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terça-feira, 27 de outubro de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS

Era começo de novembro, final de ano prenunciando, e eu saíra do trabalho e entrara numa loja de calçados buscando por um tamanquinho de saltos finos, sempre gostara muito, porém o que eu mais gostara, houvera perdido um salto,enquanto eu caminhara do trabalho para casa.
Não se tratara de uma compra premeditada, mas sim, uma compra, em cima da hora, pois uma mulher com saias longas, andando descalça na rua, não ficara nada bem.
Estava experimentando alguns, depois de percorrer rapidamente várias lojas, ouço alguém me dizendo:
Como faço para falar contigo?
Eu levantara a cabeça, e vira um rapaz em pé ao meu lado, lembro de tê-lo visto em todas as lojas, pelas quais eu passara.
Eu muito irritada, devido a situação, e a circunstância que houvera enfrentado, respondera:
Não faça nada!
Não fale comigo!
Nesse momento, calçara um tamanquinho no pé, que dera certo e que eu gostara.
Fora no caixa da loja pagara, colocara o outro par de tamancos na sacola, e saíra caminhando normalmente.
Livre e absorta,como se nada houvera acontecido.
Ao passar em frente a um ponto de ônibus,eu o vira, meio acanhado olhando novamente para mim, parecera estar arrasado naquele momento.
Eu estendera a mão para ele e dissera:
Muito prazer o meu nome é Rita, peço desculpas pela falta de gentileza.
Ele esboçara um sorriso e respondera:
Prazer Fábio!
Nesse momento,ele tirara o salto de meu tamanco do bolso e me entregara.
Eu meio sem jeito, ficara desconcertada e surpresa com a situação, e ele concluíra.
Eu estava caminhando logo atrás de ti,quando teu salto entrara no paralelepípedo, prendendo o salto, que se soltara ,quando mudara o teu passo.
Eu sorri desconcertada e disse:
 Pois é, essas coisas nunca acontecem com os homens, vocês é que são felizes.
Nesse momento, ele olhara densamente para mim, então eu pudera ver uma morenice jovem, brincando naquele rosto aveludado e lindo, que me respondera:.
Não somos tão felizes assim, mesmo porque, temos que nos precavermos de certas mulheres, porque elas nos roubam o coração, e saem correndo descalças pela rua.
Rimos os dois.
Eu percebera nele uma pessoa inteligente e bem humorada, enquanto eu ainda estivera muito aquém, da virtude da paciência.
O ônibus dele chegara, e ele se despedira, eu com o salto na mão lhe agradeci.
Vira o ônibus virar a esquina e continuara meu caminho, pois morava uma quadra e meia dali, em frente a uma padaria de esquina, que á noite virava um barzinho, e que ás vezes me roubara, o sono com seus madrugadores cantarolando lindas canções.
Acreditara eu,que se fossem desinteressantes, jamais me roubariam o sono, mas sim estimulariam, como a televisão, sempre me fizera dormir fácil..
Aquela tarde ficara concentrada em tal fato, misturando as minhas emoções entre o agradável e o desagradável.

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Izildinha