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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

CABIDE HUMANO[TRECHO DO LIVRO-O CORAÇÃO SABE MAIS]

Antes, que Celina se mudasse da agência de moda ,para a confecção de coleções como designer, precisava participar de mais um desfile, pois estava agendado a seis meses já, e ela fizera parte da equipe de manequins que representaria aquela grife, pertencente á agência, mas  terceirizada.
Ela ficara constrangida com a situação, e pedira desculpas ao seu bebê, com o coração.
Pois, ele havia sido maltratado com escassa alimentação, seguida de vômitos constantes, que nem eram talvez, em decorrência da gravidez, e sim de uma possível anorexia. Portanto, seu bebê viria ao mundo, contando com muita sorte...
Talvez, inconscientemente, nem indesejado, mas também, num momento, em que mesmo Celina querendo, não pudera ter sido surpreendida pelo fato, com a maior alegria do mundo.
 Ela escolhera aquele momento, lá no passado, porém o bebê fora chamado.
Comumente, dentro de um desfile de modas, sentira sendo comparada a um cabide esvoaçante, onde nenhuma parte de sua existência, poderia competir com a peça, em que ela carregava no corpo.
 No dia do desfile, pensou em sair, e recompor a própria vida, tendo mais liberdade, quando tudo que estava vivenciando, foram escolhas, mas em função de circunstâncias.
 Quando abrimos algumas portas, e entramos por caminhos delicados, uma decisão, jamais será só nossa.
Celina se encontrava num momento delicado, onde qualquer mudança ,só tivera uma opção, era dar certo.
Caso desse errado, sua vida poderia ser completamente comprometida, juntamente com a vida de seu bebê. Mesmo porque ela pressentia uma certa indiferença, de Ronaldo  aos fatos.
Em alguns momentos, ela era iluminada pela fé, e uma esperança pairava num horizonte distante, onde ela podia ver seu coração revestido de felicidade com o fato de sentir em sua essência a grande chance de ser mãe.
Então naquela noite, quando estava sob as luzes e holofotes, sendo obrigada a lançar um olhar para o vazio, pela primeira vez nesse momento, sentira  seu olhar fixo.
 E mesmo estando distante do espaço físico, onde se encontrava, não mirara um vazio, mas sim, um sonho apenas dela, se materializando, dentro de suas perspectivas como pessoa.
Como ser, que busca na vida a plenitude.
 Sentira que não poderia tirar conclusões apressadas a respeito de Ronaldo ser ou não pai da criança, também mergulhando em seu interior, pode ver uma Celina imperfeita e inacabada.
Porém digna de ser completamente amada por ela mesma.
E a imagem fria, de um cabide humano carregando uma peça riquíssima, morreria ali no seu último desfile, e que a vida lhe esperava, logo adiante.
Percorreu toda a passarela, várias vezes, quase sem perceber, porém exímia sem ser incomodada pelo salto.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha