A palavra esquecer, pode ter significado
ambíguo no que tange ao amor,eu sempre acreditara que amar, sempre fora uma
capacidade ,diferentemente da paixão que exige muita adrenalina, tornando o
corpo mais leve, porém com o tempo, há uma necessidade do corpo por si só,
libertar-se.
E quando a paixão vira amor, tudo se
torna mais suave, mais tranquilo, passível
de perdão, e da paciência também.
A paixão jamais perdoa, mesmo porque um
ser apaixonado vive conectado o tempo todo ao outro, respira
,come,bebe,portanto, não há corpo que aguente.
Eu seguira minha vida,mesmo ainda tendo
lapsos de lembranças, as quais eu evitara para não sofrer desnecessariamente, e
os poemas amarelados, numa bela manhã foram para a lixeira do prédio.
Embora implicara em sofrimento , a tal
separação me trouxera também sabedoria e entendimentos vários, enquanto pessoa.
Saíra com minhas amigas, ás vezes, mas não
vira necessidade de sair muito, estivera arrumando meu cantinho e os livros me
eram boa companhia também.
Uma noite estava com colegas de trabalho
numa lanchonete e Rosemar entrara com uma moça de mãos dadas, fora um cenário
sofrível para mim, mas por outro lado atuara como um remédio queimando num
ferimento, porém cicatrizando também.
Nos dias subsequentes, eu sentira uma
certa leveza e consonância me habitando a consciência, sem o mínimo rancor.
Saíra da escola com o vento me roçando o
rosto e passara, com visão ampliada por tal estado de graça, observar detalhes
de minha rua, com maior precisão.
Entendera que do amor afetivo, eu tivera
a fórmula, e que este a qualquer momento, poderia ou não, tranquilamente
renascer, porém jamais tivera pressa ou destemperada pretensão,eu me encontrara
comigo mesma, dentro de tal libertação, mesmo porque ,tal relacionamento fora
um trampolim para que eu deixasse uma zona de conforto e encarasse o inusitado.
Passara a amar a cidade de São Paulo
mesmo com todos os defeitos que ele apresentara, mas era como uma mãe querida
que houvera me acolhido, assim como acolhe milhares de pessoas.
Aos domingos de manhã eu saíra para uma
caminhada e ficara impregnado em minhas narinas o cheiro dos pães e o famoso e
delicioso pingado “leite com café”.
As padarias de São Paulo são perfumadas,
o aroma do trigo transformado em pães, se espalha pelos ares.
As padarias de outras cidades também têm
cheiro de pão, porém para mim, nada que se iguale ao perfume singular das
padarias de São Paulo.
A arquitetura do centro, vale para mim,
como cartão postal de uma das mais belas cidades do mundo.
O prédios gigantescos que se levantam uns
ao lado de outros, todos juntados e matematicamente amotinados.
Para quem dedica um olhar mais atento, é
possível ver os sinais de muitas mãos nordestinas, em cada bocadinho de São
Paulo.
Uma cidade tão criticada, porém quem esta
adota, esteja onde estiver, movido pela saudade, sempre volta.
A priori já descobrira tal cidade morando
dentro de meu coração, portanto percebera que eu me identificara totalmente com
essa maravilha de cidade, com esse povo, que amanhecera trabalhando.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha