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terça-feira, 27 de outubro de 2020

FRAGMENTO DO LIVRO_EXEMPLARES

Júlia chegara uma semana antes do Natal,tanto eu como Renato,ignorávamos o quão maravilhoso seria o fato, de sermos avós.
Joaquim e Isabel estavam extremamente felizes e maravilhados com a beleza ímpar de nossa bebê.
Meu filho e minha nora emocionados, e também preocupados,quanto a vida da pequena Júlia, quando a humanidade parecera tão divergente e tão dividida mediante fatos estranhos.
Como reagiria nossa pequena?
Ou será que tudo pudera ter mudado?
Ficáramos avaliando, e sempre acháramos, que no passado fora melhor,porém ao foliarmos as histórias do passados,seres inescrupulosos sempre existiram,contudo por outro lado,seres maravilhosos deixaram caminhos abertos, ventilados pelo amor, em conivência com a sabedoria e a inteligência emocional.
Uma pedra bruta, contendo riqueza em seu interior, pudera ser lapidada,porém, a essência do ser,quando este não carrega o lado humano, apto a transpor as barreiras do divino,dificilmente se lapida.
Acreditáramos sempre, que o amor verdadeiro, fora a capacidade mais talentosa da alma humana.
O amor verdadeiro, é como o azeite puro, que jamais poderá ser confundido e nem liquefeito, com outro líquido qualquer.
Houvera sempre o intento de confundi-lo,porém, impossível intento.
O importante para nós, seriam os momentos de Júlia e sua descoberta.
Eu olhara para a beleza de minha nora Cláudia e agora mãe,parecera ficar mais encantadora e Júlia mesmo recém nascida, mediante nossos olhares,fora uma flor que desabrochara num jardim simples e bem cuidado,amparada e regada com amor.
Um clima de paz nos envolvia, pela chegada do natal, também pela chegada de Júlia,ouvindo uma cantiga eborense, comum a muitas outras cantigas de Natal alentejanas.
O tema da canção  fora  a adoração dos pastores de Belém, depois que foram informados pelos anjos, que houvera nascido o Messias.
 Estes foram ao local do seu nascimento.
 Então nas letras das músicas,retratam a reocupação dos pastores sobre os presentes, que pretendem dar ao Menino recém-nascido.
Dizendo: 
"Uma fita para o chapéu" e uma "Camisinha de bretanha". 
Porém, desadequados para um bebê de tenra idade, tal como avisara o estribilho:
 "Em vez de brindar com algum mimo, deem leite ao Jesus pequenino".
Realmente, como apontam alguns autores, os presentes recebidos, não condizem a um Jesus recém nascido, mas remetem a uma imagem barroca. 
Porém, em Portugal entre os séculos dezessete e dezoito, Jesus é representado, como um bebê desnudo.
 Frequentemente os nascimentos de grande devoção popular, eram presenteados com enxovais e vestimentas para bebê.
 Na coleção de esculturas expostas, está o Menino Jesus e suas respectivas vestes no Museu de Évora, comprovando que tal tradição, acontecera neste distrito alentejano.
Júlia representara para nós, um natal revestido de galhardia e muita gratidão ao menino Jesus.
Gratidão pelo presente da vida.
Gratidão pela vida presente.
Somávamos nossa alegria de vivenciarmos o natal,expandindo entre nós a capacidade de amar,quando esta nos contagiava de maneira única e especial,Júlia fora nosso presente de Natal.


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Izildinha