Uma tarde, estando Geraldine a regar o canteiro de margaridas, que há mais de um mês plantara e estavam crescendo com folhas verdinhas,Maria lhe chegara de surpresa.
Ela houvera conversado com Maria normalmente durante tal tempo,mas mesmo que Geraldine não quisesse alguma coisa dentro de si houvera mudado em relação a Maria.
Todo aquele choro , talvez premeditado no supermercado e a pena de Geraldine olhando para uma mulher, cujo falecido marido ,fora seu amante a vida toda e se sentindo a última dentre as pessoas do mundo.
Não seria mais fácil Maria ter escolhido outro método para se aproximar dela?
A mesma abriu –lhe o portão,cuja casa agora com novos ares,nova vida se expusera aos olhos de Maria que dissera:
Amiga parabéns!
Tu és uma mulher caprichosa e cuidadosa também!
Geraldine respondera:
Gratidão amiga,mas jamais se esqueça que a ideia da transformação partira de ti, fora o chute inicial que me estimulara e eu percebera o quanto o cuidado tem a capacidade de modificar tudo,inclusive pessoas.
Criara coragem e continuara:
Eu muitas vezes tivera vontade de cuidar de Manuel,vivera dizendo a ele para não beber tanto,para não fazer tantas extravagâncias e preservar mais a saúde,mas você, mais do que ninguém soubera o quanto fora teimoso.
Maria olhara ao redor ,puxara uma cadeira, colocada junto com outras no entorno da mesa e sentara.
Abaixara a cabeça e respirara fundo ficando um bom tempo em silêncio.
Geraldine continuara:
Assim como para ti nada fora novidade, agora para mim também, não é.
Respirara fundo e dissera:
Sabe?
O Carlos é muito sincero,por isso eu me apeguei tanto!
Maria continuara de cabeça baixa.
Enquanto isso, por outro lado Helena refletindo:
Astor nunca contara nada a seu respeito, além das coisas obvias, mesmo porque o tempo que sempre tiveram, fora para namorar.
Ele deve ser um homem elegante e cheiroso pensara ela.
Caíra na cama dormindo, como estivera o dia todo numa clínica de estética, estava cansada.
Em meio ao sono mal dormido devido o cansaço e a preocupação,vieram lapsos sobre os possíveis defeitos, aos quais, todas as pessoas são passíveis de portarem. Joãozinho roncara muito á noite, quando dormiam juntos, porém sempre fora inteligente, bom caráter, embora não houvesse mais nada entre eles.
Helena com seu conhecimento superficial, mergulhada no embuste da vida, jamais pudera imaginar a imperfeição,.
Imperfeição esta, que se limitara a um corpo perecível, sem alma, sem discernimentos entre a verdade e a mentira.
O polonês Zygmunt Bauman, afirmara que numa etapa, na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso”
Bauman se tornara uma figura de referência da sociologia.
Assim suas denúncias sobre a crescente desigualdade, sua análise do descrédito da política e sua visão nada idealista, do que trouxera a revolução digital o transformaram também em um farol para o movimento global dos indignados, mas também não hesitara em pontuar suas debilidades.
Bauman fora considerado um pessimista.
Seu diagnóstico da realidade em seus últimos livros fora sumamente crítico.
Falara sobre:
A riqueza de poucos beneficia todos nós?
Explicara o alto preço, que se paga hoje em dia pelo neoliberalismo triunfal dos anos oitenta, e a “trintena abastada” que viera em seguida.
Concluindo Zygmunt Bauman:
A promessa de que a riqueza acumulada pelos que estão no topo, chegaria aos que se encontram mais abaixo, fora uma grande mentira.
Em “Cegueira Moral”, escrito junto com Leonidas Donskis, Bauman alerta sobre a
perda do sentido de comunidade, em um mundo individualista.
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Izildinha