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segunda-feira, 17 de junho de 2019

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Quando eu fizera quinze anos, Leo aparecera em minha casa com um filhotinho lindo, era um poodle pretinho e encantador, meu irmão gostou muito, por isso minha mãe, permitiu que ele ficasse.
  Pusemos o nome de Kalu, um nome curtinho que combinava com ele e docinho também.
Naquela tarde,eu fizera um bolo para dividir com minhas amigas, e também com o Leo que me dera Kalu de presente de aniversário, Léo comprara uns refrigerantes e cantamos parabéns na sala de minha casa.
Minha mãe e meu padrasto também participaram da festa, pois o bolo era imenso e servira de jantar também.
Conversamos bastante eu e minhas amigas, meu irmão com nove anos também era bastante comunicativo e se divertiu muito, principalmente com Kalu que gostava de ficar mordiscando o cadarço de seu tênis.
Depois que todos se foram, já era meio tarde e eu dei uma ordem em minha casa, e os demais foram dormir.
Claro que Rodrigo fizera uma caminha para Kalu em seu quarto.
Tomara um bom banho, pensara bastante na vida, e ficara imaginando o que faria quando terminasse o Ensino Médio, o Leo cursava engenharia, pois a família dele tinha um certo poder aquisitivo que possibilitara ele estudar de dia, mas eu já trabalhava numa papelaria para ajudar em casa.
O importante seria viver um dia de cada vez, procurando não perder tempo, mas sim, estudar bastante,eu ainda não havia me decidido, mesmo porque os cursos mais caros,eu não teria condições de fazer.
Depois do banho, abrira a janela de meu quarto e o céu estava lindo, um luar encantador e também salpicado de estrelas.
Fora uma festa simples, quase insignificante, mas para mim, fora muito importante,afinal,não é todo dia que alguém completa quinze anos de idade.
Respirei a brisa fresca que me encheu de paz, fechara lentamente a janela,puxara o lençol de minha cama, dera umas batidas no travesseiro com a mão, e depois colocara minha cabeça, só lembrara disso e mais nada, acordara com minha mãe batendo na porta de meu quarto dizendo que estava na hora, levantei, me arrumei, tomei uma xícara de café e saí apressadamente, pois já estivera me atrasando, e a loja, já ia abrir.
E o vento sorridente perpassava o meu pensamento, agora tão bem ventilado por esse sorriso invisível, enquanto o coração, com suas sístoles serena, avisando a razão, que nascera então o amor.
Agora eu quisera abraçar Léo com meu coração com uma doce preocupação que tudo lhe fosse, conforme desejasse, o amor, juntamente da paixão, envolve a alma e o corpo trazendo uma energia vital e benéfica, que só quem vivenciara esse estado de graça soubera relatar.
A juventude, mesmo quando distraídos com os nosso empecilhos, se encarrega de nos trazer tantas surpresas agradáveis.
Eu sentira uma primavera esmiuçada pelas flores mais singelas, se é que existem flores diferentes umas das outras, para mim, flores sempre foram flores, mas para o amor, as flores escolhidas são especiais.
É como um campo perdido, dentro do asfalto tépido de um coração, reflorestando e impregnando de pencas perfumadas.
 Os dias diziam sentimentos nobres e as noites carregadas de sonhos, e faziam adormecer em meio a tanta fragrância, trazidas pelo vento, reconhecidas pelo coração.
Era a fragrância das almas envoltas em amor e paixão, que num desdobramento iam reconhecer outros jardins seculares, dentro dos milênios habitados.
Meu coração, guardara uma pequena porção ao amor e á companhia de Marcos,porém,juntamente com a paixão, Léo fora implacável, a vestir-me de esperanças numa promessa de vida.
Sua mão segurava a minha de um jeito intenso e acolhedor, enquanto a seu lado,me sentira a mulher mais amada do mundo.
Eu jamais, tivera vontade, de regredir, para verificar minhas mágoas, meus sofrimentos e abandonos de infância, aquela menina agora, forte e destemida, estivera aprendendo, como se livrar, da dependência, amando perdidamente alguém.
O amor estendera um tapete versátil, por todos os lugares, por onde eu passara, mas em companhia de Léo, ajustara nossos melindres, aquecera todos os invernos deixados, por mim, para trás, contemplando um verão mais presente.
E obviamente único, naquele instante da vida, em que o amor nos visitara, asseverando que seria para sempre, prometendo tornarmos vencedores absolutos, também para removermos todas as possíveis pedras, visíveis e invisíveis de nosso caminho.

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Izildinha