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sábado, 7 de novembro de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS


A nova vizinha, de um momento para outro, passara a ser prestativa e amigável com todos de minha família, acharíamos até normal, não fossem os telefonemas e as ameaças que recebêramos antes.
Eu sentira que alguma coisa estranha ela arquitetara, mas mediante as atitudes tais, não pudera fazer nada.
As minhas noites, ás vezes, me eram assustadoras, e os ventos noturnos sopravam uivando pelos prédios ,e faziam me lembrar os ventos soprando nas noites de minha infância.
Eu ficara horas acordada, as vezes em paz, as vezes assustada.
Eu jamais temera por mim, mas sim, pelas nossas filhas e nossas netas.
Já houveram passados três meses, e o inverno de junho fora bastante acentuado aquele ano.
As vezes acendera o abajur e passara horas lendo, até que o sono viera me abater, para que a leitura me focasse em alguma coisa interessante e tirasse o foco de meu pensamento.
Na semana, ela nos enviara um convite , para sua festa de aniversário, no salão do prédio, ela iria completar setenta anos, bem apanhada e bem cuidada também.
Ficáramos numa situação constrangedora e jamais pudéramos mentir, então de imediato planejáramos passar um final de semana na praia,mesmo no inverno, e deixáramos na portaria um para de brincos de prata.
Ela usava muitos.
No sábado logo de manhã, reunimos nossas filhas e netas e rumamos para a praia de Juquehy.
Sempre acreditara eu, que o sonho de consumo de paulistas que adoram morar de fronte ao mar, seria a praia de Juquehy, em minha concepção ela sempre fora, de uma beleza estupenda, simples e pequena.
O trânsito estivera normal, leváramos aproximadamente  duas horas e quarenta minutos, saindo do centro de São Paulo a Juquehy.
Uma linda praia no município de São Sebastião.
 Durante o verão, com o tráfego mais intenso, já levaríamos bem mais tempo do que isso.
 O intervalo depois da praia de Boraceia, é cheio de saliências e com limite de velocidade, também em alguns momentos, é especialmente atravancado.
No verão, não nos houvera outra sugestão, a não ser a já conhecida estratégia de subir e descer a serra em horários alternativos,eu sempre ficara extremamente cansada com trânsito congestionado.
O esforço, porém, valera a pena, Juquehy tem um toque paradisíaco.
Diferente de Riviera de São Lourenço, por exemplo, que fica um pouco mais próxima da capital paulista, Juquehy tem ar mais rústico, com Mata Atlântica relativamente bem preservada, e areia branca e fininha.
A praia possui pouco mais de três quilômetros de extensão, sendo que o seu canto esquerdo agrada as famílias com crianças pelo mar calmo e, o direito, os surfistas em busca de boas ondas

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Izildinha