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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_DUPLA SURPRESA

Os filhos e netos de Helena e Joãozinho, haviam se tornado distantes, pois estes achavam que já haviam dado tudo aos filhos, que fora garantir uma imensa empresa para o futuro, que os poria no topo do mercado internacional de vendas, pois já se tratara estarem entre as pessoas mais ricas do planeta, e quanto mais abastados, mais distantes a ponto de quase nem se comunicarem mais.
Os dias foram ficando longos e ás vezes insuportáveis, quando os chats já não supriam tais distanciamentos e quando houveram desavenças entre os participantes, quando depois de anos de convivência relações e relacionamentos houveram se desgastado.
Os grandes burburinhos nos reservados eram quase sempre uns falarem dos outros, assim como as famílias houveram se desmantelado, aquela família virtual que parecera ser edificada de rocha, quão sólida se apresentava no início, agora ruíra como casarões abandonados.
Os dois frequentavam o mesmo chat, porém não sabiam, eram os namorados que houveram resistido no tempo toda e qualquer desavença, visto que não suportariam seus casamentos sem uma escora, um suporte.
Porém, para os dois, eles eram livres e houvera no ar, sempre uma promessa de ficarem juntos.
As festas e badalações continuaram,regadas a vinho e champanhes, porém á tarde pelo menos duas vezes por semana, Helena entornara cerveja e chope, junto com as amigas mais chegadas, aquelas que sempre souberam guardar segredos e que também compartilhavam de atitudes mais levianas.
A semana ficara dividida entre salão de beleza, academia, clínica de procedimentos e cervejas.
Helena não houvera percebido, mas já se tornara uma alcoólatra inveterada pelo tanto que consumira de chope e cerveja.
Joãozinho perdido em seu mundo,ora viajara,ora visitara o geriatra, assim como Helena também fizera.
Entre eles, jamais houvera troca de palavras, e quando discutiam Helena lhe jogava na cara, que o aturara apenas, assim Joãozinho também redarguira.
Perante a sociedade araraquarense,era o casal perfeito, que servira de exemplo para os demais, enquanto entre as comparsas ,o segredo rolava solto de boca em boca, porém o casal jamais percebera.
Joãozinho e Helena, quando se dispuseram a enganar o mundo, não perceberam que fora o mundo, que os enganara.
Quando se dispuseram a um enganar o outro, também ignoravam que se enganavam mutuamente.
Eles precisavam manter as aparências, porque com o passar dos tempos, esta parecera apenas restar entre eles.
A juventude fora deixando para trás dois riscos, um de muito esforço para sair da pobreza, e outro de grande desdém a esta, depois de terem dela saído.
Os antigos e velhos amigos da época da penúria, haviam desaparecido de suas vidas, restando agora os antigos amigos da época da abastança, pois estes desfrutaram de finas iguarias, de grandes festas, de vinhos e champanhes importados, e também eram peritos em bajulações.
A estes tais, Helena e Joãozinho se mantinham aparentemente fieis, pois destes advinham as validações necessárias e únicas das quais jamais abriram mão.
Quanto á felicidade?
Importara mesmo, estarem maquinando um sorriso desocupado, porém, sempre o suficiente para os manterem, nas primeiras páginas da revista, que retratara uma abastada sociedade.
Sempre com entrevistas do casal nas redes televisivas, ou reportagens, falando sobre seus produtos de laticínios Saúde, que sempre fora sua marca registrada.
Suas fazendas fornecendo frutas e também pastagem para gado leiteiro, eram a se perderem de vista.
Porém, a parte administrativa era executada pelos filhos e netos, enquanto o casal, apenas desfrutara dos elogios, das badalações e também das festas.
Os filhos raramente apareciam numa e em outra festa, sempre discretamente fugindo dos holofotes, sabiam eles, tal fato, muito aquilatado pelos pais, que simplesmente ignoravam a falácia.

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Izildinha