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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

FRAGMENTO DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS


Entrara em meu quarto, e fora a janela observar as crianças brincando no jardim do prédio.
Alegres, sorridentes e como era final de tarde, vira as adolescentes que moravam também no prédio entrando com sua mochilas escolares.
Entravam alegres também ,sorrindo conversando entre si, então eu pensara quão interessante é essa fase, quando nós a maioria dos adultos, não levamos muito a sério.
Olhara para um adolescente ou criança e imaginara que com eles, quase tudo eu pudera, pois eles são permissivos e também despercebidos.
Portanto, não avaliara em mim mesma, o quanto essa fase fora importante na vida de um garoto, ou de uma menina, quando ambos se tornarem adultos.
Achara eu, que os adolescentes, vão rasgando as páginas de suas histórias, e vão jogando ao vento, para serem levadas bem longe, num lugar que se chamara esquecimento.
Percebera também que mesmo estando na maturidade, enquanto vivera, tivera que aprender constantemente.
Sônia fora ferida com o término do namoro?
Não!
Ela fora ferida por mim.
Então durante a sua vida inteira, ela ficara voltada para mim, e se esquecera completamente, mergulhada dentro de um ódio profundo, acabando com os meus relacionamentos, um por um, não porque os quisesse, mas sim, para me ver infeliz.
E a minha infelicidade alimentara sua vontade de viver, seus deboches e suas gargalhadas, que pareciam mais choros do que risos.
Ela tivera dois lados para seguir na vida , o espinhoso e o florido, ela escolhera o espinhoso.
Mesmo que Fábio viesse a ficar com ela, simplesmente ela viveria numa agonia eterna porque nunca me vira infeliz, e não seria desta vez.
Eu pudera me entristecer sim, o que sempre fora normal, porém, nunca perseguira as possíveis namoradas de meus ex, pois em mim, pensara eu, habita um lado claro que sempre me ilumina por outros nortes.
Eu jamais me sentira culpada por ter me casado com Pedro, assim como jamais ficara tomada de ódio por ele ter me abandonado.
Também fora assim com Hugo, ele me fizera feliz durante dez anos, sofrera o impacto do rompimento, mas jamais sentira culpa em relação a ele.
Eu simplesmente correspondera ao que ele me propusera.
Sônia vivera entediada, carcomida pelo ódio, pelo gosto da vingança e agora que estivera prestes a destruir de novo meu relacionamento, nenhuma nuance de felicidade esboçavam suas gargalhadas dissolutas.
Hugo jantara com minha filha, meu genro e neta, eu  pedi licença e fora dormir.
Acreditara que na manhã seguinte saberia como resolver tais descortesias.

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Izildinha