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terça-feira, 18 de agosto de 2020

ÚLTIMO CAPÍTULO DO LIVRO_CENÁRIO

Vivenciáramos o cenário, primeiro de novembro, eu Maria, juntamente com meu marido Renato ,meu filho Arturzinho, minha nora leda, e meus netos Clara e Samuel, estivéramos no cemitério do Horto Florestal.

Ficáramos um tempo em silêncio, olhando as fotos de meus pais, sepultados um ao lado do outro, e como pediram :

Epitáfio

“Aqui jazem Artur e Sabrina, um encontro e uma felicidade eterna.”

Fora impossível, não chorar a ausência de minha mãe, que já completara um mês.

Antes de nos dirigirmos para lá, colhêramos flores do jardim da casa, e colocáramos sobre o jazigo.

Meus pais foram para nós, um norte, um compêndio de emoções nobres e verdadeiras, um amor ativo, que transitara em nós,e por todos os instantes de nossas vidas, éramos regados por tal amor unânime e verdadeiro.

Eu sentira em minha mãe, um certo desprendimento terreno, dia após dia, porém, nunca em momento algum deixara de cuidar de tudo, que estivera ao seu redor.

Eu a percebera, querendo me dizer alguma coisa nos últimos dias, olhando para mim, já, com uma certa saudade estampada no olhar.

Também soubera, que de alguma forma, os dois procurariam estarem conosco, em nossos momentos.

Eduardo ficara muito abatido, pois sentira a falta que minha mãe fizera em nossas vidas, mas também alegara perceber, que ela estivera o tempo todo dividida entre o Empíreo e a Terra.

Então nossa família se vinculara mais ainda, mediante feliz legado.

O dia transcorrera lentamente, almoçáramos juntos na grande casa vazia, onde os objetos pessoais de meu pai, se mantiveram intactos, enquanto minha mãe lá vivera.

E fizéramos daquela casa um patrimônio histórico de nossa família, passando grandes temporadas em Londres e também na mesma.

Aprendêramos com eles, jamais temermos a finitude, também mediante experiência vivida, e relatada por minha mãe, descobríramos que a vida fora maravilhosa, em detrimento á nossa volta, a nossa passagem para outra dimensão.

Tal consciência, fizera com que aproveitássemos a cada momento de nossas vidas, e jamais desperdiçáramos, um momento sequer, envolvidos com sentimentos negativos, tais como:

Rancor, ódio e outros mais, que nos distanciariam um do outro, fazendo com que nos perdêssemos, e tomássemos o rumo de um outro caminho.

Chegara o Natal e comemoramos felizes, alegres, embora muitas vezes, a saudade nos traíra, e fizera com que chorássemos, como minha mãe chorava, sem tentar esconder, a falta que sentira de meu pai.

Agora choráramos a saudade dos dois, e por outro lado, nos alegráramos sabendo, ou melhor, tendo a nítida certeza, de que juntos, estariam presentes, em todos os nossos momentos.

Aquela casa fora uma assinatura, um marco, um livro vivo, onde pudéramos ler e reler, página por página, dentro de nossas lembranças.

Fôramos uma família, jamais totalmente formada pela genética, mas sim, pela espiritualidade, e pelas escolhas do coração, porque  assim tivera que ser.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha