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sexta-feira, 23 de junho de 2017

FRAGMENTO DO LIVRO_CENÁRIO


Com a ausência de Artur, meu mundo ficara vazio, porém todas as nossas lembranças me povoavam a memória, trazendo para mim um sentimento de gratidão, por tudo que vivenciáramos juntos, por termos tido a felicidade de nos encontrarmos, e assim, tão iguais, termos vivido.
Eu jamais pudera compartilhar a dor da perda com alguém, a não ser minha amiga Renata, mesmo minha filha, sempre se recusara a conversar comigo sobre tal assunto, sempre querendo abrandar meu sofrimento, á sua própria maneira.
Eu jamais vira a finitude ,como algo aterrorizante e agora muito mais, pois vira que Artur fora passível desta.
Fora como se ele estivera do outro lado, me dizendo o quão maravilhoso fora, vivenciar tal experiência.
E por valorizar tanto a finitude que vivera, mesmo sozinha ,meus dias da melhor maneira possível.
Sempre dialogara comigo mesma, sempre sentira a presença de Artur nos meus momentos felizes, em minhas lágrimas de saudade, em meus sonhos, e nos sonos absortos.
Eu retomara todos os meus afazeres, como se ele estivesse comigo, e suas coisas pessoais, eu as mantivera no mesmo lugar, pelo menos, até que tivesse discernimento, do que fazer com estas.
Ás vezes sentira nitidamente a presença de Artur de meu lado, minha família reclamara ,que eu me fechara na solidão, mas no entanto, fora esta a maneira que eu encontrara de viver ainda com Artur.
Ele sempre fora uma pessoa boníssima, que me doutrinara como viver á luz da verdade, do amor e do comprometimento com a honestidade.
Certamente ele estivera doutrinando como vivera em algum lugar, e todas as noites eu olhara as estrelas, sentindo que ele desvendara outros tantos mistérios.
Sentindo que sua inteligência e capacidade de discernimento, houveram se multiplicado trilhões de vezes, e que algum dia, eu estaria junto dele, sentindo tal plenitude.
Quando o dia amanhecia,eu sentira falta do cheiro do café trazido na cama.
Ele sorrindo e dizendo:
Levanta sua dorminhoca!
Quando fazíamos amor trocando ainda as nossas mil juras .
Quando tomávamos banho e depois púnhamos nossa casa em ordem, mesmo esta não precisando, e ás vezes ríamos disso.
Ele dizia:
Coisa de quem não tem o que fazer.
Íamos em todas as feiras que haviam por perto, gostávamos do mercado municipal, do cheiro espetacular que este produzira.
O nosso imenso sanduíche de mortadela todas as semanas.
Éramos regrados em nossos hábitos alimentares, mas abríamos uma ressalva, para os sanduíches de mortadela do mercadão.
Eu começara viver meus dias assim,silenciosa,porém conectada ao Artur o tempo todo.
Continuara fazendo as mesmas coisas que fizera com ele, passando pelos mesmos lugares, sentando nos mesmos bancos, observando as mesmas coisas.
As minhas amigas, amigos e a vizinhança toda reclamavam ás vezes minha ausência, porém desconheciam o tal fato.
Eu precisara, continuar vivendo com Artur, de qualquer maneira,porém,jamais tentara explicar tal fato para alguém.
O jeito de por a mesa, as mesmas comidas, a hora de dormir, de acordar e também a maneira de cuidar da casa e do jardim.
Ás vezes, eu pegara algum livro para ler, e sentara na cadeira ao lado da cadeira dele.
Lia o tempo todo como se estivesse na companhia de meu amor, conscientemente comentando sobre o enredo ou coisa assim.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha