Helena
subiu para o quarto, tomou um banho, vestiu uma roupa leve, deitou para
descansar um pouco e dormiu, dormiu tanto quanto nunca houvera dormido na vida,
uma espécie de fuga, um desejo de ausência tomara conta de sua existência.
Nesses
momentos, a vida parecera distanciar, e nada lhe sobrara, a não ser essa
sensação de nada ser, de nada estar sob seu controle.
Acordara
no outro dia, e demorara para se situar no tempo e no espaço.
Pegara
o celular e ligara para José:
José
por favor, venha logo me buscar!
Ele
respondera:
Sim
senhora, já estou indo.
José
se despedira da irmã e dos sobrinhos todos, e saíra em meio ao trânsito
tentando criar asas.
Ele
houvera pressentido alguma coisa estranha na voz,enfim...
Pressentira sempre!
Pressentira sempre!
Helena
estava na portaria do hotel, já esperando, com as malas prontas.
Entrara
no carro em silêncio, e disse que iriam embora.
Tudo
bem!
Respondeu José.
E o tempo todo seguira, em silêncio também.
Respondeu José.
E o tempo todo seguira, em silêncio também.
Helena
estava perdida dentro de suas conclusões,enfim,dentro de si sem entender nada,
portanto ao longo da vida, ela fora fazendo de suas mentiras, uma verdade
apenas para ela, e quando ele mais precisara desta, esta lhe escapulira das
mãos.
Era
ano dois mil,a cibernética prometia muita felicidade, inclusive dando livre
arbítrio para mentir á vontade, porém o livro vida, ao mudar de página, sempre
estivera ligado, ao que fora escrito anteriormente, para que a vida, fosse
sequenciada, caso contrário, impossível a sequência, daquilo que nunca fora
começado, e passado a limpo.
Chegando
em casa encontrara Joãozinho no corredor, e ele não lhe perguntou nada.
Descansara
um pouco, e quando a noite chegara, cada um em seu aposento, Rosa esperando
Astor entrar, mas ela percebera que ele já estava lhe esperando.
Ela
viera ansiosíssima e antes de cumprimentá-lo, já lhe dissera:
Que
papelão heim?
Astor
respondera:
Papelão
digo eu!
Rosa:
Como
assim?
Astor:
Descobriu
que eu era casado?
Continuara
Astor:
Mas
eu ia te contar tudo, estou me separando para ficar contigo.
Mas,
porque fizeste aquilo?
Rosa:
Aquilo
o quê?
Mandaste
minha esposa ir no hotel por vingança?
Rosa:
Eu?
Tu
que mandaste meu marido me espionar.
Fora
o momento em que viera o discernimento.
Rosa:
Joãozinho?
Sim!
Ela
desligara o computador e fora dormir.
Joãozinho
ficara envergonhado diante de tal situação, tamanho embuste, tamanho engano!
Nesse
momento, a paixão de ambos se transformara num tédio imenso.
Helena
dialogando consigo:
Como
pude pensar, que um homem como ele, fosse maravilhoso?
Joãozinho
chateado:
Pois
é, quanta ingenuidade de minha parte, agora entendo que cada um dentro de uma
comunicação virtual, mostra apenas o que quer mostrar.
O
tempo passara e os dois passaram a se repelirem mais ainda, escondido um do
outro dentro da imensa mansão.
Quanto
ao divórcio e reunião com filhos, nem tocaram mais no assunto.
Helena
evitara aquele chat por um longo tempo, depois criara uma nova personagem e
voltara.
Joãozinho
numa manhã fizera as malas e fora embora para França, despedira dos filhos e
nunca mais voltara ao Brasil.
E
quando a vida fora entardecendo, pedira aos filhos que tomassem conta de tudo,
e fora morar numa casa de repouso, enquanto Helena tivera duas cuidadoras.
Também
tinha psicóloga, que a visitara uma vez por
semana, ela vivia confundindo a vida real com o imaginário.
As
amigas desapareceram todas, no entanto, uma geração iluminada de bisnetos e
bisnetas, de vez em quando, davam vida á silenciosa mansão.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha