Aos poucos, Geraldine fora descobrindo em Maria a irmã que ela nunca tivera, uma grande afinidade, as unira cada vez mais, e selara para sempre a amizade entre elas.
Conversavam várias vezes por dia, e Geraldine sentia-se felicíssima em ver que Maria e João estavam felizes e se completando.
Um dia Maria aparecera na casa de Geraldine á tarde, pois João aposentado, ainda trabalhara numa grande casa de sucos do bairro como auxiliador geral, de tudo fizera um pouco, servira os clientes, limpara as mesas, e também ajudara no preparo de sucos e lanches.
E ela tivera a tarde livre para poder sair, visitar filhos e netos, quando estes não apareciam.
Geraldine fizera café e bolo de fubá, sentaram as duas a conversarem, foram muitas recordações de Maria em relação a Manuel, mas num dado momento ela dissera:
Sabe de uma coisa amiga?
Manuel nunca fora o homem dos meus sonhos, nosso namoro começara e eu engravidara na fase da paixão, ainda não houvera virado amor.
Quando acabara a paixão, relatara Maria: Eu me vira com uma criança nos braços para criar, morando com um homem o qual eu não tivera tempo para perceber que o amara.
Depois de dois anos minha filha, então eu me dedicara totalmente a eles, fizera de meus filhos, o meu motivo, a minha felicidade.
E continuou:
Jamais me importara, quando ele saíra, soubera sempre, que tivera outra, mas tal fato, nada em mim causara, o importante que ele fora bom marido e que nunca deixara faltar nada, a mim e aos filhos.
Quanto ás suas escapadelas nenhuma importância!
Geraldine deixara Maria discorrer, sem jamais interrompê-la, sentira-se um pouco distante em tal momento, mas soubera que Maria se dirigira a ela, esperando uma reação.
Porém, Geraldine se mantivera quieta e mesmo sabendo da intensidade do sentimento de amizade que as unira ficara em silêncio.
Ao contrário de Maria, Geraldine fora apaixonadíssima por Manuel , e durante os longos anos que se transcorreram, esta se mantivera fiel como um cão, ao ciúme e ás determinações, que este sempre lhe impusera.
Foram anos solitários, fora um elo como um fio, porém forte como aço, que jamais se rompera, não fosse a morte...
Helena, ao contrário de Geraldine,sentira por Joãozinho uma espécie de obseção, e sabendo da infidelidade disfarçada da irmã,percebera que Joãozinho não passara de um trampolim para esta galgar os degraus da prosperidade.
O amor verdadeiro seguramente passeara pelas longas noites insones, pelos beirais uivante , efeito das ventanias noturnas de outono.
Também em sonhos impossíveis, passeara de mãos dadas pela orla do mar, comemorara o aniversário no restaurante preferido,plantara muitas flores nos jardins ,para colher na primavera.
Manuel deixara muitas lembranças escondidas no coração apenas de Geraldine,enquanto Maria, livremente saíra ,e fora ser feliz.
O coração de Geraldine parado no tempo,esperara por Manuel sem aceitar que este tivesse partido assim e tão rapidamente.
Maria dera uma olhada na casa de Geraldine e dissera:
Amiga, tu precisas botar mais vida neste recinto,aqui tudo parece tão mórbido e triste!
Geraldine olhara surpreendida com tais asseverações e Maria continuara:
Perdoe-me falar desse jeito, mas eu te sinto triste,desde a primeira vez no mercado quando me consolastes,eu me sentira arrastada pela tua gentileza e dedicação,mas também sentira em ti uma grande tristeza.
E continuara Maria:
Jamais uma tristeza ruim,mas uma doce tristeza que parece vir exatamente de tua essência.
Que tal darmos um jeito em tua casa?
E depois, quem sabe, daremos um jeito nesse coração.
Geraldine olhara para Maria com uma certa surpresa e as duas riram muito.
Maria:
Pois é amiga, tu nunca me contaste nada,esse teu namoro tão passageiro, pelo jeito também não te disseste nada!
Precisas encontrar alguém que te encante,assim como João a mim encantou!
Geraldine ouvira tudo em silêncio e sentira um cerco se fechando ao redor de seu grande segredo.
Se é que fora segredo...
Pensara ela,antes de dormir, naquela noite.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha