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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

MARAVILHOSO-TRECHO DO LIVRO ÚLTIMA PALAVRA

Fora sempre outono para mim, em Botucatu, um vento arredio, roçando as folhas secas e baldias nas ruas.
Maravilhoso, meu primeiro ano primário, quando começara a me relacionar com as letras, e um novo mundo, começara a se abrir para mim.
Ao começar desvendar as escritas, incluíra-me num mundo diferente, que poderia me dar tudo que eu quisesse, e na hora, em que eu quisesse.
Guardara na memória, o cheiro dos lápis novos, e dos cadernos também.
Esqueceria qualquer coisa, menos o nome de minhas primeiras professoras, aquelas, da primeira á quarta série primária.
Adorava, quando minha mãe fazia bolinhos de chuva, para eu levar de lanche.
Um dia, me lembro da surpresa, em que ela me fizera, quando chegou a hora do recreio, abri o embrulho da merenda, e ela havia feito bolinhos de chuva, e os cortado ao meio, colocando doce de abóbora.
Fora uma maravilha!
Agradara ao meu coração, até hoje lembro com gratidão á minha querida mãe.
 Colegas de sala eram crianças simples, e também, de poucas palavras no começo do ano.
Á medida, que o tempo fora passando, começamos brincar mais na hora da merenda, e nos relacionarmos, como amigos e amigas.
Os ingazeiros, com suas sementes brancas, e adocicadas,caitaninhas, com seu cheiro doce enjoativo, enfim, todas as frutinhas exóticas e nativas nas calçadas, que talvez nem existam mais.
O meu pai adorava cachorros, e logo tinha quatro, e minha mãe os detestava, eu aprendi amar mais os gatos, porque os cachorros não tinham permissão para entrarem dentro de casa.
Depois de adulta, invertera as coisas, tendo apenas cachorros, embora goste muito de gatos.
Meu irmão e minha irmã, já tinham um  certo traquejo, em outras brincadeiras, como pular corda e amarelinha.
Eu tinha duas amiguinhas, e colegas de classe, que moravam do outro lado da cidade, e uma amiga nissei, que morava bem pertinho de minha casa.
Eu tinha verdadeira paixão por ela, ás vezes trocávamos de lanche, ela adorava os pães e os queijos, que minha mãe fazia, e eu adorava um doce de arroz, feito bolinhos fritos, que ela levava.
Éramos felizes, simples e desprovidas de conforto e de informações, diferentes das crianças de agora, num clique conversam com alguém do outro lado do mundo.
Os livros, foram  nosso mundo imaginário.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha