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terça-feira, 23 de abril de 2019

CONVIVES

Como não fora igualitária, passara longos anos, com a destemida sinceridade de assumir, quem realmente eu fora, até então.
Enquanto me sentira tão completa, longe de tudo e de todos, pelo menos jamais precisara fingir, e apenas de vez em quando encontrara alguém compatível com meu jeito, com quem compartilháramos nossas essências.
Passara a observar, convives seguidos pela pérfida alegria, das hostis multidões, do símbolo de potássio, asseverado por grande filósofo contemporâneo, numa síntese sobre a solidão das pessoas felizes.
 Assim,buscando desesperadamente nas imagens nas palavras sem nexos, nas atitudes bilaterais, preencher uma vida, quando esta nada mais acrescentara, fora disso.
Quando tudo precisara de uma alegria falsificada, para expor felicidade, quando deliberadamente, jamais tocaram esse ponto, apenas filas do símbolo de potássio.
Asseverando estupidezes, á respeito de achaques que nem sequer sabem o que é.
Eu preferira meus apoucados amigos pessoais e substanciais, quanto á constância de ser sempre mais, enquanto nos meus dias grande acúmulo de afeição me acometera.
Entendera que ao longo da vida, fizera minha parte com todos, muito menos comigo,e agora era a vez e o momento de acariciar aquela criança e definitivamente amá-la, quando trouxera para mim, uma bagagem complementar, ensinando-me a ser muito mais do que eu imaginara ter sido.
Acumulara ao longo do tempo sabedoria, jovialidade e uma cumplicidade maravilhosa com o mesmo, sentindo que este só me acrescentara.
Eu pudera ficar o tempo todo apenas comigo,sem sequer sentir a necessidade do potássio,porém,ao encontrar amizades verdadeiras, nossas trocas de palavras, sempre nos deixara leves, e acrescentando alguma coisa a mais no que tange sabedoria.
No entanto, ser feliz é poder conversar sobre os mais divergentes assuntos e não se contaminar pelo tédio, ou pela fobia da veracidade a qual nela estampada a única certeza da vida.
A vida é maravilhosa quando todos os detalhes na composição de nossos dias, nos acrescentam esperança e alegria de viver, sem buscar incultos subterfúgios.
O silêncio, por exemplo, sempre tem uma voz maravilhosa quando apenas, os mais apurados ouvidos conseguem ouvi-la.
No silêncio encontra-se a voz da consciência e toda sua retórica se voltando a nós como consolo ou advertência, então o silêncio nos grita muito alto diante de nossos caráteres.
Assim, exteriorizando as boas vontades, os bons pensamentos, recolhemos para dentro de nós, sempre o melhor, o mais plausível dos sentimentos.
E voltando a nós nossos reflexos, nossa lucidez acalora.

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Izildinha