Marcadores

segunda-feira, 22 de abril de 2019

FRAGMENTO_FICÇÃO_O HOMEM QUE QUERIA ENGANAR A MORTE

Como ninguém, nunca via ninguém, as pessoas permaneciam décadas, rodopiando  em volta  de si e se procurando o tempo todo.
Esqueceram a data do Natal, deixaram de contabilizarem os anos e a Internet substituíra quase tudo.
 Apenas não soubera responder nada sobre a identidade das pessoas e também, não tinha nenhuma noção sobre eternidade, embora houvessem blogs específicos para tais perguntas.
As pessoas pararam de sentir medo, passando a dormirem de portas abertas.
Pois eram todos iguais...
E ninguém ligava para mais nada, a não ser desvendar o seu segredo da eternidade.
O sábio lhes passara, mas haviam esquecido, os manicômios foram se multiplicando pelas cercanias, pois cada vez maior, o número de pacientes.
Entre eles, os médicos, as enfermeiras, que viviam perguntando aos pacientes, quem eles realmente eram, tomando placebos para se identificarem.
E só recebiam paciente que conseguisse desvendar seu médico, sua enfermeira, para depois estudarem o grande segredo da eternidade.
Uma vez correra  uma notícia na cidade, que a morte estava a procura de alguém com uma foice na mão.
 Como todos haviam esquecido de todos, a morte resolveu ir embora, caso contrário ela iria enlouquecer.
Ela queria o seu exterminador, mas ninguém mais sabia por onde ele andara, tamanha confusão  virara no mundo.
Andavam pelas ruas cabisbaixos e desmotivados, pois ninguém mais ria, nem chorava.
 Também, ninguém mais fizera planos, estavam todos. ainda se buscando para saber se ainda poderiam fazer plano.
Mesmo porque talvez fossem eternos, mas a eternidade, os havia entediado, pois até dessa certeza haviam se desvinculado.
E o segredo de cada um por onde andava?
Ninguém mais sabia, mesmo porque já não havia motivo para arquivar, estavam estupefatos com a tal da eternidade.
Ninguém mais escrevia poesias, porque estas jamais seriam lidas por pessoas sonhadoras, elas foram extintas do planeta.
 Enquanto humano, sabendo ser eterno, perdera toda leveza da vida, se tornara desinteressado, e sem paciência, para tais encantos dos pobres mortais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo carinho!
Izildinha