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quarta-feira, 13 de março de 2019

O ENCONTRO_DO LIVRO_A CURA

Conhecera um rapaz interessante quando estava com quinze anos de idade ,que se chamava João, ele era lindo e também parecia confiável, começara uma fase melhor para mim, onde todas aquelas fobias pareceram desparecerem.
Comecei a pensar nele ,esquecendo aqueles preconceitos horríveis ,quando ele punha brilho no meu olhar, e também na minha pele,minha expressão mudara completamente.
João era sorridente, e seu sorriso era contagiante, tinha uma infinidade de amigos e vivia sempre alegre. Essa alegria contagiante dele era tão verdadeira, que ficava impregnada em mim também, gostava de estar ao seu lado, estando muito apaixonada, e ele me fazia muito mais simpática e feliz.
Os meus sentimentos de medo ou fobia desapareceram completamente, e eu me sentia a menina mais linda do mundo, ao lado claro, do homem mais lindo do mundo.
Começamos a compartilhar entre nós uma troca tão interessante quanto benéfica, então todos os empecilhos  jamais deixaram de existirem,porém, esse amor agigantara em mim, uma fortaleza.
Tínhamos nossas músicas preferidas, nosso sorriso adolescente, fazendo o mundo parar, ou caminhar em câmera lenta, quando estávamos um ao lado de outro.
Impressionante ,como toda aquela química tóxica, da convivência maléfica ,desaparecera mediante leve spray de uma paz envolvente, que vivenciávamos concomitantemente, um ao lado de outro.
João era extremamente criativo e via transformações em tudo, então eu entendera que meu olhar, quando passeara pelas ruas ,vendo peças incríveis , em qualquer peça descartada num entulho ,já não passeara sozinho.
Eram tantas divergências e opções que dentre nossas conversas nem cabiam tantas definições, assim também, entendíamos como transformarmos as nossas necessidades diárias em peças incríveis,eu estava completamente convencida que havia me reencontrado nele.
Enquanto o tempo, começara a se elevar, em momentos agigantados pela razão mais nobre, vivêramos o sonho juntamente com a realidade da cura.
Logo providenciamos uma oficina de peças recicladas e transformamos aquele canto simples e escuro, num paraíso das ideias mais incríveis, partindo de tudo que já fora feio e descartado.
O descarte sofrido por mim, fora o recomeço de algo maravilhoso e encantador, que me pusera nas mãos verdadeira sentimentalidade conjugando recriação.
Aquele ano passara tão rápido que eu nem percebera o Natal se aproximando, fora uma prazerosa loucura, entre estudo e trabalho.
Vendíamos nossas peças, ganhávamos nosso dinheiro extraído do zero, quando de uma peça de descarte, nascera sempre uma obra de arte incrível.
As mãos hábeis de João ,em sintonia com sua inteligência privilegiada, replantava um sol,  dentro de um triste abandono, encolhido no lixo.
Eu começara associar interiormente o meu passado, buscando lá no começo do caminho, o quanto o descarte havia me transformado num lixo humano, que fora restaurado e ganhara vida nas mãos de João.
A cura da doença provocada por abusos narcísicos,equiparara, a reciclagem de uma peça de valor, quando descartada num canto de uma calçada qualquer, que renovada pelo banho do amor vai se recompondo e se refazendo de maneira espetacular.
A peça do descarte vira uma eterna obra de arte, onde mais nenhum descarte pudera tocá-la, enquanto o tempo envelhece ideias comuns, enaltece a obra de arte que se torna mais destacada e valiosa.
Talvez ainda, os profissionais da área, estejam aquém, dessa metáfora estabelecida dentro de nossos desvendes, sem mais nem menos.
As estrelas da noite, eram silenciosas, porém sempre conversavam uma nova inspiração nascendo entre nós, quando reclinados, nossos corações se admiravam, sem a menor bajulação, apenas se admiravam em contemplação.
Os nossos dias, nos carregavam para todas as realizações possíveis,não havíamos nos tornado em espectros,simplesmente,havíamos descoberto uma outra receita, tão diferente daquela que haviam nos mostrado até então.
Passamos a cortejar os verdadeiros valores, enquanto o rídico e fugaz, fugiam de nossas atenções, que doravante  tão concentradas, numa consonância  recorrente e calma.
Nosso mundo ganhara nossa simplicidade, e ao mesmo tempo, um requinte acastelado de uma fé jamais vivenciada de maneira tão válida, quanto a essência real da vida.

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Izildinha