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domingo, 7 de julho de 2019

VIAJANDO_PROSA POÉTICA_LIVRO INTERNALIZANDO

Eu ouvira os pássaros raiando o dia sem luz, apenas  rumores, quando ainda a rua dormira  feito criança, no colo da mãe.
Um  frio rondava pelas calçadas, gelando os pensamentos desatentos, compondo solidões mais cruéis,quando se olha ao seu redor, e nem sequer permite acreditar, no calor humano.
Enquanto a opacidade toma conta das luzes, dando espaço a uma claridade raiada por um dia frio, trazendo o sol, logo depois.
No verão, o sol faz miragens nas calçadas, porém á noite, quem dorme ao relento, tem a frescura da brisa para se cobrir.
Mas no inverno, às calçadas se tornam tumbas geladas, gelando vidas, perto de vidas, que deixam de pulsar, e as cobertas ficam guardadas dentro das lojas, as camas vazias e as casas todas fechadas.
A invernia é um coração gelado, que não aquece mais nenhuma forma de amor, é o vento gélido percorrendo pensamentos que já não flexionam mais sensibilidade.
A invernia é uma mentira coberta de gelo, uma estação para se sentar e esperar, um diálogo cortado ao meio, por alguém esperado que não veio.
É uma música sem inspiração, um teclado parado, esquecido no porão, uma criança chorando de pés no chão, são dedos gélidos falantes. abrandando tanta solidão.
São pequenos instantes, para os longos dias que se vão,um dedo apontando qual a tal da condição.
Um voto de confiança, um desânimo de comissão, alguém no deserto espremido dentre uma multidão.
A invernia é um sobressalto, vento voando pelo vão, um grito mudo no asfalto, o silêncio da multidão.
Eu pudera entender teu silêncio congelado dentro de minha janela,quadrada,redonda,formato de uma tela.
Existem pessoas congregando, tanta solidão fotografada,eu sinceramente confessando, minha solidão esmiuçada.
Eu voltara então á minha criança, que dormira sem coberta, que esperara pelo carinho, que vira a manhã desperta.
Entre uma hora e outra,eu vira a porta cerrada, precisara falar contigo, porém precisara nada...
A invernia percorre teu corpo, teus dedos, teu pensamento, é a mesma que me cobra tanto entrosamento, porém a minha história, preferira não te contar, assim eximira a glória, que te dera e pora a louvar.
Uma prosa apenas, para comigo dialogar, para me fazer companhia, arrumara o seu lugar, dentro de meu coração, já não cabe aleivosia, cabe apenas a esperança em tua fotografia.
Uma imagem retrata tudo, porém sem essência não sobrevive, como um poeta mudo, com seu olhar em declive.
Sem poemas para escrever, pois além da inspiração, este deseja rever o objeto de antemão, viajando também cansam a razão e o coração.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha