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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


E mediante aos estudos sócio jurídicos dos crimes e quanto a personalidade de Eduardo e seus embates subjetivos chegou-se infelizmente o que eu presumira.
Por esta razão, a psicologia forense tem se dividido em outros ramos de estudo, de acordo com as matérias a que se referirem.
Segundo especialistas, sempre fora coadjuvante na avaliação da veracidade e a validade do testemunho, produzindo diagnósticos e predizendo condutas associadas a processos de tutela, guarda, interdição, progressão e regressão.
Ele tivera um lado bom,mas aos poucos fora deixando uma perversidade cruel vencê-lo.
Sempre fora amoladíssimo no trânsito, quando estava somente comigo, e nosso filho pequeno, mas quando tinha mais alguém, fora a pessoa mais calma do mundo para dirigir.
Segundo especialistas, eles não são dotados de emoção, por isso, não se arrependem de nada.
Quando eu o visitara, sempre conversara com ele, pedindo que se arrependesse, e pedisse perdão aos filhos, e a Deus.
Sempre ouvira dizer, que a personalidade sociopata, nunca se arrepende, mas eu pedira a Deus por seu arrependimento.
Ele era muito inteligente, e começara a escrever dentro do presídio, e seus livros tinham sempre uma mensagem boa, e de esperança.
Porém, segundo seu psiquiatra, ele era um ser perigoso e irrecuperável.
Nossos filhos estavam todas as semanas o visitando, e ás vezes eu ia com Michel visitá-lo também.
Enfim, a vida escrevendo sua história de maneira cruel, mas não nos prendêramos a esse fato, seguíramos em frente, levando até ele nossa contribuição.
O amor, pudera vencer qualquer desarmonia.
Acreditara, que ao sofrer abusos, de pessoas assim, apresentara um terreno fértil e propício, que fora criado na minha infância.
Mas, não me sentira curada, pois ainda sentira muita pena de tudo, e acreditara, que o pior sentimento, que possa existir dentro de nós é a pena, que diferentemente da compaixão, vê na pessoa um motivo de libertação.
Meu coração, vivera partido ao meio sempre, depois desse fato, pois Eduardo conseguira um jeito de me machucar, mesmo estando distante.
Muitas vezes, eu vira os nossos filhos tristes, porque ninguém consegue ser completamente feliz, tendo um pai cumprindo pena na cadeia.
 E Mariana, tivera que fazer terapia, um bom tempo, para poder viver sem conflitos, mas mesmo assim, nunca fora fácil.
A minha preocupação, sempre fora alguém de nossa família, desenvolver a personalidade narcísica.
Procurávamos sempre, conversar muito, esclarecer as dúvidas, rezar muito, e ter muita fé.
Também, aos poucos fôramos descobrindo, que trilhar no caminho da verdade, nos faz muito felizes.
Acrescentáramos em nossas vidas, todos os motivos para que a verdade transitasse livremente entre nós.
Meu filho, embora sabendo de todos os agravantes do pai, sempre soubera amá-lo indiferentemente de tudo que pudera ter ocorrido, pois o amor, quando não correspondido, tem seu próprio reflexo, voltando para quem ama, refletindo uma luz clara e evidente de felicidade, mesmo este atravessando todos os espinhos possíveis, ou caminhos feitos de pedregulhos.
A capacidade de amar, incita flores abrolharem destes desconstruindo o desamor, para depois erigir um castelo de possíveis sonhos, e tal sonho vivenciáramos no novo Eduardo que se instalara entre nós.

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Izildinha