Eu percebera Maria feliz, chegando em
casa com os olhos brilhando, com um sorriso na estamparia do corpo, que me
rodeava de uma leveza, como se fosse amor.
Eu nunca perguntara nada, quando ela
dizia que ia sair em horários até antes não costumeiros, quando a vira usando
batom e caprichando mais ainda no visual, quando ela voltara várias vezes, para
se mirar defronte ao espelho antes de sair.
Lembrara do dia em que depois de conhecer
Artur, dissera a mim mesma:
Sabrina tu estás apaixonada!
Parabéns!
Fato que me levara a dialogar tais frases
comigo,fora também o capricho pela imagem defronte ao espelho.
Sentira vontade de abraçar minha filha e
dizer:
Parabéns!
Boa sorte minha querida!
Claro que Artur também notara, porém
mantivera-se calado como eu.
Conversamos á respeito e ríramos de
felicidade, deveria ser alguém muito exclusivo, para deixar Maria assim feliz.
Torcêramos para isso, não suportaríamos
ver nossa filha sofrer por amor.
E nesse instante, nós dois sentados na
sala de nossa casa nos olhamos como da primeira vez, quando ele segurara meu
braço para não cair.
Ele repetira:
Posso me casar de novo contigo?
Eu sorrira entre lágrimas e ele também,
confidenciamos que antes de nos encontrarmos, nossa vida sentimental fora uma
eterna solidão.
Nos beijamos longamente e fizéramos amor,
com muito mais intensidade do que da primeira vez.
E entre abraços e beijos, nossas chamas
acesas, repercutindo por várias vezes, sentíramos nossas almas levitando entre
as nuvens.
Éramos simplesmente uma doce rotina, que
jamais a quereríamos diferente, apenas seguíamos construindo mil planos,
realizando mil sonhos, porém dentro de uma simplicidade cúmplice e sincera
delineada pelo amor.
Artur fora a compensação de todo desapego
a que eu fora sujeita por homens tão diferentes, tão desapegados da própria
essência, que me fizeram desistir e inconscientemente passara por dificultosa
fase, crendo que jamais amaria alguém.
Porém, quando menos percebera, estivera
encantada por Artur, tanto, e de modo tal,ao qual nunca me encantara na vida.
Eu amara dormir envolvida em seus braços,
e sentira segura e protegida, porém , em troca também lhe tinha imensa
dedicação e cuidado.
Os cabelos escorridos foram desaparecendo
e uma calvície elegantérrima surgira no lugar,eu adorava beijá-lo e acariciar
aquele rosto que ficara cada vez mais lindo com o passar dos tempos.
Era inverno e um frio rigoroso assoviava
na rua e toda São Paulo adormecera mais cedo.
Maria ligara dizendo que não viria dormir
em casa, mas que não precisaríamos ficar preocupados, estava com o namorado, e
que no dia seguinte o levaria para conhecermos.
Uma preocupação percorrera nossos
pensamentos, mas ela era uma moça e saberia bem o que estivera fazendo.
Tomamos banho e depois fizéramos uma sopa
cremosa de queijo com peito de frango,muito cheiro verde servida dentro do pão
italiano, enquanto eu fizera o pão, Artur fizera a sopa, abrimos um vinho tinto
e brindamos nossa rotina, nossa felicidade, e nossa gratidão pela maravilhosa iguaria
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha