Eu
entendera que se eu não tomasse uma atitude, eles usariam a minha existência
para abrandar os fatos e simplesmente viveriam um romance clandestino embaixo
de meu nariz, me chamando de pueril.
Eles
olharam os dois para mim,estancaram a conversa e eu com uma ponta de ironia
disse:
Gustavo
á noite vai preparar um jantar, aí conversaremos, nada de tão importante,
levantei e fui tomar um banho, largando os dois na sala.
Tranquei
bem meu quarto, sempre fui muito prática com minhas roupas, tendo peças
coringas que podiam modificar meu visual, arrumei minhas malas, e deixei-as
escondidas.
Tomei
um banho maravilhoso, lavei meus cabelos parecia que nesse banho eu estivera
lavando a alma.
Com
toda calma do mundo me arrumei, e como uma estranha, saí pela rua andando
naquela tarde, me despedindo de mim mesma.
Entardecia
paulatinamente em meu coração, em cada rua, em cada esquina, em cada momento de
meu ser,eu caminhava sem dor, sem amor, sem saudade, sem desculpas.
Era
como se fosse a última tarde de uma fechada de ciclos ou temporadas, talvez uma
última tarde de outono, e eu conduzindo apenas "o que o tempo leva”.
O
tempo me levara também, mas aos poucos, devagar como precisara ser,eu sentira
uma infinidade de vidas em minha vida.
Eu
e minha criança apenas, era como se o vento viesse me dizer alguma coisa,
aquele ipê aparentando uma mão ressequida erguida para o alto me acenando...
Senti
que deixaria boa parte de mim ali, mesmo não querendo, pois fora um palco onde
eu atuara em solidão acompanhada, muito tempo.
Seria
saudade por antecipação?
Não
respondi:
Se
bem me conhecera,eu sempre esperara esgotar os últimos recursos, esperara meu
coração determinar a partida sem dor, sem alegrias, sem sentimentos, uma vez
que sempre fui muito sensível, então
isso não me convinha, e meu coração sabia, pois sempre o ouvi, rezingar isso á
razão.
A
tarde levitara mansa dentro de mim e simultaneamente ao meu redor..
Sentara no banco da pracinha em frente ao
condomínio de classe média onde eu habitara minha vida inteira, até então e
sentira rodopiando um vento um pouco mais gelado prenunciando o inverno.
Pois
é, inverno não tardaria a chegar, só que desta vez, como andorinha
fugindo dos rigores da estação, voaria para outras paragens.
A
noite fora achegando aos poucos e uma estrela única no meio de uma nuvem escura
faiscara no céu, apenas uma estrela ainda, pois a noite pulsava, como criança
recém nascida.
E
juntamente com essa criança, minha determinação brotando verdinha e cheia de
esperança, rompendo o lacre do asfalto tosco e cruel, em que vivera até então.
Jamais
soubera, quando eu levara o olhar para
passear por aquelas cercanias, se fora a última vez, mas desta feita, não tivera
dúvidas.
Observando
cada esquina, não quisera levar mais nenhuma lembrança, apenas do espaço físico, eu
precisara me despedir, uma vez que fora este, meu ponto de vida, minha
referência destinatária, onde aos poucos fora mudada minha fisionomia jovem e
encantada pela vida, abraçando os percalços que agora me amparando e
fortalecendo na partida.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha