Eu sempre
fora bastante perceptiva, detectara tudo,
desvendara segredos, embora nunca ficara vasculhando, a vida de ninguém, isso acontecera
normalmente, o que sempre me deixara muito intrigada.
Um
dia conversando com João, ele me dissera que também tinha essas mesmas
percepções, e quanto a nós, sabíamos quando
o outro estava alegre ou triste e sentíamos os mesmos
sentimentos,alegria,dor, tristeza,enfim,estávamos sempre na mesma frequência, e
isso facilitava muito nosso mútuo entendimento.
Eu
sempre gostara da estação do outono,pois,sempre amei o vento, as folhas roçando
na calçada, pois mesmo secas, elas sempre apresentam uma beleza e um romantismo
ímpar.
Amava
uma quaresmeira que tinha em frente a minha casa, pois nessa época ela se
cobria de um lilás incrível, outras no mesmo bairro ficavam inteirinhas
rosadas.
Então
os ipês
se desnudavam todos, dando passagem á beleza das quaresmeiras, em tudo isso
sempre sentira um poema escrito pelas mãos de Deus, e colocado ao longo das
temporadas para que todos lessem.
A
chuva dava uma recuada, indo chover em outros lugares, pois quando abastada
sempre nostálgica, causando inundações, com suas águas choradeiras, escorrendo onde bem quisessem, impossível
detê-las.
Também
sentira sempre em outono, aquela estação que nos compensara com a colheita,
apresentando os frutos, onde as feiras se tornam sempre uma maravilha de
coloridos e perfumes que essas frutas ostentam.
O
meu coração, no outono, sempre estivera um pouco ressentido,eu vivera mais
recolhida e percebera a compreensão de João quanto á minha pessoa, quando uma
sensibilidade mais aguçada me tocara.
Acreditara
que João também vivenciara algo parecido, pois enquanto em outras estações
éramos mais falantes e criativos, no outono, nos perdíamos em contemplações
apenas.
Ele
sempre aparecera em minha casa com as mangas que frutificavam em seu quintal,
minha mãe adorava.
Depois ,ficávamos um tempão, sentados na varanda conversando sobre muitas coisas ,também quando parávamos de falar de repente e nos olhávamos devagar,víamos nossos pensamentos dizendo a mesma coisa,um para o outro.
O beijo de João era uma volta ao paraíso em câmera lenta!
O beijo de João era uma volta ao paraíso em câmera lenta!
O pai de João se chamava Joaquim a mãe Maria e tinha mais dois irmãos o Lucas e o Frederico.
Nossas famílias se davam bem,nossas mães se tornaram amigas inseparáveis.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha