Com a ausência de Artur, meu mundo ficara
vazio, porém todas as nossas lembranças me povoavam a memória, trazendo para
mim um sentimento de gratidão, por tudo que vivenciáramos juntos, por termos
tido a felicidade de nos encontrarmos, e assim, tão iguais, termos vivido.
Eu jamais pudera compartilhar a dor da
perda com alguém, a não ser minha amiga Renata, mesmo minha filha, sempre se
recusara a conversar comigo sobre tal assunto, sempre querendo abrandar meu
sofrimento, á sua própria maneira.
Eu jamais vira a finitude ,como algo
aterrorizante e agora muito mais, pois vira que Artur fora passível desta.
Fora como se ele estivera do outro lado,
me dizendo o quão maravilhoso fora, vivenciar tal experiência.
E por valorizar tanto a finitude que
vivera, mesmo sozinha ,meus dias da melhor maneira possível.
Sempre dialogara comigo mesma, sempre
sentira a presença de Artur nos meus momentos felizes, em minhas lágrimas de
saudade, em meus sonhos, e nos sonos absortos.
Eu retomara todos os meus afazeres, como
se ele estivesse comigo, e suas coisas pessoais, eu as mantivera no mesmo
lugar, pelo menos, até que tivesse discernimento, do que fazer com estas.
Ás vezes sentira nitidamente a presença
de Artur de meu lado, minha família reclamara ,que eu me fechara na solidão,
mas no entanto, fora esta a maneira que eu encontrara de viver ainda com Artur.
Ele sempre fora uma pessoa boníssima, que
me doutrinara como viver á luz da verdade, do amor e do comprometimento com a
honestidade.
Certamente ele estivera doutrinando como
vivera em algum lugar, e todas as noites eu olhara as estrelas, sentindo que
ele desvendara outros tantos mistérios.
Sentindo que sua inteligência e
capacidade de discernimento, houveram se multiplicado trilhões de vezes, e que
algum dia, eu estaria junto dele, sentindo tal plenitude.
Quando o dia amanhecia,eu sentira falta
do cheiro do café trazido na cama.
Ele sorrindo e dizendo:
Levanta sua dorminhoca!
Quando fazíamos amor trocando ainda as nossas mil
juras .
Quando tomávamos banho e depois púnhamos
nossa casa em ordem, mesmo esta não precisando, e ás vezes ríamos disso.
Ele dizia:
Coisa de quem não tem o que fazer.
Íamos em todas as feiras que haviam por
perto, gostávamos do mercado municipal, do cheiro espetacular que este
produzira.
O nosso imenso sanduíche de mortadela
todas as semanas.
Éramos regrados em nossos hábitos
alimentares, mas abríamos uma ressalva, para os sanduíches de mortadela do
mercadão.
Eu começara viver meus dias
assim,silenciosa,porém conectada ao Artur o tempo todo.
Continuara fazendo as mesmas coisas que
fizera com ele, passando pelos mesmos lugares, sentando nos mesmos bancos,
observando as mesmas coisas.
As minhas amigas, amigos e a vizinhança
toda reclamavam ás vezes minha ausência, porém desconheciam o tal fato.
Eu precisara, continuar vivendo com
Artur, de qualquer maneira,porém,jamais tentara explicar tal fato para alguém.
O jeito de por a mesa, as mesmas comidas,
a hora de dormir, de acordar e também a maneira de cuidar da casa e do jardim.
Ás vezes, eu pegara algum livro para ler,
e sentara na cadeira ao lado da cadeira dele.
Lia o tempo todo como se estivesse na
companhia de meu amor, conscientemente comentando sobre o enredo ou coisa
assim.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha