Ela
sempre conversava muito comigo, sobre tudo, sobre a vida desde muito cedo.
E quando entrei na escola, as minhas
primeiras escritas foram vibradas por ela.
Eu
sempre lembrara muito, do tio que nos visitava, me dizendo para estudar bastante, então eu
me agarrara a essa possibilidade que se abrira como um leque em minha vida.
Como
já estava crescida,eu precisava fazer alguns serviços para compensar minha
estadia na creche, uma vez que ninguém me adotara.
A
madre superiora quase nunca conversara comigo,era uma pessoa quieta e parecia
muito brava também.
Geralmente
eu a vira dando bronca na Eleonora,eu ficava com muita pena dela, tinha vontade
de chorar.
Também
percebia que a Eleonora ficava preocupada quando eu tinha muito serviço para
fazer, então ela sempre dava um jeito de me ajudar sem que a superiora visse.
Mas
tia Eleonora tinha muito trabalho então nem sempre podia me ajudar, então eu me
esforçava para poder dar conta.
Quando
estava no terceiro ano primário fora considerada a melhor aluna da classe,
minha professora mandara um recado para a creche me parabenizando e a tia
Eleonora naquele dia me abraçou chorando.
Todos
os meus momentos vividos lá dentro teriam sido diferentes se eu não me focasse
nas pessoas boas, pois as pessoas não boas,eu as esquecera.
Descobrira
isso sozinha na infância.
Quando
entrei na quinta série, conheci muitas garotas diferentes, todas elas muito
falantes, porém a Magali tinha uma matraca aberta e tagarelava o tempo todo.
Eu
achava graça nas coisas que ela dizia, porém ela fazia a professora interromper
a aula para chamar sua atenção.
Então
comecei a perceber ,que ela atrapalhava a sala inteira e eu precisava estudar,
como havia dito o meu tio Heber que nunca mais nos trouxe nem laranjas nem
bananas.
Eu
fui memorizando as coisas boas e pessoas que passavam pela minha vida,eu mais
do que ninguém precisara de um ponto de referência, mas naquela época me
agarrava aos estudos porque tudo que vinha dos livros me fascinava muito, era
um mundo aberto e livre, que certamente me levaria com ele quando eu precisasse
voar.
Então
passei a não achar mais graça nas conversas de Magali e conseguia entender tudo
e tirar boas notas mesmo não tendo muito tempo para estudar lá no internato.
Na
hora do intervalo eu sempre tinha uma merenda preparada pela tia Eleonora,
ela trazia de sua casa.
Eu
fizera amizade com algumas meninas, mas eu era um pouco tímida porque havia
muita coisa que elas conheciam do mundo lá fora que eu ignorava porque nunca
saíra do internato para lugar nenhum.
A
madre superiora dizia que era muito perigoso e que não era permitido também por
regra do próprio internato.
Eu
me sentira muito só á noite sem tia Eleonora para conversar comigo.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha