Eu
ouvira os pássaros raiando o dia sem luz, apenas rumores, quando ainda a rua dormira feito criança, no colo da mãe.
Um frio rondava pelas calçadas, gelando os
pensamentos desatentos, compondo solidões mais cruéis,quando se olha ao seu
redor, e nem sequer permite acreditar, no calor humano.
Enquanto
a opacidade toma conta das luzes, dando espaço a uma claridade raiada por um
dia frio, trazendo o sol, logo depois.
No
verão, o sol faz miragens nas calçadas, porém á noite, quem dorme ao relento,
tem a frescura da brisa para se cobrir.
Mas
no inverno, às calçadas se tornam tumbas geladas, gelando vidas, perto de
vidas, que deixam de pulsar, e as cobertas ficam guardadas dentro das lojas, as
camas vazias e as casas todas fechadas.
A
invernia é um coração gelado, que não aquece mais nenhuma forma de amor, é o
vento gélido percorrendo pensamentos que já não flexionam mais sensibilidade.
A
invernia é uma mentira coberta de gelo, uma estação para se sentar e esperar,
um diálogo cortado ao meio, por alguém esperado que não veio.
É uma
música sem inspiração, um teclado parado, esquecido no porão, uma criança
chorando de pés no chão, são dedos gélidos falantes. abrandando tanta solidão.
São
pequenos instantes, para os longos dias que se vão,um dedo apontando qual a tal da condição.
Um voto de confiança, um desânimo de comissão, alguém no deserto espremido dentre uma multidão.
Um voto de confiança, um desânimo de comissão, alguém no deserto espremido dentre uma multidão.
A
invernia é um sobressalto, vento voando pelo vão, um grito mudo no asfalto, o
silêncio da multidão.
Eu
pudera entender teu silêncio congelado dentro de minha
janela,quadrada,redonda,formato de uma tela.
Existem
pessoas congregando, tanta solidão fotografada,eu sinceramente confessando,
minha solidão esmiuçada.
Eu
voltara então á minha criança, que dormira sem coberta, que esperara pelo
carinho, que vira a manhã desperta.
Entre
uma hora e outra,eu vira a porta cerrada, precisara falar contigo, porém
precisara nada...
A
invernia percorre teu corpo, teus dedos, teu pensamento, é a mesma que me cobra
tanto entrosamento, porém a minha história, preferira não te contar, assim
eximira a glória, que te dera e pora a louvar.
Uma
prosa apenas, para comigo dialogar, para me fazer companhia, arrumara o seu
lugar, dentro de meu coração, já não cabe aleivosia, cabe apenas a esperança em
tua fotografia.
Uma
imagem retrata tudo, porém sem essência não sobrevive, como um poeta mudo, com
seu olhar em declive.
Sem
poemas para escrever, pois além da inspiração, este deseja rever o objeto de
antemão, viajando também cansam a razão e o coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha