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sábado, 2 de janeiro de 2021

FRAGMENTO DO LIVRO_DUPLA SURPRESA

Um novo ano, solitário e tristonho, se abrira mediante Geraldine também,porém,completamente oposto ao ano iniciado por  Helena, pouco houvera a ser comentado sobre tais diferenças, mesmo porque a comunicação entre ambas sempre fora escassa, mas sem ressentimentos, Geraldine resolvera esquecer todos os ataques de Helena, quando fingira boas conversas, bons palpites, quando sugerira insignificâncias castradoras...
Época, em que Geraldine tivera seu relacionamento, exposto a luz da verdade, também á luz da fragilidade, á luz do fatos inverossímeis e fora do comum, foram anos e anos, sem sequer receber um telefonema, mesmo quando por dois anos adoecera muito.
Esta fora acumulando culpas, porém o amor por Manuel, sempre fora livre, e falara mais alto, então Geraldine perdoara a si mesma, por exigir da vida tão pouco.
Pessoas que sempre deram certo, preencheram certas lacunas vazias, deixadas sem perceber pelas pessoas em que tudo dera errado.
Será que fora mesmo assim?
A voz do pensamento, soara de Geraldine para si mesma.
Manuel, nunca dissera que a amara, porém a protegia, embora também fosse ciumento e castrador.
O tempo fora um aliado na aparência de Geraldine, que mantivera um semblante dócil e natural.
Estando numa tarde, na fila de um grande supermercado, o qual abastecera todos moradores do bairro, e circunvizinhanças ela começara conversar com uma mulher, que estava na sua frente.
A mulher muito entristecida, se dispusera a falar da morte de seu marido, tinha na mão um lenço de tecido branco, com o qual enxugava as lágrimas que vertiam grossas de seus olhos.
Sem que percebesse Geraldine lhe deu um abraço se dispondo a ajudá-la no que fosse necessário e de seu alcance.
Qual é seu nome?
Maria!
Meu marido se chamava Manuel...
Geraldine sentira um calafrio percorrer lhe pelo corpo inteiro. 
Fizera um esforço ferrenho ,enquanto Maria continuara...
Ele era um mecânico aposentado ,mas fazia reparos nos carros, no quintal de nossa casa para ajudar no orçamento.
Geraldine houvera trabalhado a vida inteira, como balconista numa padaria, tinha poucas habilidades em outras coisas, a não ser cuidar da própria casa, que alugara e morara a vida inteira na mesma.
Manuel houvera lhe dado alguns presentes em datas especiais, mas de valores insignificantes, mesmo porque Geraldine soubera das dificuldades financeiras na vida dele.
Ás vezes ele comentara também as desavenças com Maria, dizendo que ela não cuidara da aparência e sempre fora muito desleixada com a casa.
Agora estivera Maria na sua frente,como se o destino houvera preparado  o tal encontro.
Mais uma vez,Geraldine soubera de tudo e precisara calar mediante a situação.
Ela olhara para aquela mulher obesa com aspecto cansado e envelhecido e tivera uma vontade imensa de cuidar dela.
Maria continuara...
Tenho um filho e uma filha,tenho netos quase casados,são médicos mas precisam trabalhar muito para garantirem um sustento de uma vida a dois.
Geraldine soubera que Maria morava num bairro bem próximo ao seu,porém nunca tivera curiosidade em constatar,ou pelo menos, passar por perto.
Maria chorara inconsolavelmente enquanto as duas estiveram na fila, e Geraldine precisara esvaziar o coração para que esse não explodisse.
Pobre Manuel!
Pensara consigo mesma:
Maria ao sair do supermercado, esperara Geraldine pagar suas compras e Geraldine lhe dera o número do celular e Maria lhe passara o endereço .
Geraldine prometera que iria visitar Maria, e  como morara sozinha,poderiam saírem juntas para espairecerem.

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Izildinha