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domingo, 21 de abril de 2019

TEMPO DE CURA_DO LIVRO _AMOR ETERNO

Então,me prendera a um lado desprendido e desapegado que Eduardo me deixara, tentando evitar a tristeza, que a solidão, agora me causa.
A morte, durante três meses, fora e sempre , uma incógnita,sabendo que pudera ter sido apenas um descarte narcísico, pois depois de meses de sofrimento eu pressentira isso.
Talvez até, para não sofrer tanto!
Realmente fora um descarte com a conivência de pessoas próximas a mim.
Que me viram chorar o tempo todo, ficar sem vontade de realizar coisa alguma, acordar durante a noite chorando e dormir com a roupa dele no corpo por saudade.
No entanto,eu tivera sempre um pressentimento muito forte de que ele estivera vivo.
Pedira á Virgem Maria para dar mais uma chance, que eu prometeria nunca mais brigar com ele por nada.
E um dia ela me mostrou a verdade...
Ao saber que fora descarte, meu coração se soltou e preferi entender certos desígnios.
Com ele houveram situações ,em que eu fingira não saber, por covardia, por medo de sofrer, porém sofrera muito mais.
Um dia ,depois de muitos anos juntos, ele estava na minha casa,eu fora trabalhar de manhã, e quando voltara ele havia feito pão de queijo e guardado um para mim,eu percebera que alguém, havia estado com ele em minha casa.
Eu sabia quem era, mas fingi não saber porque seria complicado tocar no assunto, ela deixara um grampo grande de cabelos, que eu não costumara usar, cair no chão do chuveiro, e naquele mês me viera uma conta altíssima de luz.
O tempo passou, e eu levara isso comigo,sem ao menos, lhe revelar que eu sabia.
Depois de tudo acabado entre nós, não pela morte, mas pelo descarte, tenho tempo para avaliar o que foi felicidade e o que foi sofrimento e vergonha para mim.
Era um relacionamento ,que me deixara um sentimento de culpa sempre, não em relação ás outras pessoas, mas em relação a mim,ao meu amor próprio.
Em determinados momentos ,quando pensara na possibilidade da morte dele, sentira um nó na garganta, sentira meu peito fechado e meu coração apertado.
Mas quando pensara no descarte, evitara sofrer e imaginara, que fora melhor assim, o contato zero, aos poucos apagara muita coisa .
Porém, de vez em quando, restará uma boa lembrança, sem mágoas, sem ressentimentos de minha parte, porque sou assim.
O sofrimento, entendera eu,precisara me dizer algo mais, precisara escoar em seu tempo, então ás vezes eu chorara para desentupir os escombros humanos, porém em outros momentos, fora tocada de um sentimento calmo e tranquilo, que só o lado oposto do sofrimento, pudera me propiciar.
Caminhara dias meio estagnada, nada  semelhado a zona de conforto, mas sim, meio presa ainda dentro de minhas fobias, onde fico embrenhada...
Eu jamais precisara sair ,ou falar com alguém, sempre soubera, que isso pudera ser bom,mas em todas as tentativas,eu ficara pior do que estivera.
Quando estamos fragilizados, precisamos acima de tudo, nos respeitarmos e não permitirmos, que a insensibilidade alheia nos toque a ferida, atrasando assim, o tempo da cura.

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Izildinha