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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

DOMINGUEIRAS-TRECHO DO LIVRO-INVALIDADORES

Eu sempre tivera o domingo livre, isso fora combinado quando começara a trabalhar naquela padaria.
Então de manhã eu saíra andar pelas ruas,ora cheias de neblinas,ora tocadas pelo mormaço morno do sol de verão.
Eu gostava de olhar as vitrines e me encantar com as roupas e sapatos, embora eu nunca fizera tanta questão de comprar, preferira sempre cuidar de minha aparência.
Como o dinheiro era escasso, o que me sobrara eu comprara um hidratante para pele ,um shampoo para os cabelos.
Eu gostava de ler as revistas Contigo, eram uns romances meio água com açúcar tais quais os meus agora, e eu sempre gostei das nuances leves caindo dentro de minha emoção.
Minhas irmãs tinham muitas amigas,eu era mais tímida e introvertida, bem que gostaria ser como elas, mas acreditara que a clientela da semana, na padaria já me deixava estupefata de gente.
Eu vira os padeiros e confeiteiros fazendo pães e confeitos e em casa, nos finais de semana fazia as receitas que ficavam deliciosas.
Minha mãe e minhas irmãs gostavam.
A minha irmã mais nova era muito inteligente também na escola, já a mais velha não gostava muito de estudar, tinha habilidade para costuras ,bordados, que ela confeccionava com precisão.
Raissa era minha vizinha e amiga que sempre saia comigo aos domingos, no cinema, na praça.
Ela era uma garota muito alta, vistosa e se vestia muito bem,os rapazes ficavam encantados por ela, mas ela tinha um sério problema de dicção e também devia ser uma empata assim como eu,então eles a descartavam após a primeira palavra.
Ela era uma pessoa maravilhosa,eu amava sair com ela e conversar também.
Quando chegava o verão, aos domingos tomávamos sol no quintal e aos poucos fui percebendo, que minha pele ,além de bronzeada ficara linda no verão.
Fora deixando algumas das invalidações de minhas irmãs do lado.
Tinha em mente sempre o meu querido Amauri, e de vez em quando o via, mas ele parecia ter mudado de cidade, então dificilmente nos víamos.
Eu sonhara com ele o tempo inteiro, lembrara de um beijo que ele me pedira, mas eu não dera,virei as costas e disse tchau.
Estava morrendo de vontade dar um beijo nele, mas minhas amigas estavam juntas, então me senti tolhida.
Mesmo porque,com certeza, no outro dia, minha irmã mais velha e minha mãe estariam sabendo.
Assim, eu fora invalidando um amor verdadeiro que poderia ter dado certo.
O tempo foi passando e sem que eu esquecera dele, fui vivendo á minha maneira, construindo ainda meus sonhos, pensando também em algum dia dar aula para crianças com meu diploma de professora primária.
Mas enquanto eu trabalhava na padaria, tinha que fazer daquele trabalho, algo mais do que sacrifício, então fizera amizade com a clientela e assim, meus dias eram mais alegres e produtivos.
Eu tinha uma vizinha, amiga de minha irmã que satirizava me dizendo para eu usar gorro de padeiro, que ia ficar muito bem em mim.
Eu ria de suas invalidações a meu respeito,porém,intimamente sabia o que ela queria me dizer, também, nunca achei nenhum trabalho censurável ou desonesto, portanto nunca dei bola para suas asseverações de mal gosto a meu respeito.
Era minha fonte, e método de sobrevivência.

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Izildinha