Quando
encontrara, a tal margarida, bem no meio do cerrado, ficara encantada, porque
ela expressava qualquer coisa incomum, para mim, parecera que a margarida,
queria se mudar de lugar, mas mesmo assim, não deixara totalmente claro isso.
Esse
tipo de margarida, pensara eu, não costuma morar em lugares tão ressequidos,
elas gostam de terra fofa e água abundante.
Mas
lá estava ela,ora parecendo ressentida, ora
parecendo regateira, mas eu fazendo parte da população chamada pelos
nativos de homem branco, ficara doida para trazer a margarida para casa,
colocar no meu canteiro, dentro de meu jardim.
Ela
era azulada, pétalas bem recortadas pela mãe Natureza e as folhas de um verde
escuro, cor das crucíferas, tudo nela era intenso e também um tanto bizarro.
Sem
contar que os pistilos eram amarelos, tão amarelos, cor de milho de pipoca, ou
mesmo açafrão.
Logo
adiante uma pequena cabana de índio empobrecido depois da civilização, duas
crianças, e um casal ainda bem jovem, percebera eu, que as flores ao redor da
cabana, todas silvestres, se mantinham como vieram ao mundo.
As
cores e um jeito peculiar de flor que é flor, sem exigências, sem
interferências, nada recriado.
Os
indiozinhos, quase nus, vieram olhar em silêncio, seguidos do pai e da mãe,sem
pergunta alguma.
Depois
do simples e tímido boa tarde, quem quebrara o silêncio, fora eu, ou melhor, estabelecera
uma asseveração.
_Que
margaridas mais lindas!
_Nasceram
assim sozinhas?
O
casal rapidamente de soslaio, se entreolharam e depois afirmaram com a cabeça
que sim.
Então,
eu lhes falara a respeito de meu jardim, dissera nomes das flores, que lá eu
havia plantado, enquanto eles mantinham uma postura quase indiferente.
Depois
que eu dissera tudo, mostrara a eles o meu interesse de levar aquele pé de
margaridas azuis para meu jardim, se houvera possibilidade.
Também
dissera que houvera me encantado com aquele azul incrível e tão marcante que
parecera ser pintado,pétala por pétala.
Com
um sotaque meio asiático, fora o marido quem tomara a palavra, dizendo que não
me permitira, pois era uma espécie rara naqueles cerrados.
Eu
ficara desconcertada e encabulada, ele fora para dentro da cabana e trouxera um
cocar de penas azuis, lindas no mesmo tom das margaridas e estendera para mim,
dizendo.
_Toma
é teu.
E
concluiu a seu modo:
Eu,
sem entender nada, quando ia retrucar ele salientou.
A
verdadeira cultura indígena tem na Natureza o seu santuário, os vestígios de
Deus, então tentamos imitá-la sem agressões.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha