Entre todas as pedreiras, que eu
tivera que arrebentar todos os dias, preferira ficar com a pétala da flor, que
nascera livremente no concreto, tão delicada, porém uma fortaleza mediante a
sobrevivência.
Eu havia saído da padaria e estava
lecionando para uma quarta série primária, eles me chamavam todos ao mesmo
tempo.
Quando eu chegava em casa,
precisara colocar a cabeça embaixo do travesseiro para me certificar de que
nenhum barulho viria me perturbar até que eu pudesse me recompor.
Minhas amigas nos finais de semana,
gostavam de ir aos barezinhos, brincadeiras dançantes,eu porém, começara me
isolar por causa da gritaria acumulada de durante a semana.
Eu gostava deles, mas eles
reclamavam uns dos outros e todos ao mesmo tempo e o tempo todo.
Houveram dias, em que eu parava e
ficava um tempão olhando para eles, até que todos parassem para eu começar uma
explicação, uma conversa.
E quando aparecia um pequeno risco
na parede, a nossa diretora nos chamava atenção, por causa do risco, enquanto
que as crianças, naquela confusão toda, iam ficando ilesas quanto a educação,
no sentido exato da palavra.
Eu era a tia de todos e de todas e
ao mesmo tempo, minha condição era catastrófica, pois eu não conseguira
administrar minha aula do jeito que planejara, quase nunca.
Quando já haviam passado uns t`rês
meses ,eu começara a dominar a sala, depois de mil tentativas, uma dera certo.
Começara a conversar mais, educar
mais e atribuir menos matérias, eles começaram a render mais e falarem menos.
Sentira que ao verem o quadro negro
cheio, eles ficavam desesperados e tinham como alternativa, reclamações e
conversas o tempo todo.
Também ficara imaginando o quanto
fora invalidada e Educação, principalmente nas Escolas Públicas, onde aplicamos
nossos impostos, para uma educação rasa e desqualificada.
Mesmo porque, a educação, palavra
ambígua que deixara há muito tempo de ser flexionada e nossas crianças apenas
conhecem direitos, porém jamais exercem deveres.
Entre esses direitos, está o
direito de ser ensinada, e jamais se esforçar para aprender.
Então num jogo de invalidações,
invalidam educadores, mesmo porque estes estão há muito tentando atrair a
atenção de suas crianças, mas á medida que o tempo passa,vamos ficando mais
invisíveis.
O intento é que um dia, a máquina
substitua o ser humano em muitas coisas e passe a invalidar os seres em massa,
porém o calor humano, para quem consegui-lo manter, certamente será
insubstituível.
Raul meu namorado trabalhava num
banco, ele era tão mimado quanto aquelas crianças.
Seletivo, exigente e acima de tudo
um invalidador que me deixava sempre constrangida com suas invalidações.
Eu estava sempre na mira de seu mau
humor e atrás deste uma fila de defeitos que a cada dia engrossava mais.
Ás vezes eu sentira vontade de
conversar com alguém que pudesse me entender, então me trancara em meu quarto e
ficava em silêncio conversando comigo mesma.
Pois eu soubera, que a cada dia que
se passara eu me transformara numa pessoa diferente e para que essa
transformação não me fosse maléfica,eu
me procurara e me acalentara a alma, dizendo a mim mesma, sobre meus valores
que tentaram apagar de todas as formas, mas eles existiam e estavam cada vez
mais evidentes.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha