A
pequena pracinha, esquecida no meio do bairro, certamente jamais atrairá algum
turista, ou coisa assim, mas esta mesma mantém um segredo, um encanto que só
desvendara quem por aqui vivera umas décadas, desenvolvendo o costume de olhar
para ver e desvendar as quatro estações.
Em
tão minúsculo espaço, sabe discernir temporadas e também falar de amor.
As
azaleias portanto, esquecem as temporadas e vão florindo o ano inteiro, mesmo
fustigadas pelo sol, pelo vento, pela poluição as flores rosas pink, ficam a
mercê de uma série de torturas, porém mesmo assim, quando num momento de
descanso esperando o farol, elas exibem um espetáculo gigantesco no centro da
minúscula praça.
Os
ipês com seus braços ressequidos ficam esperando um prenúncio de primavera e
aí,juntamente com as azaleias, eles mostram os resquícios de Deus por toda
parte que miramos.
E
quando o olhar, se despede da praça, e corre pela avenida, outro espetáculo se
forma diante deste, como as mais lindas nuances, tocadas pelas luzes de
Monet.
As
flores ,ás vezes gostam de provocarem os corações apaixonados, as emoções a
esmo, que vivem distendidas em silêncio, passeando no meio da multidão.
Portanto,
todo fluxo maior, sempre fora obrigado a respeitar os faróis, que dialogam com
as azaleias o tempo inteiro.
Vez
ou outra, um papel de bala, uma bituca de cigarro, ameaçam as belezas das
azaleias, mas mesmo assim, elas continuam fincadas no asfalto, com seus talos
delicados, em pencas macias e cheirosas.
Comumente, pensara eu, sermos quão exigentes com a vida,mesmo porque não
depositamos raízes em nossos habitat, temos o livre arbítrio da escolha, de
onde queremos habitar, pelo menos temporariamente ,e sem o livre arbítrio eternamente, mas quando
nos apaixonamos pelo lugar, parece que fincamos raízes com as sentimentalidades,
que nos fazem ir ,ou voltar ao mesmo lugar.
Entendera
eu,que este pequeno recuo, que cinge aquela praça, certamente me cativara de um
jeito tão profundo e minhas raízes ficaram fincadas aqui, mesmo quando eu fora
embora.
Eu
jamais entendera trocar tudo quanto amo e conheço, pelo desconhecido, mas o
amor, diverge de nossos entrosamentos, pudera tão rapidamente fincar raízes onde
jamais sonhamos estar.
Então,simultaneamente,vamos
nos colocando em forma de lembranças,naqueles lugares que tanto marcaram dentro
do coração.
Porém,
quando eu voltar, preciso andar de óculos escuro no entorno da montanha, das
garças, durante a algazarra das crianças da rua.
Tua
imagem certamente, fará de minha presença, uma presença também, visto que me
esquecestes de uma maneira tão singular, que jamais ouvira história assim, com
esse estrangeirismo desigual.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha