Como
ninguém, nunca via ninguém, as pessoas permaneciam décadas, rodopiando em
volta de si e se procurando o tempo todo.
Esqueceram
a data do Natal, deixaram de contabilizarem os anos e a Internet substituíra
quase tudo.
Apenas não soubera responder nada sobre a
identidade das pessoas e também, não tinha nenhuma noção sobre eternidade,
embora houvessem blogs específicos para tais perguntas.
As
pessoas pararam de sentir medo, passando a dormirem de portas abertas.
Pois
eram todos iguais...
E ninguém ligava para mais nada, a não ser desvendar o seu segredo da eternidade.
O
sábio lhes passara, mas haviam esquecido, os manicômios foram se multiplicando
pelas cercanias, pois cada vez maior, o número de pacientes.
Entre
eles, os médicos, as enfermeiras, que viviam perguntando aos pacientes, quem
eles realmente eram, tomando placebos para se identificarem.
E
só recebiam paciente que conseguisse desvendar seu médico, sua enfermeira, para
depois estudarem o grande segredo da eternidade.
Uma
vez correra uma notícia na cidade, que a
morte estava a procura de alguém com uma foice na mão.
Como todos haviam esquecido de todos, a morte
resolveu ir embora, caso contrário ela iria enlouquecer.
Ela
queria o seu exterminador, mas ninguém mais sabia por onde ele andara, tamanha
confusão virara no mundo.
Andavam
pelas ruas cabisbaixos
e desmotivados, pois ninguém mais ria, nem chorava.
Também, ninguém mais
fizera planos, estavam todos. ainda se buscando
para saber se ainda poderiam fazer plano.
Mesmo porque
talvez fossem eternos, mas a
eternidade, os havia entediado, pois até
dessa certeza haviam se desvinculado.
E
o segredo de cada um por onde andava?
Ninguém
mais sabia, mesmo
porque já não havia motivo para arquivar,
estavam estupefatos com a tal da eternidade.
Ninguém
mais escrevia poesias,
porque estas jamais seriam lidas
por pessoas sonhadoras, elas foram extintas do planeta.
Enquanto humano, sabendo ser
eterno, perdera toda
leveza da vida, se tornara
desinteressado, e sem paciência, para
tais encantos dos pobres mortais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha