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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

FRAGMENTO DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS

Eu ficara surpresa com  a acusação dela, mas por outro lado, ficara contente porque, alguém tivera coragem de chamar a polícia por causa da bagunça, pois nem síndico e nem zelador fizeram isso, e eu não entendera direito.
Eu tentara conversar sobre o assunto, na volta da padaria, com o zelador mas ele desconversara.
Quando entrara em meu apartamento ,levara um grande susto, ela estava sentada no meu sofá conversando com Fábio.
Ele estava trêmulo, desconcertado e quando me viu, parece ter ficado pior ainda.
Eu quase sem pensar perguntei:
O que você faz aqui dentro de minha casa?
Saia imediatamente, ou eu chamo a polícia!
Ela respondeu:
Não basta ter acabado com minha festa ontem sua frustrada?
E continuou...
Eu e Fábio havíamos combinado de ficarmos juntos, pois ele me dissera, que não gosta mais de ti.
E novamente:
Tu foras abandonada durante toda tua vida pelo pai de tua filha, por Hugo e agora te conformas, pois Fábio diz uma coisa para ti,mas para mim ele diz outra.
As palavras dela foram me deixando desconstruída, foram me aniquilando e eu perdera a capacidade de redarguir, pois nesse instante, a dúvida começara pairar dentro das minhas certezas.
Como ela pudera saber tudo sobre minha vida?
Em poucas pinceladas ,ela desenhara todo quadro de sofrimento, que eu enfrentara ao longo de minha existência.
Sentindo medo de também perder a paciência, recobrei meus sentidos e disse a ela:
Tudo bem,tudo bem,então agora saia para Fábio e eu chegarmos num consenso.
Ela levantou rapidamente, dando gargalhadas, e saiu sem dizer nada.
Eu olhara para Fábio e ele não precisara articular palavra alguma, pois eu sabia, que entre ele e ela houvera mais intimidades do que eu imaginara.
Perguntei a ele:
Quem é ela?
Porque viera de tão longe, morar justamente em frente o nosso apartamento.
Ele respondera:
Ela fora tua colega de classe, impressionante não te lembrares.
A Sônia Amaral, que  fora namorada do Pedro,  mas ele terminara com ela e ficara contigo.
Tudo viera em minha memória novamente e lembrara dos bilhetes que ela enviara para Pedro, os quais, ele me mostrava sempre.
Eu não pudera avaliar, se o que ela sentira, durante uma vida inteira,fora amor ou ódio.
Eu precisara ficar sozinha para pensar.

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Izildinha