Chegando
em São Paulo, abrira o jogo com Levi e Andreia, dizendo que houvera um mal
entendido, e que Michel não voltaria mais da França, muito menos para mim.
A
partir desse dia percebera meu filho bastante quieto comigo,falando só o
necessário, se limitando a perguntas, assim como fizera no dia em que contara
sobre nossa separação.
Ele
era um homem com opiniões formadas, um médico e eu parecera sempre uma
adolescente querendo se explicar, voltara a ficar cheia de culpas, porém jamais
soubera do que, e começara a sentir tremedeiras e também cansaço e desânimo.
Fora
uma temporada difícil, quando eu,numa certa fase da vida me considerando forte,
imbatível, viera a perceber, que eu fora dependente emocionalmente de Michel, o
tempo inteiro, e que talvez, ele pudera ter percebido e usara um subterfúgio
para me deixar.
Tudo
que eu desenvolvera de positivo-me buscando no passado, fora levado embora,
agora me tornara novamente e muito mais até, aquela pessoa frágil e sem
esperança alguma.
Eu
tivera meu filho como meu motivo maior no momento, mas jamais poderia usá-lo
como muleta, para me amparar, ele estivera terminando a especialização e
fazendo residência,portanto,eu precisara me segurar sozinha.
Eu
recebera algumas ligações de Celina, mas eu procurara desconversar tudo que
fora perguntado a respeito de minha vida e de Michel, eu me tornara breve com
ela.
Minhas
sensações de felicidade aos poucos fora aniquilando dentro de mim, pois depois
de me considerar tão feliz e realizada em tudo, vira numa simples manipulação,
Michel se perder completamente, sem sequer poder me entender. Chegara a conclusão que ele não passara de um
fraco nas mãos de Eduardo, e eu também, nas mãos de Celina.
Passara
a dormir até mais tarde, levantar sonolenta e desanimada, e sentir o dia se
arrastando, sem conseguir fazer nada de interessante, sem conseguir falar com o
meu filho, pois quando ele chegava eu sempre estivera dormindo e quando saíra
também.
Mas
eu precisava começar a reagir mediante a tal situação, soubera disso, porém eu
sempre fora protelando por estar desfocada do verdadeiro sentido de minha vida,
buscando uma fuga, tentando não me encarar de frente.
As
minhas orações pareciam frias e distantes, mas tinha nítida certeza de que fora
eu quem me afastara da fé,eu precisava voltar o mais rápido possível e entender
que minha vida não se resumira apenas em Michel.
Eu
precisara nesse momento ,da virtude da paciência comigo mesma, e também
descobrir uma maneira de provar quem eu realmente era para Michel e que jamais
fora essa pessoa frívola e calculista, a qual Eduardo descrevera para ele.
Interessante
pensara eu,quando já um pouco restabelecida, como não conhecemos realmente o
Universo da pessoa que vive a nosso lado, e tentara me colocar no lugar de
Michel, que não conhecera Eduardo antes, então tudo fizera mais sentido,eu
precisara me abastecer da verdade e partir em minha defesa para provar minha
inocência.
Eu
pudera contar apenas comigo e com mais ninguém, nunca me munira de provas visto
que estivera ciente de que tudo ficara lá no passado.
Eu
debruçara no parapeito do prédio e ficara olhando a cidade se locomover
letargicamente num final de tarde, a luz do sol bruxuleava diante de meu olhar
como as incertezas que me desacomodavam naquele instante.
Será,
que valeria a pena, eu me empenhar para reconquistar Michel, que sem sequer, me
dera uma chance para a verdade, que nem sequer levara em consideração, todo
tempo em que vivêramos sob o mesmo teto?
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Obrigada pelo carinho!
Izildinha