Eu ficara surpresa com a acusação dela, mas por outro lado, ficara
contente porque, alguém tivera coragem de chamar a polícia por causa da
bagunça, pois nem síndico e nem zelador fizeram isso, e eu não entendera direito.
Eu tentara conversar sobre o
assunto, na volta da padaria, com o zelador mas ele desconversara.
Quando entrara em meu apartamento
,levara um grande susto, ela estava sentada no meu sofá conversando com Fábio.
Ele estava trêmulo, desconcertado e
quando me viu, parece ter ficado pior ainda.
Eu quase sem pensar perguntei:
O que você faz aqui dentro de minha
casa?
Saia imediatamente, ou eu chamo a
polícia!
Ela respondeu:
Não basta ter acabado com minha
festa ontem sua frustrada?
E continuou...
Eu e Fábio havíamos combinado de
ficarmos juntos, pois ele me dissera, que não gosta mais de ti.
E novamente:
Tu foras abandonada durante toda
tua vida pelo pai de tua filha, por Hugo e agora te conformas, pois Fábio diz
uma coisa para ti,mas para mim ele diz outra.
As palavras dela foram me deixando
desconstruída, foram me aniquilando e eu perdera a capacidade de redarguir,
pois nesse instante, a dúvida começara pairar dentro das minhas certezas.
Como ela pudera saber tudo sobre
minha vida?
Em poucas pinceladas ,ela desenhara
todo quadro de sofrimento, que eu enfrentara ao longo de minha existência.
Sentindo medo de também perder a
paciência, recobrei meus sentidos e disse a ela:
Tudo bem,tudo bem,então agora saia
para Fábio e eu chegarmos num consenso.
Ela levantou rapidamente, dando
gargalhadas, e saiu sem dizer nada.
Eu olhara para Fábio e ele não
precisara articular palavra alguma, pois eu sabia, que entre ele e ela houvera
mais intimidades do que eu imaginara.
Perguntei a ele:
Quem é ela?
Porque viera de tão longe, morar
justamente em frente o nosso apartamento.
Ele respondera:
Ela fora tua colega de classe,
impressionante não te lembrares.
A Sônia Amaral, que fora namorada do Pedro, mas ele terminara com ela e ficara contigo.
Tudo viera em minha memória
novamente e lembrara dos bilhetes que ela enviara para Pedro, os quais, ele me
mostrava sempre.
Eu não pudera avaliar, se o que ela
sentira, durante uma vida inteira,fora amor ou ódio.
Eu precisara ficar sozinha para
pensar.
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha