Era
começo de verão e todas as tardes sentávamos numa praça, em frente o edifício,
em que morávamos e ficávamos longo tempo, em silêncio, observando o entardecer.
Sempre
soubera ,que havia uma metáfora interligando entardecer com amadurecer, iniciar
a maturidade.
Então
começáramos a observar como era calmo o entardecer em relação ao amanhecer, uma
calmaria prenunciada doutrinando, como ser melhor no dia seguinte, se este
houver...
Toda
tarde, sempre trouxera junto consigo, muita gratidão jogada dentro de meu
coração, pois provara a sobrevivência do amanhecer ,e da continuidade de um dia
inteiro.
Era
a prenuncia do anoitecer...
Em
todos os dias de nossa vida, vivenciamos sempre, e apenas o presente, pois está
no presente nossa grande chance de todos os acertos e dos possíveis erros
também, então virão outros presentes, para que os consertemos.
Quando
na juventude, os entardeceres passam despercebidos ,pois temos muita pressa
para chegarmos no futuro, para vivenciarmos o futuro, sem entendermos que o
futuro, obviamente, nos leva ao entardecer da vida.
Lento
entardecer!
Onde até sol parece um pouco mais letárgico,
do que o sol da manhã, deitando lentamente, e sonolento no horizonte.
Por
outra ótica, como se fossem, lindos e imensos olhos piscando antes do
adormecer, o lindo por do sol...
Cada
entardecer, assemelha-se a um grande
espetáculo, cortinas abertas, onde
todos os viventes da Terra com suas espécimes diferentes, fazem festas ao dia
que acena numa montanha, numa curva, ou num horizonte qualquer onde possamos
fotografá-lo com encantamento.
Um
vento arredio perpassara nossas roupas, apertando-as ao corpo, quando
estarrecidos pela beleza do momento,sós, sentíamos um encanto a mais.
Depois
de vivenciarmos o gosto oposto ao mel silvestre, sempre o saboreamos com maior
prazer, enquanto outros entardeceres foram abafados pelas paredes frias,
acastelara em nós, grande acuidade ao tal fato.
Os
resquícios de sol continham recados, de uma manhã venturosa e acolhedora.
Doravante, sem o
açodamento da juventude, também pudera ser apreciada em toda sua beleza e
complexidade .
Visitando
o campo da sabedoria ,a maturidade incorpora em nós, uma certa paz, e uma certa
blindagem, ao que outrora tanto nos incomodara, talvez...
Entardecíamos
juntos, apenas esperando crivar dentre nossas memórias, os melhores momentos, o
desenrolar da poesia.
Os
transeuntes caminhavam mais soltos e livres durante o entardecer, porém
amanheciam mais afobados, como tanto fizéramos lá no passado.
No
entanto, era a vida, nos dando o tempo
necessário, como melhor presente, confiando, que quem mais viveu, mais
responsabilidade acumula.
A
responsabilidade ,e também o direito, de ter se instruído mais, do que quem
ainda vem surgindo, lá numa curva distante, e bem pouca coisa comparada ás
nossas ainda angariou.
Eram
momentos, em que houvéramos prometido um ao outro, ouvirmos a voz do silêncio,
mediante a grande oportunidade, que a vida nos delegara, com a presente
presença, presenteando-nos sempre e mutuamente.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha