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sábado, 30 de março de 2019

OUTONO_DO LIVRO_A CURA

Eu sempre fora  bastante perceptiva, detectara tudo, desvendara segredos, embora  nunca ficara vasculhando, a vida de ninguém, isso acontecera normalmente, o que sempre me deixara muito intrigada.
Um dia conversando com João, ele me dissera que também tinha essas mesmas percepções, e quanto a nós, sabíamos quando  o outro estava alegre ou triste e sentíamos os mesmos sentimentos,alegria,dor, tristeza,enfim,estávamos sempre na mesma frequência, e isso facilitava muito nosso mútuo entendimento.
Eu sempre gostara da estação do outono,pois,sempre amei o vento, as folhas roçando na calçada, pois mesmo secas, elas sempre apresentam uma beleza e um romantismo ímpar.
Amava uma quaresmeira que tinha em frente a minha casa, pois nessa época ela se cobria de um lilás incrível, outras no mesmo bairro ficavam inteirinhas rosadas.
Então os ipês se desnudavam todos, dando passagem á beleza das quaresmeiras, em tudo isso sempre sentira um poema escrito pelas mãos de Deus, e colocado ao longo das temporadas para que todos lessem.
A chuva dava uma recuada, indo chover em outros lugares, pois quando abastada sempre nostálgica, causando inundações, com suas águas choradeiras, escorrendo onde bem quisessem, impossível detê-las.
Também sentira sempre em outono, aquela estação que nos compensara com a colheita, apresentando os frutos, onde as feiras se tornam sempre uma maravilha de coloridos e perfumes que essas frutas ostentam.
O meu coração, no outono, sempre estivera um pouco ressentido,eu vivera mais recolhida e percebera a compreensão de João quanto á minha pessoa, quando uma sensibilidade mais aguçada me tocara.
Acreditara que João também vivenciara algo parecido, pois enquanto em outras estações éramos mais falantes e criativos, no outono, nos perdíamos em contemplações apenas.
Ele sempre aparecera em minha casa com as mangas que frutificavam em seu quintal, minha mãe adorava.
 Depois ,ficávamos um tempão, sentados na varanda conversando sobre muitas coisas ,também quando parávamos de falar de repente e nos olhávamos devagar,víamos nossos pensamentos dizendo a mesma coisa,um para o outro.
O beijo de João era uma volta ao paraíso em câmera lenta!
O pai de João se chamava Joaquim a mãe Maria e tinha mais dois irmãos o Lucas e o Frederico.
Nossas famílias se davam bem,nossas mães se tornaram amigas inseparáveis.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha