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terça-feira, 20 de outubro de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VENTOS NOTURNOS


Compramos um ursinho de pelúcia, pois Fábio dissera que ela amava e fazia coleção, e ele lhe dera uma mochila nova para escola.
Á noite, eu fora também na festa, conhecera a ex esposa de Fábio, que por sinal muito simpática.
Fora uma festa simples, porém muito animada com músicas, e a criançada toda dançando.
Num momento, em meu pensamento surgira a inventada partida de Hugo, e sentira ainda meu coração apertado pela mágoa.
E eu, tão empreendedora, aprendendo tudo sobre economia financeira, agora imaginara, como ficara perdida em tal reviravolta.
Simplesmente me concentrara, numa procura inútil e também rezara, para que o bom Jesus, junto da Virgem Maria,me conduzissem..
Sentira saudade do que fora, naqueles dez anos, das nossas conversas, das coisas que juntos aprendêramos..
Quando caminhara , pelas  ruas, qualquer senhorzinho de cabelos prateados, ainda me faziam chorar.
Porém, ele nunca merecera minhas lágrimas.
Ficara feliz por ele estar vivo, sem se importar como eu viveria, pois embasado em si, jamais imaginara eu sofrer.
E sabendo de meu sofrimento,pouco se importaria.
Encontrara com Fábio, num final de tarde numa quinta feira, e ele me convidara para ir ao cinema, e eu aceitara.
Fábio tivera toda paciência do mundo, e nunca desistira, enquanto eu tentara me livrar dos ventos noturnos, que recolheram meus sonhos, aniquilaram esperanças, como as folhas secas.
Era um filme romântico “Matrimônio á Italiana” com Sofia Loren, e durante o filme comêramos pipoca e recordamos o tal clássico com muita saudade.
Eu precisara contar meu segredo a ele.
Depois do filme, fôramos a uma sorveteria, sentáramos um na frente do outro e começáramos conversar.
Era meio tarde, e no outro dia trabalháramos, e eu tinha que acordar cedo porque a Fernanda estudara de manhã.
Fabio me disse:
Eu sei que existe uma história meio estranha em tua vida, por isso ainda não te decidira em nosso namoro.
Poderia me contar?
Eu lhe dissera, que era uma longa história, pois já estava meio tarde, mas prometera a Fábio que no final de semana contaria.
Pedimos sorvete de chocolate com baunilha, que era uma da estrelas da casa, embora aquela sorveteria oferecesse poucos sabores, porém era famosíssima, pois nunca houvéramos provado sorvete melhor.
Eu queria dividir a conta ,mas Fábio elegantemente, antes que eu percebesse pagara, nos levantamos e fôramos para casa.
O ponto de ônibus dele era pertinho de minha casa e eu fizera companhia a ele até o ônibus chegar.
Quando o ônibus se aproximara ele dera-me um selinho e saíra rapidamente.
Eu fora passando a mão em minha boca, e sentira em meus lábios, a temperatura de sua boca .Fora dormir embalada por aquele beijo e acordara no outro dia quase perdendo a hora, portanto, fora uma correria para preparar o café, servir o leite da Fernanda e preparar seu lanche.
Ela me perguntara:
 Mãe, você e o pai da Fabiana estão namorando?
Eu revisei a mochila,coloquei o lanche, a ajeitei nas costas dela, e dei-lhe um beijo.

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Obrigada pelo carinho!
Izildinha