Antes,
que Celina se mudasse da agência de
moda ,para
a confecção de coleções como
designer, precisava participar de mais um desfile, pois estava agendado a seis
meses já, e ela fizera parte da equipe de manequins que representaria aquela
grife, pertencente á agência, mas
terceirizada.
Ela
ficara constrangida com a situação, e pedira desculpas ao seu bebê, com o coração.
Pois,
ele havia sido maltratado com
escassa alimentação, seguida de vômitos constantes, que nem eram talvez, em decorrência da gravidez, e sim de uma
possível anorexia.
Portanto, seu bebê
viria ao mundo, contando com muita sorte...
Talvez,
inconscientemente, nem
indesejado, mas também, num momento,
em que mesmo Celina querendo, não
pudera ter sido surpreendida pelo fato, com a maior alegria do mundo.
Ela escolhera
aquele momento, lá no passado, porém o bebê fora chamado.
Comumente, dentro de um desfile de modas, sentira sendo comparada a um cabide esvoaçante, onde nenhuma
parte de sua existência,
poderia competir com a peça, em que ela carregava no corpo.
No dia
do desfile, pensou em sair, e recompor
a própria vida, tendo mais
liberdade, quando tudo que estava vivenciando, foram escolhas, mas em função de circunstâncias.
Quando abrimos
algumas portas, e entramos por caminhos delicados, uma decisão, jamais será só nossa.
Celina
se encontrava num momento delicado, onde qualquer mudança ,só tivera uma opção,
era dar certo.
Caso desse
errado, sua vida poderia ser completamente comprometida, juntamente com a vida
de seu bebê.
Mesmo porque
ela pressentia uma certa indiferença,
de Ronaldo aos fatos.
Em
alguns momentos,
ela era iluminada pela fé, e uma
esperança pairava num horizonte distante, onde ela podia ver seu coração
revestido de felicidade com o fato de sentir em sua essência a grande chance de
ser mãe.
Então
naquela noite, quando estava sob as luzes e holofotes,
sendo obrigada a lançar um olhar
para o vazio, pela primeira vez nesse momento, sentira
seu olhar fixo.
E mesmo estando
distante do espaço físico,
onde se encontrava, não mirara um
vazio, mas sim, um sonho apenas dela, se materializando, dentro de suas
perspectivas como pessoa.
Como
ser, que
busca na vida a
plenitude.
Sentira que
não poderia tirar conclusões apressadas a respeito de Ronaldo ser ou não pai da criança, também mergulhando em seu
interior, pode ver uma Celina imperfeita e inacabada.
Porém digna
de ser completamente amada por ela mesma.
E
a imagem fria, de
um cabide humano carregando uma peça riquíssima,
morreria ali no seu último desfile,
e que a vida lhe esperava, logo adiante.
Percorreu
toda a passarela, várias vezes, quase sem perceber, porém exímia sem ser
incomodada pelo salto.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha