Meu
nome, Alice Maria, era começo de primavera, e eu gostara muito dessa época,
pois junto com ela vinham as borboletas enormes e azuis, rapidamente voando bem
alto, livres, cortando os ventos.
As
flores dependuradas nos galhos dos ipês, davam umas estupendas roupagens aos
galhos, quando no inverno, cinzas e ressequidos, pelas ruas das cidades, pelas
estradas e campos.
Uma
infinidade de cores perpassavam, estampando as paisagens, então, os negrumes
verdes das montanhas, ficavam salpicadas delas.
Enfim,
a primavera me parecera sempre, a estação das promessas de novos frutos, e
novas sementes, para a perpetuação das espécies.
E
sem restrições, as abelhas saiam
polinizando toda cercania, onde
enxames permaneciam zumbindo, pelos galhos floridos.
Nessa
época, eu andara pela tarde, sem ter o que fazer, apenas observando a infinidade de cores...
Os bandos de maritacas ,
passavam em revoadas num barulho imenso.
A
primavera em si, sempre viera carregada de um espetáculo especial, organizado
durante as outras estações, pela Natureza.
Sempre
amara as flores plantadas nos jardins, mas igualmente, amara as florinhas
silvestres, com seus suaves perfumes.
Na
primavera eu gostava de brincar com uma árvore que eu considerava minha amiga,
meu pai chamava aquela espécie de árvore ,de cana frita.
Então,
ela se enchia de flores amarelas e lindas,eu gostava de balançar em seus
galhos, mas mesmo eu sendo criança, eles eram frágeis e quebravam.
Então eu subia nela com cuidado e ficava
horas olhando tudo de cima.
Eu
adorava a minha amiga, ela me ouvia e ás vezes parecia que falava comigo.
Mesmo
porque, na minha idade ninguém quase tinha costume de me ouvir, por isso eu só
conversara com ela.
Minha
professora da segunda série primária dissera ao meu pai ,que eu era uma
poetiza, pois vivera escrevendo poesias em meu caderno.
Na verdade,eu era mesmo apaixonada por
aquelas flores, e quando começava a primavera,eu ficara encantada.
Então
transpunha os desenhos para os cantos do caderno, e meus pais diziam:
Pare
de desenhar no caderno!
Era
porque os desenhos ocupavam espaços das escritas, mas se eu fizesse desenhos,
só na margem,aí podia.
Um
caderno enfeitado com flores, era tão lindo!
Mas eu nunca fora, boa desenhista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha