Geraldine passara dias tentando tocar no assunto com Maria,mas estivera tão machucada ,se sentindo traída ,e também traidora, pois tudo parecera ter voltado para ela, de maneira inesperada.
Pois é...
Pensara:
Se eu não tivesse me encontrado com Manuel naquela noite,tudo poderia ter saído diferente,tanto para mim,quanto para Maria,que também se acomodara com a situação como ela.
Manuel também,se me amasse de verdade,teria trazido a verdade á tona, porém não soubera ser amigo,muito menos confidente,deixara as coisas rolarem dentre mentiras.
Geraldine fizera de tudo para que o relacionamento dos dois fosse totalmente secreto:
Nenhum passeio de mãos dadas,nenhuma praia,nenhum restaurante,muito menos um por de sol.
Se pudesse voltar no tempo, pensara:
Talvez tudo estivesse, como esteve até então,uma vez que Manuel omitira a verdade por tantos anos,permitindo que eu me expusesse tanto sem saber.
Naquela noite pedira licença para Carlos e se recolhera mais cedo.
Carlos ficara no sofá da sala vendo um seriado na televisão,sem conseguir se ligar,pois estivera preocupado com o modo que contara tudo a Geraldine.
Claro, pensara ele:
Alguém na vida de Geraldine precisara ser leal e honesto,e por tanto tempo eu a esperara e jamais imaginaria ser seu companheiro,não que a morte de Manuel me fosse motivo de alegria,mas a vida,por outro lado, sorrira para Geraldine.
Talvez, seja apenas pensamento meu ,monologara.
Quando ele foi dormir Geraldine estava encolhida e parecera dormir em posição de feto.
Eu te prometo, dissera baixinho:
Ser a recompensa de tudo que a vida te negara,em todos os momentos de nossas vidas.
No outro dia quando Carlos acordara para ir ao trabalho,Geraldine houvera feito café e um pão de aveia no micro-ondas que ficara maravilhoso servido com manteiga.
Carlos segurara em suas mãos sobre a mesa, e pedira-lhe desculpa por haver tido tal conversa ,sem sequer prepará-la,e que embora fora pouco letrado, sempre fora honesto e sincero, e que esse era o único jeito, que aprendera ,para relatar qualquer fato.
Ela olhara em silêncio para Carlos e pela primeira vez vira nele uma beleza singular.
A pele morena queimada do sol, os cabelos volumosos e grisalhos, os olhos cor de mel.
E sem pestanejar redarguira:
Carlos, eu já te disse que você é lindo?
Eu?
Perguntara este todo desajeitado e continuara:
Não,você é uma mulher especialmente bonita, bem mais culta que eu.
Depois concluíra:
Eu não posso acreditar no que estou ouvindo,repita por favor!
Ela abrira um largo sorriso e dissera novamente:
Carlos, eu amo você!
Amo essa sinceridade crua que te cerceia, amo teu jeito único de me proteger, enfim...
Amo você!
E um longo beijo selara aquele momento de carinho.
A partir daquele instante parece que a vida dos dois tomara outro rumo e descobrira o caminho da felicidade.
Geraldine assumira uma postura mais alegre ,e deixara para trás todas as perguntas sem respostas, e entendera que, talvez tudo precisara mesmo ser do jeito como fora.
Carlos estampara enorme sorriso e soltara o coração,até então encolhido e arredio.
E Geraldine saíra comprar as sementes de margaridas para o jardim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha