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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

PRAIA-TRECHO DO LIVRO-INVALIDADORES

Como já haviam passado dois anos de namoro, resolvemos nos casar.
Fora tudo muito simples, mesmo porque minha situação naquela época, não era das melhores,aliás,nunca fora.
Depois do casamento ,uma semana na Praia Grande e tudo voltara ao normal.
Morávamos num pequeno apartamento alugado, e o Raul havia me cativado um pouco com algumas coisas.
Uma delas é que ele não era ciumento, e eu podia sair de casa sozinha que ele não se importava.
Nos finais de semana íamos ao cinema e tudo correra normalmente.
Ás vezes, íamos á Praia Grande no sábado logo de manhã e voltávamos á noite.
Na praia sim, fazia jus as gozações de minhas irmãs,eu virava um camarão, porque queria aproveitar as ondas o dia inteiro.
Depois eu passara uma semana com minha  pele ardendo.
Mas quando voltava á praia, esquecia tudo e novamente passava o dia brincando com as ondas.
  Nós éramos os chamados farofeiros,embora nunca deixássemos detritos na areia, pois tínhamos sempre um saquinho de plástico para depois colocarmos num cesto de lixo na praia mesmo.
Era maravilhoso naquela época passar o dia todo na praia, acredito que a juventude é maravilhosa,hoje,embora tenha casa na praia, não tenho coragem.
O tempo fora passando e eu tivera dois filhos do Raul com a diferença de três anos cada um.
O Rodrigo e o Renato, eles também gostavam quando íamos á praia, mas já íamos bem menos, porque passar o dia na praia com criança me era bastante complicado.
Mesmo assim, quando íamos aproveitávamos bastante.
Naquela época, em pouco se falavam nas pessoas empatas e se fossem mencionadas, passavam a ideia de pessoas ingênuas, que eram usadas e manipuladas pelas outras pessoas, sem sequer, um resquício de remorso.
Eu sempre me sentira aquém, daquilo que as pessoas desejam de mim, por isso sempre incutira dentro de meu emocional, um certo sentimento de culpa.
Porém, por outro lado, sempre tivera a percepção bastante aguçada, e sem que eu me preocupasse com isso, ficava sabendo de coisas, a respeito das circunstâncias que me rodeavam, que as pessoas, sequer imaginavam.
Sempre descobrira tudo sem querer e sem perceber, tudo vem á memória ou percepção.
Na gravidez de meu segundo filho, ainda nem sabia se estivera grávida ou não, nem me passara pela cabeça, mas numa tarde, colocara meu filho mais velho sentadinho em frente a TV e a cozinha era bem do lado da sala.
De repente, uma luz branca meio leitosa, ascendera e dera um tipo de explosão meio abafada,eu correra depressa pensando que fosse o lustre que havia pegado fogo.
Quando chegara na sala, que estava a um passo da cozinha, nada acontecera no lustre.
Então,me viera ao pensamento que eu iria engravidar, e na mesma semana começara a sentir uns enjoos, fizera o teste e eu estava grávida.
Nunca contara isso a ninguém porque poderiam nem acreditar.
Depois de estudar bastante, percebera que eu era empata, e que os empatas são bastante sensitivos.
Isso não quer dizer que seja maravilhoso, pois ás vezes sabemos de coisas que não podemos afirmar, e pode nos gerar muito sofrimento, esse silêncio.

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Izildinha