Existentes dias em que tudo transcorre bem, porém em outros, semelha haver um espinho no peito espetando, e um desconforto sem igual,
Do qual para fugir, sempre me vem na cabeça mil coisas, a serem realizadas, porém as começo, com dificultosa continuidade.
A vontade sem vontade é desesperadora, enquanto eu vagando de um lado para outro, depois do término de meus afazeres, porém tanta coisa para compendiar, e sem conseguir.
Sensação também, de estar perdendo por completo a vontade de sair de casa, tudo se resume na caminhada e também nas compras.
Não suportando redes sociais ,nem chats, mas quando o João aparece, meu dia muda, fico feliz ao lado dele, ele parece um neutralizante do céu.
Ás vezes alguém me liga,e em ligações extensas, e eu fico pior, perambulando em assuntos, que não me dizem respeito, ou ás vezes,inquieta,sentando,levantando,mas o problema não está com a pessoa, está comigo.
Contudo, conhecendo bem esses sintomas, aos poucos quando o desconforto, vai evaporando, e então desaparece, o mundo se torna um céu vaporoso e flutuante,tamanho desconforto,gera tamanho deleite ao desaparecer.
Pois é, assim sempre me sinto, depois daquelas crises de fobias, que me deixam com vontade de nada e nenhum lugar me acolhe.
Então, as palavras começam esmiuçarem ideias, e eu completamente refeita compondo ´peça, por peça de meu mundo, até então desconstruído, em face de grande desconforto.
A tarde nos convida para um passeio, e vamos andar na orla da praia e tomar um maravilhoso sorvete de açaí, sentindo o quanto a vida é bela e merece ser cortejada com muita alegoria.
João, meu grande amor, construíra um castelo, dentro de meu coração, e quando ele aparece, esse castelo escancara janelas e portas, sentindo o vento vaporoso balançando estas, num ritmo sistólico.
Dizendo adeus, a todas as consternações, me revisto de novo de uma paz intrínseca, de quem conhece bem o lado oposto.
Quando asseverara que somente comigo me bastara, caíra em contradição rememorando esses incríveis e adoráveis momentos.
Então, as sequelas, dos abusos narcísicos aos poucos vão desaparecendo por completo, pelo menos por um bom tempo, sinto a vida rodar por completo, perfeitamente redondinha como um anel de cristal, ou uma bolinha de gude.
Tudo tem mais ênfase do que o normal, as cores das plantas são mais fortes, mais destacáveis e a palidez tépida das tardes, trazem um encanto único que entra pelos poros causando uma densa emoção.
Eu bem que quisera viver eternamente, alguns momentos, sem uma linearidade do tempo, como se estivesse adentrando as portas do paraíso e atravessando aquela risca de luz.
Também quisera, ou mesmo espero pela consciência leve e livre que escorrega devagarzinho sendo sugada pela paz.
Ouvindo as vozes conscientes, palavras fortes e silenciosas, que se fundem com as luzes, expelindo dialetos e unindo cada consciência num todo especial.
Eu e João faláramos muito sobre a consciência mais livre, quando libertada pelo querido corpo, do qual sentiremos saudade, mas que precisará fertilizar um espaço, para que renasçam as nossas flores.
João me dissera que queria deixar o seu corpo ao lado do meu, enquanto nossas consciências viajariam pelo espaço, sentindo toda leveza e o amor que até então jamais sentíramos, mesmo nos amando intensamente.
Porém, por outro lado, sabendo que fora o amor que nos envolvera de maneira tão especial a ponto de nos dialogarmos essa paz infinita e indescritível.
Então decidíramos que enquanto vida, viveríamos todos os nossos presentes, como o melhor presente doado pelo Criador da vida.
E nos momentos em que as fobias geradas pelas invalidações narcísicas tentassem me atingir, saberia que de qualquer maneira, jamais seria para sempre, doravante estaria blindada e elas teriam que desaparecer lentamente.
A vida é um encanto que sempre estivera por vir, e quando o nosso tempo vai se cumprindo, vamos sentindo um conforto vindo da esperança de alcançar o tão desejado.
E nossa consciência discernirá outras compreensões, que ainda ignoramos até então.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pelo carinho!
Izildinha