Geraldine e Maria tornaram-se grandes amigas, e á medida que o tempo passara, mais vontade tinha esta, de revelar o grande segredo para Maria.
Sempre que ensaiara dizer alguma coisa, viera a grande insegurança , o medo de fazer Maria sofrer, ou vir a odiar a memória de Manuel.
Existem pessoas que sentem ciúme até do companheiro ou companheira falecida e Geraldine, pelo menos por enquanto, jamais estivera disposta a estragar aquela linda amizade entre elas.
Maria e seu namorado João, conversando com Geraldine disseram que foram amigos na juventude e na adolescência estudaram na mesma escola e que surgira na época um namoro entre os dois, mas acabaram terminando, mesmo um ainda gostando do outro.
Então foi que ela conhecera Manuel, novo vizinho que viera ainda bebê de Portugal, porém herdara o sotaque lusitano dos pais, sotaque este, que fizera o coração de Maria, trocar as sístoles por um balanço
leve e delicado.
Depois de poucos meses de namoro ela engravidara, e como ainda não tinham condições de se auto sustentarem, foram morar com os pais de Manuel.
Maria também relatara que mesmo depois de casados, Manuel comumente dera as escapadelas, das quais ela sempre soubera, mas nunca dera importância porque sempre voltara para casa no final da noite.
Geraldine fora vendo na resignação de Maria, muita coisa sua também e supusera então ,que Manuel, como dizia um dito popular nunca fora" flor que se cheire".
Pois é, pensara:
Pensar que eu fora muito mais ingênua que Maria...
E a partir daí a grande dúvida:
Será que nós duas estivéramos guardando, o mesmo segredo?
Contudo a amizade das duas era compensadora, mesmo havendo segredo em comum, ou não.
Geraldine sempre fora de coração limpo e jamais quisera mal a Maria e esta também lhe parecera extremamente afetiva.
Será,pensara Geraldine,que Manuel fora uma zona de conforto afetiva entre ambas?
Pois bem,arrematara consigo mesma tirando os restos de maquiagem em frente ao espelho:
Que diferença fará isto agora?
Deixáramos o presente escorrer pelos vãos dos momentos, e mais de quarenta anos se passaram.
O que ela jamais tivera apressado, fora Maria se refazendo afetivamente e dentro em breve estariam morando juntos,ela e João.
Existem mulheres,pensara Geraldine,que mantêm o coração aberto para o amor,enquanto outras,simplesmente o barram nas impossibilidades.
Manuel fora em sua vida uma ponte quebrada, onde ela jamais tivera acesso ao outro lado.
Então vieram os natais solitários, as festas de finais de ano e também outras comemorações,sempre esperando por Manuel,que depois aparecera com um panetone, um ovo de Páscoa,uma lingerie ou uma blusa.
Nem presenteá-lo, ela podia,pois teria que se explicar.
Entretanto, ele se fora e as duas ainda mantinham uma parte de suas vidas na impossibilidade.
Seria impossível uma viúva , ser a melhor amiga da ex amante de um falecido.
E assim o tempo fora senhor dos segredos entre as duas, ou apenas para Geraldine.
Enquanto isso,Maria e João resolveram dar uma arrumada na casa para morarem juntos.
Enquanto João pintara as paredes de fora,consertara quintais e calçadas,Maria e Geraldine pintaram as paredes de dentro.
Concluído reparo da casa,fizeram reparos nos móveis todos,desde os eletrodomésticos até camas, cadeiras e outras peças mais.
A casa realmente ficara maravilhosa e os filhos de Maria,também os netos ao ver, gostaram muito e aprovaram o capricho de João juntamente com Maria e Geraldine.
E assim que tudo ficara pronto,João trouxera seus pertences.
Comemoraram junto dos filhos e netos a nova junção,Maria estava feliz,houvera se cuidado mais,houvera rejuvenescido e uma beleza até então desconhecida aflorara em seu semblante.
Aquela beleza tipo serotonina ou outros hormônios,que quando corpo físico bem conjugado com o lado psicológico, emana do espiritual.
Geraldine fora convidada,porém se recusara pedindo mil desculpas.
Achara que aquele momento pertencera á família e mais ninguém,mesmo porque os respeitara.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha