Era
uma manhã de chuva,eu estava sem vontade de absolutamente nada, e dizer que
está sem vontade de nada, principalmente nas entrelinhas de um livro parecera
uma chatice, mas é inerente a todo ser humano.
É
que eu estava ligando as coisas e tudo parecia empatado e preso num mesmo
lugar.
Amauri,
que ainda era quase tudo segredo para mim,me fizera tanta falta, em todos esses
anos.
Nunca
havíamos conversado bastante, nunca havíamos almoçado juntos e muito menos nos
tocado.
Então
imaginara ser carência, um certo tipo de sentimento que ás vezes não gostamos
de assumir, mas que sentimos.
E
se for para ser sentida, sem nunca ter compartilhado a presença de alguém, que
seja escolhida a melhor pessoa, aquela que nos causa boa impressão.
Então,
nesse meio sem vontade a presença de Amauri, é que se fizera ausente para mim e
sempre.
Vivemos
dizendo que somos todos iguais, mas quando vamos avaliar as nossas pertenças,
notamos que para nós, as diferenças interferem e muito.
Somos
todos iguais perante Deus, quando trilhando um mesmo rumo, uma mesma direção,
embora tenhamos sido feitos por Ele mesmo, diferentes quanto ás parecenças.
Somos
cores diferentes espalhadas pelo Universo que nos compõe.
Acredito
que a saudade seja pintada de amarelo, pois tem um jeito meio desajeitado de
incomodar tanto e ao mesmo tempo, tem um gosto doce daquilo que já se viveu.
Em
minha pouca idade, sentia meu coração inquieto,desacomodado,e em outras vezes,
um pouco mais tranquilo, quando pensara em Amauri.
Era,
como deixar, um grande amor ir embora, e
nada fazer.
Meu
coração guardara Amauri para sempre e desde então, não me interessara por
ninguém, minhas irmãs estavam sempre trocando de namorados, tentativa que
considerava válida para descobrir o grande amor, mas eu nem isso fizera.
Além
do trabalho, depois que havia terminado o curso de
normalista, lia algumas revistas e livros, ou simplesmente deixava o tempo
escorrer pelos vãos do pensamento, quando o dia terminara.
Os
meus defeitos concretos adquiridos na infância, deixavam minha vida um pouco
mixa, ás vezes.
Outras
vezes, eu esquecera
disso tudo e me interessava em
realizar alguma coisa nova,inusitada,que ora dava certo,ora dava errado.
Eu
também comprara sensações, lendo poemas da
segunda geração romântica, porque simplesmente me enfeitiçavam com todo aquele
toque satírico
de morte e amor impossível.
Houvera
me tornado para mim mesma uma deusa intocável, porque meu coração parecera
literalmente fechado para qualquer emoção.
Ás
vezes lia romances que me punham lágrimas, outras vezes adorava ler charges de
humor.
Assim
a minha vida fora passando,eu não ensaiava e nem me atrevia a dizer nada,
porque logo aparecia alguém para botar defeito e invalidar minha asseveração.
E
isso continuou a vida inteira, com as pessoas que amara muito, com aquelas que
amara menos.
Tivera
um namorado que costumava me dizer, que só se identificara com as amigas nos
chats, por isso, era difícil nos contatarmos virtualmente num chat.
E
eu,sendo empata nunca lhe dei um merecido chute de escanteio, ouvia e ficava
imaginando que ele devera, botar o doutor Pinel, para endoidecer.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha