivo de risos, nunca sofrera por amar facilmente pois da mesma forma esquecera também
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha