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domingo, 23 de maio de 2021

FRAGMENTO DO LIVRO_INVALIDADORES

Houvera incorporado em mim tal fato ,nunca me achara digna de um presente, de um agrado, justamente, porque não fora acostumada .
Vivia sempre alheia, aos desejos comuns de uma criança, embrenhara me no meu mundo interior, compensando tal carência com outras belezas, que apenas eu conseguira ver.
Começara a desenvolver uma timidez castradora, então buscara meu mundo sozinha, criando minhas personagens e monologando com estas.
Sentira muito medo á noite ,e tinha crises de insônia desde os cinco anos de idade, mais ou menos.
Sentira cada vez mais me tolhendo, diante das situações, que me colocassem, em confronto com outras pessoas, procurara sempre evitar tais confrontos, por isso criara minhas brincadeiras e brincara sozinha.
Por outro lado, nenhuma situação de revolta me ocorria, eu fora me adaptando, com o que a vida me oferecera, não percebera, que eu era uma pessoa especial, por ser assim.
Sempre me vira o contrário, daquilo, que eu aparentara.
E tais situações me punham muito chateada.
Pudera depois de adulta avaliar, que dentro da aparência ingênua, morava uma garota perceptiva, eu fora sempre capaz de perceber tudo ao meu redor.
E sempre mantivera o silêncio, guardando apenas comigo minhas percepções e constatações.
E sempre fora motivo, de muita zombaria pelas pessoas de meu entorno, claro depois entendera que tal fato acontecera, porque eu permitira.
Eu era criticada porque meu português era correto, porque escovava muito os dentes, porque gostara muito de tomar banho, porque vivera cuidando dos meus pés.
Eu tivera dois opostos na vida, na escola, ouvira minha professora, nas aulas de higiene e saúde, dizendo ser preciso escovar os dentes todos os dias, tomar banho frequentemente e andar com as mãos e os pés bem limpos.
E quando colocara tais fatos em prática, recebia críticas, quando me chamavam de estranha, cheia de manias, e outras coisas mais.
Tais invalidações sempre me machucaram muito, porém jamais conseguira deixar de me cuidar.
Eu imaginara, que talvez, eu exagerara na higiene, porque era criticada e invalidada, por tais cuidados comigo.
Usara luvas, para praticar serviços pesados,que viessem me machucarem as mãos, e as pessoas viam nas minhas luvas um crime.
Isso também, servira sempre de motivo de remoque para  o meu entorno, que se divertiam, pondo-me os mais esdrúxulos apelidos.
Também tinha a pele muito clara e por isso, se exposta muito tempo no sol ficara toda vermelha, o que hoje todos entendem como normal, mas comigo, sempre fora um horror.
Quando ficara adolescente, na minha época as meninas tomavam sol e ficavam bronzeadas, mas as pessoas de meu convívio diziam, que minha pele não bronzeava, ficava vermelha.
Eu fora acumulando tais falácias, como verdades, e me colocando um monte de complexos.
Eu me tornara uma estranha dentro de minha pessoa, como se eu fora mesmo, uma menina feia, e que não tivesse habilidades para nada.
E realmente, me faltara amor próprio, e me tornara uma pessoa solitária.

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Izildinha