Eu sempre tivera o domingo livre,
isso fora combinado quando começara a trabalhar naquela padaria.
Então de manhã eu saíra andar pelas
ruas,ora cheias de neblinas,ora tocadas pelo mormaço morno do sol de verão.
Eu gostava de olhar as vitrines e
me encantar com as roupas e sapatos, embora eu nunca fizera tanta
questão de comprar, preferira sempre cuidar de minha aparência.
Como o dinheiro era escasso, o que
me sobrara eu comprara um hidratante para pele ,um shampoo para os cabelos.
Eu gostava de ler as revistas
Contigo, eram uns romances meio água com açúcar tais quais os meus agora, e eu
sempre gostei das nuances leves caindo dentro de minha emoção.
Minhas irmãs tinham muitas
amigas,eu era mais tímida e introvertida, bem que gostaria ser como elas, mas
acreditara que a clientela da semana, na padaria já me deixava estupefata de
gente.
Eu vira os padeiros e confeiteiros
fazendo pães e confeitos e em casa, nos finais de semana fazia as receitas que
ficavam deliciosas.
Minha mãe e minhas irmãs gostavam.
A minha irmã mais nova era muito
inteligente também na escola, já a mais velha não gostava muito de estudar,
tinha habilidade para costuras ,bordados, que ela confeccionava com precisão.
Raissa era minha vizinha e amiga
que sempre saia comigo aos domingos, no cinema, na praça.
Ela era uma garota muito alta,
vistosa e se vestia muito bem,os rapazes ficavam encantados por ela, mas ela
tinha um sério problema de dicção e também devia ser uma empata assim como
eu,então eles a descartavam após a primeira palavra.
Ela era uma pessoa maravilhosa,eu
amava sair com ela e conversar também.
Quando chegava o verão, aos
domingos tomávamos sol no quintal e aos poucos fui percebendo, que minha pele
,além de bronzeada ficara linda no verão.
Fora deixando algumas das
invalidações de minhas irmãs do lado.
Tinha em mente sempre o meu querido
Amauri, e de vez em quando o via, mas ele parecia ter mudado de cidade, então
dificilmente nos víamos.
Eu sonhara com ele o tempo inteiro,
lembrara de um beijo que ele me pedira, mas eu não dera,virei as costas e disse
tchau.
Estava morrendo de vontade dar um
beijo nele, mas minhas amigas estavam juntas, então me senti tolhida.
Mesmo porque,com certeza, no outro
dia, minha irmã mais velha e minha mãe estariam sabendo.
Assim, eu fora invalidando um amor
verdadeiro que poderia ter dado certo.
O tempo foi passando e sem que eu
esquecera dele, fui vivendo á minha maneira, construindo ainda meus sonhos,
pensando também em algum dia dar aula para crianças com meu diploma de
professora primária.
Mas enquanto eu trabalhava na
padaria, tinha que fazer daquele trabalho, algo mais do que sacrifício, então
fizera amizade com a clientela e assim, meus dias eram mais alegres e
produtivos.
Eu tinha uma vizinha, amiga de
minha irmã que satirizava me dizendo para eu usar gorro de padeiro, que ia
ficar muito bem em mim.
Eu ria de suas invalidações a meu
respeito,porém,intimamente sabia o que ela queria me dizer, também, nunca achei
nenhum trabalho censurável ou desonesto, portanto nunca dei bola para suas
asseverações de mal gosto a meu respeito.
Era minha fonte, e método de sobrevivência.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha