Marcadores

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

PRESENTE DA PRESENÇA[DO LIVRO _O QUE O TEMPO LEVA]

Era começo de verão e todas as tardes sentávamos numa praça, em frente o edifício, em que morávamos e ficávamos longo tempo, em silêncio, observando o entardecer.
Sempre soubera ,que havia uma metáfora interligando entardecer com amadurecer, iniciar a maturidade.
Então começáramos a observar como era calmo o entardecer em relação ao amanhecer, uma calmaria prenunciada doutrinando, como ser melhor no dia seguinte, se este houver...
Toda tarde, sempre trouxera junto consigo, muita gratidão jogada dentro de meu coração, pois provara a sobrevivência do amanhecer ,e da continuidade de um dia inteiro.
Era a prenuncia do anoitecer...
Em todos os dias de nossa vida, vivenciamos sempre, e apenas o presente, pois está no presente nossa grande chance de todos os acertos e dos possíveis erros também, então virão outros presentes, para que os consertemos.
Quando na juventude, os entardeceres passam despercebidos ,pois temos muita pressa para chegarmos no futuro, para vivenciarmos o futuro, sem entendermos que o futuro, obviamente, nos leva ao entardecer da vida.
Lento entardecer!
 Onde até sol parece um pouco mais letárgico, do que o sol da manhã, deitando lentamente, e sonolento no horizonte.
Por outra ótica, como se fossem, lindos e imensos olhos piscando antes do adormecer, o lindo por do sol...
Cada entardecer,  assemelha-se a um grande espetáculo, cortinas abertas, onde todos os viventes da Terra com suas espécimes diferentes, fazem festas ao dia que acena numa montanha, numa curva, ou num horizonte qualquer onde possamos fotografá-lo com encantamento.
Um vento arredio perpassara nossas roupas, apertando-as ao corpo, quando estarrecidos pela beleza do momento,sós, sentíamos um encanto a mais.
Depois de vivenciarmos o gosto oposto ao mel silvestre, sempre o saboreamos com maior prazer, enquanto outros entardeceres foram abafados pelas paredes frias, acastelara em nós, grande acuidade ao tal fato.
Os resquícios de sol continham recados, de uma manhã venturosa e acolhedora.
 Doravante, sem o açodamento da juventude, também pudera ser apreciada em toda sua beleza e complexidade .
Visitando o campo da sabedoria ,a maturidade incorpora em nós, uma certa paz, e uma certa blindagem, ao que outrora tanto nos incomodara, talvez...
Entardecíamos juntos, apenas esperando crivar dentre nossas memórias, os melhores momentos, o desenrolar da poesia.
Os transeuntes caminhavam mais soltos e livres durante o entardecer, porém amanheciam mais afobados, como tanto fizéramos lá no passado.
No entanto, era a vida, nos dando  o tempo necessário, como melhor presente, confiando, que quem mais viveu, mais responsabilidade acumula.
A responsabilidade ,e também o direito, de ter se instruído mais, do que quem ainda vem surgindo, lá numa curva distante, e bem pouca coisa comparada ás nossas ainda angariou.
Eram momentos, em que houvéramos prometido um ao outro, ouvirmos a voz do silêncio, mediante a grande oportunidade, que a vida nos delegara, com a presente presença, presenteando-nos sempre e mutuamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo carinho!
Izildinha