Conhecera
um rapaz interessante quando estava com quinze anos de idade ,que
se
chamava João, ele era lindo e também parecia confiável, começara uma fase
melhor para mim, onde todas aquelas fobias pareceram desparecerem.
Comecei
a pensar nele ,esquecendo aqueles preconceitos horríveis ,quando ele punha
brilho no meu olhar, e também na minha pele,minha expressão mudara
completamente.
João
era sorridente,
e
seu sorriso era contagiante, tinha uma infinidade de amigos e vivia sempre
alegre. Essa alegria contagiante dele era tão verdadeira, que
ficava impregnada em mim também, gostava de estar ao seu lado, estando muito
apaixonada, e ele me fazia muito mais simpática e feliz.
Os
meus sentimentos de medo ou fobia desapareceram completamente, e eu me sentia a
menina mais linda do mundo,
ao lado claro, do homem mais lindo do mundo.
Começamos
a compartilhar entre nós uma troca tão interessante quanto benéfica, então
todos os empecilhos jamais deixaram de existirem,porém, esse amor agigantara em mim,
uma fortaleza.
Tínhamos
nossas músicas preferidas, nosso sorriso adolescente, fazendo o mundo parar, ou
caminhar em câmera lenta, quando estávamos um ao lado de outro.
Impressionante
,como toda aquela química tóxica, da convivência maléfica ,desaparecera
mediante leve spray de uma paz envolvente, que vivenciávamos concomitantemente,
um ao lado de outro.
João
era extremamente criativo e via transformações em tudo, então eu entendera que
meu olhar, quando passeara pelas ruas ,vendo peças incríveis , em qualquer peça
descartada num entulho ,já não passeara sozinho.
Eram
tantas divergências e opções que dentre nossas conversas nem cabiam tantas
definições, assim também, entendíamos como transformarmos as nossas
necessidades diárias em peças incríveis,eu estava completamente convencida que
havia me reencontrado nele.
Enquanto
o tempo, começara a se elevar, em momentos agigantados pela razão mais nobre,
vivêramos o sonho juntamente com a realidade da cura.
Logo
providenciamos uma oficina de peças recicladas e transformamos aquele canto
simples e escuro, num paraíso das ideias mais incríveis, partindo de tudo que
já fora feio e descartado.
O descarte sofrido por mim, fora o
recomeço de algo maravilhoso e encantador, que me pusera nas mãos verdadeira
sentimentalidade conjugando recriação.
Aquele ano passara tão rápido que
eu nem percebera o Natal se aproximando, fora uma prazerosa loucura, entre
estudo e trabalho.
Vendíamos nossas peças, ganhávamos
nosso dinheiro extraído do zero, quando de uma peça de descarte, nascera sempre
uma obra de arte incrível.
As mãos hábeis de João ,em sintonia
com sua inteligência privilegiada, replantava um sol, dentro de um triste abandono, encolhido no
lixo.
Eu começara associar interiormente
o meu passado, buscando lá no começo do caminho, o quanto o descarte havia me
transformado num lixo humano, que fora restaurado e ganhara vida nas mãos de
João.
A cura da doença provocada por abusos
narcísicos,equiparara, a reciclagem de uma peça de valor, quando descartada
num canto de uma calçada qualquer, que renovada pelo banho do amor vai se
recompondo e se refazendo de maneira espetacular.
A peça do descarte vira uma eterna
obra de arte, onde mais nenhum descarte pudera tocá-la, enquanto o tempo
envelhece ideias comuns, enaltece a obra de arte que se torna mais destacada e
valiosa.
Talvez ainda, os profissionais da
área, estejam aquém, dessa metáfora estabelecida dentro de nossos desvendes,
sem mais nem menos.
As estrelas da noite, eram
silenciosas, porém sempre conversavam uma nova inspiração nascendo entre nós,
quando reclinados, nossos corações se admiravam, sem
a menor bajulação, apenas se admiravam em contemplação.
Os nossos dias, nos carregavam para
todas as realizações possíveis,não havíamos nos tornado em
espectros,simplesmente,havíamos descoberto uma outra receita, tão diferente
daquela que haviam nos mostrado até então.
Passamos a cortejar os verdadeiros
valores, enquanto o rídico e fugaz, fugiam de nossas atenções, que
doravante tão concentradas, numa
consonância recorrente e calma.
Nosso mundo ganhara nossa
simplicidade, e ao mesmo tempo, um requinte acastelado de uma fé jamais
vivenciada de maneira tão válida, quanto a essência real da vida.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha