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domingo, 11 de dezembro de 2016

FRAGMENTO DO LIVRO_DUPLA SURPRESA

Helena subiu para o quarto, tomou um banho, vestiu uma roupa leve, deitou para descansar um pouco e dormiu, dormiu tanto quanto nunca houvera dormido na vida, uma espécie de fuga, um desejo de ausência tomara conta de sua existência.
Nesses momentos, a vida parecera distanciar, e nada lhe sobrara, a não ser essa sensação de nada ser, de nada estar sob seu controle.
Acordara no outro dia, e demorara para se situar no tempo e no espaço.
Pegara o celular e ligara para José:
José por favor, venha logo me buscar!
Ele respondera:
Sim senhora, já estou indo.
José se despedira da irmã e dos sobrinhos todos, e saíra em meio ao trânsito tentando criar asas.
Ele houvera pressentido alguma coisa estranha na voz,enfim...
Pressentira sempre!
Helena estava na portaria do hotel, já esperando, com as malas prontas.
Entrara no carro em silêncio, e disse que iriam embora.
Tudo bem!
Respondeu José.
E o tempo todo seguira, em silêncio também.
Helena estava perdida dentro de suas conclusões,enfim,dentro de si sem entender nada, portanto ao longo da vida, ela fora fazendo de suas mentiras, uma verdade apenas para ela, e quando ele mais precisara desta, esta lhe escapulira das mãos.
Era ano dois mil,a cibernética prometia muita felicidade, inclusive dando livre arbítrio para mentir á vontade, porém o livro vida, ao mudar de página, sempre estivera ligado, ao que fora escrito anteriormente, para que a vida, fosse sequenciada, caso contrário, impossível a sequência, daquilo que nunca fora começado, e passado a limpo.
Chegando em casa encontrara Joãozinho no corredor, e ele não lhe perguntou nada.
Descansara um pouco, e quando a noite chegara, cada um em seu aposento, Rosa esperando Astor entrar, mas ela percebera que ele já estava lhe esperando.
Ela viera ansiosíssima e antes de cumprimentá-lo, já lhe dissera:
Que papelão heim?
Astor respondera:
Papelão digo eu!
Rosa:
Como assim?
Astor:
Descobriu que eu era casado?
Continuara Astor:
Mas eu ia te contar tudo, estou me separando para ficar contigo.
Mas, porque fizeste aquilo?
Rosa:
Aquilo o quê?
Mandaste minha esposa ir no hotel por vingança?
Rosa:
Eu?
Tu que mandaste meu marido me espionar.
Fora o momento em que viera o discernimento.
Rosa:
Joãozinho?
Sim!
Ela desligara o computador e fora dormir.
Joãozinho ficara envergonhado diante de tal situação, tamanho embuste, tamanho engano!
Nesse momento, a paixão de ambos se transformara num tédio imenso.
Helena dialogando consigo:
Como pude pensar, que um homem como ele, fosse maravilhoso?
Joãozinho chateado:
Pois é, quanta ingenuidade de minha parte, agora entendo que cada um dentro de uma comunicação virtual, mostra apenas o que quer mostrar.
O tempo passara e os dois passaram a se repelirem mais ainda, escondido um do outro dentro da imensa mansão.
Quanto ao divórcio e reunião com filhos, nem tocaram mais no assunto.
Helena evitara aquele chat por um longo tempo, depois criara uma nova personagem e voltara.
Joãozinho numa manhã fizera as malas e fora embora para França, despedira dos filhos e nunca mais voltara ao Brasil.
E quando a vida fora entardecendo, pedira aos filhos que tomassem conta de tudo, e fora morar numa casa de repouso, enquanto Helena tivera duas cuidadoras.
Também tinha psicóloga, que a visitara uma vez por semana, ela vivia confundindo a vida real com o imaginário.
As amigas desapareceram todas, no entanto, uma geração iluminada de bisnetos e bisnetas, de vez em quando, davam vida á silenciosa mansão.

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Izildinha