Como já haviam passado dois anos de
namoro, resolvemos nos casar.
Fora tudo muito simples, mesmo
porque minha situação naquela época, não era das melhores,aliás,nunca fora.
Depois do casamento ,uma semana na
Praia Grande e tudo voltara ao normal.
Morávamos num pequeno apartamento
alugado, e o Raul havia me cativado um pouco com algumas coisas.
Uma delas é que ele não era
ciumento, e eu podia sair de casa sozinha que ele não se importava.
Nos finais de semana íamos ao
cinema e tudo correra normalmente.
Ás vezes, íamos á Praia Grande no
sábado logo de manhã e voltávamos á noite.
Na praia sim, fazia jus as gozações
de minhas irmãs,eu virava um camarão, porque queria aproveitar as ondas o dia
inteiro.
Depois eu passara uma semana com
minha pele ardendo.
Mas quando voltava á praia,
esquecia tudo e novamente passava o dia brincando com as ondas.
Nós
éramos os chamados farofeiros,embora nunca deixássemos detritos na areia, pois
tínhamos sempre um saquinho de plástico para depois colocarmos num cesto de
lixo na praia mesmo.
Era maravilhoso naquela época
passar o dia todo na praia, acredito que a juventude é maravilhosa,hoje,embora
tenha casa na praia, não tenho coragem.
O tempo fora passando e eu tivera
dois filhos do Raul com a diferença de três anos cada um.
O Rodrigo e o Renato, eles também
gostavam quando íamos á praia, mas já íamos bem menos, porque passar o dia na
praia com criança me era bastante complicado.
Mesmo assim, quando íamos
aproveitávamos bastante.
Naquela época, em pouco se falavam
nas pessoas empatas e se fossem mencionadas, passavam a ideia de pessoas
ingênuas, que
eram usadas e manipuladas pelas outras pessoas, sem sequer, um resquício de
remorso.
Eu sempre me sentira aquém, daquilo
que as pessoas desejam de mim, por isso sempre incutira dentro de meu
emocional, um certo sentimento de culpa.
Porém, por outro lado, sempre
tivera a percepção bastante aguçada, e sem que eu me preocupasse com isso,
ficava sabendo de coisas, a respeito das circunstâncias que me rodeavam, que as
pessoas, sequer imaginavam.
Sempre descobrira tudo sem querer e
sem perceber, tudo vem á memória ou percepção.
Na gravidez de meu segundo filho,
ainda nem sabia se estivera grávida ou não, nem me passara pela cabeça, mas
numa tarde, colocara meu filho mais velho sentadinho em frente a TV e a cozinha
era bem do lado da sala.
De repente, uma luz branca meio
leitosa, ascendera e dera um tipo de explosão meio abafada,eu correra depressa
pensando que fosse o lustre que havia pegado fogo.
Quando chegara na sala, que estava
a um passo da cozinha, nada acontecera no lustre.
Então,me viera ao pensamento que eu
iria engravidar, e na mesma semana começara a sentir uns enjoos, fizera o teste
e eu estava grávida.
Nunca contara isso a ninguém porque
poderiam nem acreditar.
Depois de estudar bastante,
percebera que eu era empata, e que os empatas são bastante sensitivos.
Isso não quer dizer que seja
maravilhoso, pois ás vezes sabemos de coisas que não podemos afirmar, e pode
nos gerar muito sofrimento, esse silêncio.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha