Todas
as vezes, em que me sentira sozinha comigo mesma, pensara em tudo que me
beneficiara, tudo que eu dispunha ao meu redor, então era impossível admitir
solidão em minha companhia.
Ás
vezes, até tentava dialogar com ela, e saber o que ela pretendia de mim,pois eu
já não tinha mais nada a lhe oferecer, e se em algum lugar do passado,eu a
acolhi, em algum compartimento de meu coração, este certamente já estaria
locado para a alegria, satisfação, ou mesmo saudade, porém a solidão, já não
fazia mais parte de minha vida.
Quando
sozinha, procurara voltar, e rever as belezas engavetadas dentro da memória,
que aquela tímida e feia menina havia me recomendado.
Encontrava
a poesia...
Sim,
eu abrira devagar todos os mimos, e ainda pudera sentir o perfume inconfundível
das flores silvestres, das roseiras de meu pai, e até o perfume meio amargo das
flores amarelas da antiga trepadeira dominando o jirau.
Correra
rapidamente o olhar pelo quintal e ainda vira com o coração partido, minha mãe
lavando um tanque cheio de roupas.
Vira
meu pai fazendo contas e somando as reservas, também fazendo a lista de
compras.
Lembrara
da minha pequena cidade ,cravada numa planície onde o sol se fazia exuberante,
desde o amanhecer, até o entardecer.
Lembrei
de meu querido irmão, da depressão de meu pai, mas a poesia pegando em minha
mão, pedira para que eu rabiscasse alguma coisa,silenciosamente,tranquei a gaveta da inspiração...
Porque esse momento,era apenas para mim,uma série de movimentos, tudo fintara tão concreto, e eu não queria pular para a abstração.
Todas
as pálidas imagens, um pouco só desbotadas, em função dos milênios, mas eu
estava ali, onde não mais cabia a solidão, apenas recordações, nem totalmente
alegres, nem totalmente tristes, mas sim, um bagageiro repleto de segredos e
recordações, que de vez em quando, e quando podia, eu voltara para contemplar.
Eu
sempre procurara retirar alguma coisa, algum espinho que ainda machucara, pois
não queria sofrer duas vezes em tempos diferentes, pelas pedras, que livremente
eu resolvera carregar comigo,pelos espinhos, que ainda eu não eliminara
totalmente.
Essa
viagem onde visitamos nossas lembranças, faz com que nos livremos dos inimigos
internos, que são os resquícios dos medos, das tristezas, das fobias, das
inseguranças e também do sentimento de culpa.
Eu,
apesar de tudo, ainda continuava sendo a mesma, em alguns aspectos, porque ao
longo da vida, existem dias em que estamos mais fortes e em outros, mais
vulneráveis.
Lembrando
dos momentos de dificuldade, enfatizara em mim o quanto era feliz no presente,
pois simplesmente aprendera avaliar o que era uma coisa, em função da outra.
Era
finalzinho de inverno e um vento frio ainda varria meus quintais internos,
minhas varandas,enfim,quase todos os meus compartimentos.
Espiando agora, pela janela do apartamento pudera ver o movimento açodado, de uma tarde no meio da semana, em uma grande metrópole, senti meu olhar embaçado, dispensei a solidão e fechei a janela.
Espiando agora, pela janela do apartamento pudera ver o movimento açodado, de uma tarde no meio da semana, em uma grande metrópole, senti meu olhar embaçado, dispensei a solidão e fechei a janela.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha