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sábado, 15 de junho de 2019

MARGARIDAS AZUIS_PROSA DO LIVRO INTERNALIZANDO

Quando encontrara, a tal margarida, bem no meio do cerrado, ficara encantada, porque ela expressava qualquer coisa incomum, para mim, parecera que a margarida, queria se mudar de lugar, mas mesmo assim, não deixara totalmente claro isso.
Esse tipo de margarida, pensara eu, não costuma morar em lugares tão ressequidos, elas gostam de terra fofa e água abundante.
Mas lá estava ela,ora parecendo ressentida, ora  parecendo regateira, mas eu fazendo parte da população chamada pelos nativos de homem branco, ficara doida para trazer a margarida para casa, colocar no meu canteiro, dentro de meu jardim.
Ela era azulada, pétalas bem recortadas pela mãe Natureza e as folhas de um verde escuro, cor das crucíferas, tudo nela era intenso e também um tanto bizarro.
Sem contar que os pistilos eram amarelos, tão amarelos, cor de milho de pipoca, ou mesmo açafrão.
Logo adiante uma pequena cabana de índio empobrecido depois da civilização, duas crianças, e um casal ainda bem jovem, percebera eu, que as flores ao redor da cabana, todas silvestres, se mantinham como vieram ao mundo.
As cores e um jeito peculiar de flor que é flor, sem exigências, sem interferências, nada recriado.
Os indiozinhos, quase nus, vieram olhar em silêncio, seguidos do pai e da mãe,sem pergunta alguma.
Depois do simples e tímido boa tarde, quem quebrara o silêncio, fora eu, ou melhor, estabelecera uma asseveração.
_Que margaridas mais lindas!
_Nasceram assim sozinhas?
O casal rapidamente de soslaio, se entreolharam e depois afirmaram com a cabeça que sim.
Então, eu lhes falara a respeito de meu jardim, dissera nomes das flores, que lá eu havia plantado, enquanto eles mantinham uma postura quase indiferente.
Depois que eu dissera tudo, mostrara a eles o meu interesse de levar aquele pé de margaridas azuis para meu jardim, se houvera possibilidade.
Também dissera que houvera me encantado com aquele azul incrível e tão marcante que parecera ser pintado,pétala por pétala.
Com um sotaque meio asiático, fora o marido quem tomara a palavra, dizendo que não me permitira, pois era uma espécie rara naqueles cerrados.
Eu ficara desconcertada e encabulada, ele fora para dentro da cabana e trouxera um cocar de penas azuis, lindas no mesmo tom das margaridas e estendera para mim, dizendo.
_Toma é teu.
E concluiu a seu modo:
Eu, sem entender nada, quando ia retrucar ele salientou.
A verdadeira cultura indígena tem na Natureza o seu santuário, os vestígios de Deus, então tentamos imitá-la sem agressões.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha