Então,me prendera a um lado desprendido e desapegado que Eduardo me
deixara, tentando evitar a tristeza, que a solidão,
agora me causa.
A
morte, durante três meses, fora e sempre , uma incógnita,sabendo que pudera ter sido apenas um descarte narcísico,
pois depois de meses de sofrimento eu pressentira
isso.
Talvez
até, para não sofrer tanto!
Realmente
fora um descarte com a conivência de pessoas próximas a mim.
Que
me viram chorar o tempo todo, ficar sem vontade de realizar coisa alguma, acordar
durante a noite chorando e dormir com a roupa dele no corpo por saudade.
No
entanto,eu tivera sempre um pressentimento muito forte de que ele estivera
vivo.
Pedira
á Virgem Maria para dar mais uma chance, que eu prometeria nunca mais brigar
com ele por nada.
E
um dia ela me mostrou a verdade...
Ao
saber que fora descarte, meu coração se soltou e preferi entender certos desígnios.
Com
ele houveram situações ,em que eu fingira não saber,
por covardia, por medo de sofrer, porém sofrera muito mais.
Um
dia ,depois de muitos anos juntos, ele estava na minha casa,eu fora trabalhar
de manhã, e quando voltara ele havia feito pão de queijo e guardado um para
mim,eu percebera que alguém, havia estado com ele em minha casa.
Eu
sabia quem era, mas fingi não saber porque seria complicado tocar no assunto,
ela deixara um grampo grande de cabelos,
que eu não costumara usar, cair no
chão do chuveiro, e naquele mês me viera uma conta altíssima de luz.
O
tempo passou, e eu levara isso comigo,sem ao menos, lhe revelar que eu sabia.
Depois
de tudo acabado entre nós, não pela morte, mas pelo
descarte, tenho tempo para avaliar o que foi felicidade e o que foi sofrimento
e vergonha para mim.
Era
um relacionamento ,que me deixara um sentimento de culpa sempre,
não em relação ás outras pessoas, mas em relação a mim,ao meu amor próprio.
Em
determinados momentos ,quando pensara
na possibilidade
da morte dele, sentira um
nó na garganta, sentira
meu peito fechado e meu coração
apertado.
Mas
quando pensara no descarte, evitara sofrer
e imaginara, que fora
melhor assim, o contato zero, aos
poucos apagara muita coisa .
Porém,
de vez em quando, restará
uma boa lembrança, sem mágoas,
sem ressentimentos
de minha parte, porque sou assim.
O
sofrimento, entendera eu,precisara me dizer algo mais, precisara escoar em seu
tempo, então ás vezes eu chorara para desentupir os escombros humanos, porém em
outros momentos, fora tocada de um sentimento calmo e tranquilo, que só o lado
oposto do sofrimento, pudera me propiciar.
Caminhara
dias meio estagnada, nada semelhado a
zona de conforto, mas sim, meio presa ainda dentro de minhas fobias, onde fico
embrenhada...
Eu
jamais precisara sair ,ou falar com alguém, sempre soubera, que isso pudera ser
bom,mas em todas as tentativas,eu ficara pior do que estivera.
Quando
estamos fragilizados, precisamos acima de tudo, nos respeitarmos e não
permitirmos, que a insensibilidade alheia nos toque a ferida, atrasando assim,
o tempo da cura.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha