Tomara eu, como uma estrela cambiante do
sol,as nuanças que vestiam meus axiomas em Artur,eu descera os vales
montanhosos da saudade, quando todo crepúsculo doravante fora tal sorriso leve.
E nas manhãs, eu vestira o sol cálido e
brilhante de suas palavras, de suas atitudes tão pertinentes em mim
Aos poucos, eu fora me ausentando de
tudo, e ingressando em um mundo
tão nosso, e tão meu somente.
Jamais eu esquecera os demais
familiares,filha,genro,neto e família, porém, eu não encontrara forças, para me
reencontrar dentro de novas situações, por mais que lutasse.
Então como flor efêmera, que encanta as borboletas e balança segurando nos
talos hoje, e amanhã fenece, dando passagem a espécie espalhando as sementes,
assim me sentira eu.
Eu jamais quisera permanecer numa alegria
artificialmente, ou numa felicidade testada, pois jamais fora isso, que eu
descobrira com Artur.
Ríramos quando realmente fora hora de
rir,choráramos quando fora hora de chorar, e fora desse modo, que descobríramos
o quanto a vida fora preciosa até o nosso último instante.
Eu não precisara fingir para nossa filha
Maria, que a vida sem o pai dela fora a mesma coisa, ela entendera tudo,
pressentira eu...
Ás vezes, saíamos eu e Maria, noutras
vezes com Renata, mas isso ocorrera tão esporadicamente, pois Artur me dominara
tanto o pensamento, que quase não me sobrara tempo sequer, para realizar alguma
coisa mais.
Em meu coração acautelara a saudade como
uma miragem eterna, jamais castradora ou triste, mas sim, onde minha vida
pulsara latente e viva, como uma flor que fenece, dentro das páginas de um
livro de cabeceira, tomando linda forma, disseminando uma fragrância mórbida,
porém tão delicada.
Fora como uma mutação, cominada pela
ausência tão presente.
Os meus dedos perpassavam ,ás vezes, o
seu paletó, procurando um pelo, um fio de cabelo, ou qualquer coisa assim.
O cheiro ficara impregnado no pensamento,
juntamente com a imagem, e eu fora mergulhando, a cada instante, enquanto minha
vida encolhia, enquanto meu tempo se estendia, transformada numa pessoa, que vivera
somente, para o seu amor.
Sibilando minhas canções,eu fora grata a
Deus por vivenciar tal maravilha, que adentrara em minha vida e perpassara os
recintos humanos, tocando em escorregadelas o divino.
Todas as canções de Cortázar na
delicadeza das notas, me traziam Artur emocionado e apaixonado pelas notas que
voejavam pelos ares, penetravam nossa casa, nosso jardim, nossos beijos, nossos
abraços, nossos toques.
Artur fora a definição de um anjo, e eu
fora acastelada eternamente por ele, mesmo depois que ele me dissera adeus,após me convidar para ir ao centro, também, mesmo depois, de seus passos marcarem seus últimos ruídos.
Arturzinho fora ficando cada vez mais
parecido com o avô, mas mantivera também, a destemida coragem do pai Eduardo,
meu querido genro, que tanto sofrera na infância, perdendo sua família, porém
mesmo assim, se recuperara, e fizera de tal perda, motivo para muitos ganhos.
Dentre meu mundo, houvera sempre uma
história para se contar, mesmo, que esta fora aparentemente abatida, porém
trouxera como resultado, algo muito salutar, como um medicamento, causara alguma importante cura.
Maria, fora a filha dócil e meiga, que
tanto nos recompensara em tudo, que tanto amor nos refletira desde sempre.
Maria fora simplesmente a fusão minha
juntamente com Artur, quando reserváramos o nosso melhor lado, para tudo, que
chamáramos de amor.
Eu sempre vira em Maria uma força, uma
luz, um caminho.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha