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domingo, 17 de março de 2019

A POESIA_DO LIVRO_A CURA

Eu Julieta, também sempre tivera, um certo pavor nas lidas, entre meus pais, ou meu pai com meus irmãos, sendo que pai não gostava, que meu irmão saísse nem com trator, nem com caminhão, que ele tinha naquela época, minha mãe já não ligava.
Quando meu pai saía para fazer compras e ia demorar, meu irmão sempre ia dar umas voltas, ou de trator, ou de caminhão.
Eu ficara desesperada, nessa época eu devia ter uns seis anos de idade, então esperava meu irmão voltar e depois varria o quintal e a entrada da casa onde poderiam ficar rastros do caminhão ou do trator.
Eu sempre fizera isso, sem que alguém me mandasse, simplesmente porque sentia pavor de brigas e discussões.
Perto de minha casa, havia uma pequena venda, juntamente com boteco e ali se comprava várias coisas, inclusive bebidas.
Havia um casal de empregados de japoneses nossos vizinhos, ele se chamava Benedito e ela se chamava Santa.
Eram negros retintos, educados trabalhadores e moravam num cômodo, no fundo da casa dos patrões, mas quando chegavam  finais de semana ou feriados, eles iam ao boteco os dois e bebiam, depois ele voltava para casa espancando a, isso me deixava apavorada, assustada e passara a ter muito medo de pessoas bêbadas.
Além das manipulações da infância, foram juntando uma série de coisas, que fizeram de mim, uma criança estrangeira dentro do ciclo onde eu era obrigada a conviver.
Com o passar do tempo,eu fora trocando algumas fobias por outras, que talvez me fizessem tanto mal quanto aquelas.
Passara a ter insônia e ao mesmo tempo, medo da insônia, medo de todos dormirem e eu ficar sozinha acordada.
Por outro lado, sempre dentro desse meu deserto, procurara encontrar respostas no silêncio da noite, no sol cálido da manhã e no horizonte ocre da tarde.
Permanecia um bom tempo olhando o sol se por, ele parecia fazer um movimento que sumia e aparecia no espigão acima de minha casa.
Depois de adulta, essa mesma cena,me voltara quando do Shopping Rio Sul eu olhara o entardecer atrás do Cristo Redentor, onde o braço do Cristo parecia se movimentar enquanto o sol se escondia e aparecia, naquele entardecer ficara pasma de encanto
A admiração e o encanto pelo belo, faz qualquer pessoa encontrar um leniente para suas ansiedades, durante os entreveros naturais  da vida.
A poesia, jamais entra pela porta comum, como aquela pela qual recebemos informações, pensamos admiramos e até ansiamos sonhos e outras coisas mais.
Não, a poesia angaria para si uma abertura específica, com ou sem consentimento de quem ela adota, vai criando uma série de situações, ora encantadoras, ora transtornadoras, mas enquanto ela não vier á luz, estaremos isentos do sossego.
Então, o poeta sabe bem quais são as alegrias e as dores, de observar acontecimentos, que ás vezes ninguém vê.
Nem todas as percepções, colocam observadores felizes mediante estas,quando invisíveis á vida, que geralmente ficam guardadas para si, sem poderem serem expostas, pois poderia ser apontado como demente.
Mesmo assim, saturando todo peso do fardo invisível e invalidado, existem momentos impagáveis, que nem toda recompensa do mundo consegue amortizar.
São quando as palavras delicadamente debruçando sobre as linhas,vêm acelerando as sístoles e aliviando a alma, tamanha calmaria,é indecifrável.
É nesse momento, em que um humano consegue transpor as barreiras da existência, sentindo apenas a leveza da consciência em notoriedade absoluta.
Seria como sentir a voz de Deus mediante uma linda oração, ouvir o murmúrio de um regato, mesmo estando numa janela de uma selva de pedra.
Sentir a delicadeza, de flor uma abrolhada na árdua pavimentação, sem sequer ter um respaldo para sua delicada haste, que dança em movimentos bruscos, quando o vento resolve visitar uma tarde, uma manhã, ou uma noite desertada do asfalto.
Uma cura serena, como mãos brandas investem na segurança da pétala, que depois do vendaval, acalentada sã e salva, até que se cumpra seu tempo.
A poesia reveste uma rua afogada, por uma multidão de carros e pessoas, dando ressonância musical, em meio a tudo, interpondo sensibilidade.
 Mesmo mediante a estupidez, e ao sufoco ,provocados por tantas coisas, que numa síntese, acabam quase sendo nada.
Então, restará a poesia para uma lembrança, uma saudade, ou uma reconstrução de determinada hora ou instante, quando ás vezes, surgem, fazendo tudo, ficar para depois.

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Izildinha