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domingo, 17 de fevereiro de 2019

PRESENÇA-TRECHO DO LIVRO-INVALIDADORES

Era uma manhã de chuva,eu estava sem vontade de absolutamente nada, e dizer que está sem vontade de nada, principalmente nas entrelinhas de um livro parecera uma chatice, mas é inerente a todo ser humano.
É que eu estava ligando as coisas e tudo parecia empatado e preso num mesmo lugar.
Amauri, que ainda era quase tudo segredo para mim,me fizera tanta falta, em todos esses anos.
  Nunca havíamos conversado bastante, nunca havíamos almoçado juntos e muito menos nos tocado.
Então imaginara ser carência, um certo tipo de sentimento que ás vezes não gostamos de assumir, mas que sentimos.
E se for para ser sentida, sem nunca ter compartilhado a presença de alguém, que seja escolhida a melhor pessoa, aquela que nos causa boa impressão.
Então, nesse meio sem vontade a presença de Amauri, é que se fizera ausente para mim e sempre.
Vivemos dizendo que somos todos iguais, mas quando vamos avaliar as nossas pertenças, notamos que para nós, as diferenças interferem e muito.
Somos todos iguais perante Deus, quando trilhando um mesmo rumo, uma mesma direção, embora tenhamos sido feitos por Ele mesmo, diferentes quanto ás parecenças.
Somos cores diferentes espalhadas pelo Universo que nos compõe.
Acredito que a saudade seja pintada de amarelo, pois tem um jeito meio desajeitado de incomodar tanto e ao mesmo tempo, tem um gosto doce daquilo que já se viveu.
Em minha pouca idade, sentia meu coração inquieto,desacomodado,e em outras vezes, um pouco mais tranquilo, quando pensara em Amauri.
Era, como  deixar, um grande amor ir embora, e nada fazer.
Meu coração guardara Amauri para sempre e desde então, não me interessara por ninguém, minhas irmãs estavam sempre trocando de namorados, tentativa que considerava válida para descobrir o grande amor, mas eu nem isso fizera.
Além do trabalho, depois que havia terminado o curso de normalista, lia algumas revistas e livros, ou simplesmente deixava o tempo escorrer pelos vãos do pensamento, quando o dia terminara.
Os meus defeitos concretos adquiridos na infância, deixavam minha vida um pouco mixa, ás vezes.
Outras vezes, eu esquecera disso tudo e me interessava em realizar alguma coisa nova,inusitada,que ora dava certo,ora dava errado.
Eu também comprara sensações, lendo poemas da segunda geração romântica, porque simplesmente me enfeitiçavam com todo aquele toque satírico de morte e amor impossível.
Houvera me tornado para mim mesma uma deusa intocável, porque meu coração parecera literalmente fechado para qualquer emoção.
Ás vezes lia romances que me punham lágrimas, outras vezes adorava ler charges de humor.
Assim a minha vida fora passando,eu não ensaiava e nem me atrevia a dizer nada, porque logo aparecia alguém para botar defeito e invalidar minha asseveração.
E isso continuou a vida inteira, com as pessoas que amara muito, com aquelas que amara menos.
Tivera um namorado que costumava me dizer, que só se identificara com as amigas nos chats, por isso, era difícil nos contatarmos virtualmente num chat.
E eu,sendo empata nunca lhe dei um merecido chute de escanteio, ouvia e ficava imaginando que ele devera, botar o doutor Pinel, para endoidecer.

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Izildinha