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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

FRAGMENTO DO LIVRO_DUPLA SURPRESA

Embora Helena e Joãozinho, jamais percebessem, que estavam vivendo uma realidade abstrata, mesmo sofrendo as consequências, importante para eles, fora o que representaram e não o que viveram.
Conseguiram chegar ao topo do poder aquisitivo, porém ao galgarem os tais degraus, deixaram a sabedoria para trás, e trocaram-na, só pela habilidade, em aprender como se produzira um dos melhores produtos do mercado.
Ponto a favor dos mesmos,porém,quando tinham tudo, faltara o necessário.
A felicidade sempre fora platonicamente desejada, porém jamais vivida.
Pois Platão congregara o fato, de que para certas pessoas, amar fora simplesmente desejar.
A partir do momento, em que se conseguira o objeto do desejo, este perdera o valor e a importância.
Amor sempre fora amor , no entanto, longe de ser apenas desejo, mas numa relação afetiva estão interligados.
Helena imaginara em Astor, o homem desejado por ela a vida inteira e no entanto, por ironia do acaso, Rosa também fora a mulher ideal para Joãozinho.
Saíram em busca da felicidade, ignorando fatos, que na realidade seriam essenciais ,para colocarem suas vidas, em pleno sol, em plena claridade.
Uma farta plantação do embuste, com colheita mantendo propriedade do germe plantado.
Encarar a verdade, muitas vezes, pudera fazer com que caminhassem contra o vento, contra a tempestade, porém ao encontro da luz do sol, com um arco íris abraçando seus fins de tarde.
É maravilhoso quando o amor vence a finitude, com todo seu esplendor e desejo também, porém, em nome do respeito á vida, se faz necessário encarar uma verdade dorida e tão culposa, quando este  interceptado, em meio ao caminho.
Se faz necessário entender, que viver, é muito mais do que representar podendo o amor manter sua conduta, em nome da família.
Então este sai, cedendo lugar ao desejo,quando só resta, o puro amor, e sem mais desejo algum, independentemente da vontade, enfim, acontece.
A sociedade familiar, olhara com um certo desdém e preconceito, para uma mulher nessas condições, porque estar sob a sombra da mentira, sempre mantém a zona de conforto instalada, fazendo sombra e instaurando assim, criar uma verdade a própria revelia.
Palavra líquida, metáfora escolhida por  Zygmunt Bauman, para ilustrar o estado de tais mudanças.

Mudanças estas, facilmente adaptáveis, fáceis de serem moldadas e capazes de manter suas propriedades originais. 
As formas de vida moderna, segundo Bauman, são similares, pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que robustece o tal estado efêmero das relações sociais.
No século passado, ser moderno significara buscar um ponto de requinte, mas hoje representa o avanço constante, sem um resultado final singular, prestes a ser conquistado.
A partir do século vinte, a dedicação e o amor brotam como subsídios instituidores da família, mas nem sempre foi assim e não é por acaso, que o fantasioso sempre gostou de idealizar as histórias de amor.
Bauman ressalta, que o século vinte transformara-se da sociedade de produção para a sociedade de consumo.
Com isso, também os povos passaram pelo processo de fragmentação da vida humana, numa vida coletiva, sem pensar em termos de comunidade.
 A identidade pessoal, após essa transformação, geralmente está mediada, a um propósito de vida e de felicidade, a tudo o que possa acontecer, com cada pessoa individualmente.
Mesmo vivendo juntos, Joãozinho e Helena, depois de terem a ascensão financeira sob controle, começam a buscar o amor próprio, que ficara ao longo da caminhada, ou jamais fizera parte da vida destes.
Então o embuste passa a ser um pretexto, uma aparência abonada, que simplesmente atrai para si, o próprio fundador.
Pois estes, meramente desconheceram, que entre idas e vindas, iriam carecer de tal edificação presente, nos momentos importantes, quando a vida, já não suportara mais, tais condições.
O efêmero fora acumulado com esmero:
Ascensão social,  boa aparência, viagens ,passeios, imagens, sempre aclamados por uma plateia também fluida,que logo desaparece junto de efemeridades tais.
Cultivar o crescimento espiritual, a sabedoria, manter acesa sempre a luz da verdade, torna o entardecer das pessoas, simplesmente tranquilo, quando jamais carecera ser exponenciada, por uma colmeia, ou plateia, mas sim de modo a preencher a harmonia vital da própria vida.
A palavra amor próprio fora substituída, pela palavra auto estima, enquanto o amor próprio, eleva um ser a uma condição, capaz de amar o bem em si, a auto estima  funcionara como um refletor de imagens, procurando o melhor ângulo a ser apontado a outrem, esquecendo uma beleza concreta, que congrega no abstrato de dentro para fora.

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Izildinha