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sexta-feira, 3 de julho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Chegando em São Paulo, abrira o jogo com Levi e Andreia, dizendo que houvera um mal entendido, e que Michel não voltaria mais da França, muito menos para mim.
A partir desse dia percebera meu filho bastante quieto comigo,falando só o necessário, se limitando a perguntas, assim como fizera no dia em que contara sobre nossa separação.
Ele era um homem com opiniões formadas, um médico e eu parecera sempre uma adolescente querendo se explicar, voltara a ficar cheia de culpas, porém jamais soubera do que, e começara a sentir tremedeiras e também cansaço e desânimo.
Fora uma temporada difícil, quando eu,numa certa fase da vida me considerando forte, imbatível, viera a perceber, que eu fora dependente emocionalmente de Michel, o tempo inteiro, e que talvez, ele pudera ter percebido e usara um subterfúgio para me deixar.
Tudo que eu desenvolvera de positivo-me buscando no passado, fora levado embora, agora me tornara novamente e muito mais até, aquela pessoa frágil e sem esperança alguma.
Eu tivera meu filho como meu motivo maior no momento, mas jamais poderia usá-lo como muleta, para me amparar, ele estivera terminando a especialização e fazendo residência,portanto,eu precisara me segurar sozinha.
Eu recebera algumas ligações de Celina, mas eu procurara desconversar tudo que fora perguntado a respeito de minha vida e de Michel, eu me tornara breve com ela.
Minhas sensações de felicidade aos poucos fora aniquilando dentro de mim, pois depois de me considerar tão feliz e realizada em tudo, vira numa simples manipulação, Michel se perder completamente, sem sequer poder me entender. Chegara a conclusão que ele não passara de um fraco nas mãos de Eduardo, e eu também, nas mãos de Celina.
Passara a dormir até mais tarde, levantar sonolenta e desanimada, e sentir o dia se arrastando, sem conseguir fazer nada de interessante, sem conseguir falar com o meu filho, pois quando ele chegava eu sempre estivera dormindo e quando saíra também.
Mas eu precisava começar a reagir mediante a tal situação, soubera disso, porém eu sempre fora protelando por estar desfocada do verdadeiro sentido de minha vida, buscando uma fuga, tentando não me encarar de frente.
As minhas orações pareciam frias e distantes, mas tinha nítida certeza de que fora eu quem me afastara da fé,eu precisava voltar o mais rápido possível e entender que minha vida não se resumira apenas em Michel.
Eu precisara nesse momento ,da virtude da paciência comigo mesma, e também descobrir uma maneira de provar quem eu realmente era para Michel e que jamais fora essa pessoa frívola e calculista, a qual Eduardo descrevera para ele.
Interessante pensara eu,quando já um pouco restabelecida, como não conhecemos realmente o Universo da pessoa que vive a nosso lado, e tentara me colocar no lugar de Michel, que não conhecera Eduardo antes, então tudo fizera mais sentido,eu precisara me abastecer da verdade e partir em minha defesa para provar minha inocência.
Eu pudera contar apenas comigo e com mais ninguém, nunca me munira de provas visto que estivera ciente de que tudo ficara lá no passado.
Eu debruçara no parapeito do prédio e ficara olhando a cidade se locomover letargicamente num final de tarde, a luz do sol bruxuleava diante de meu olhar como as incertezas que me desacomodavam naquele instante.
Será, que valeria a pena, eu me empenhar para reconquistar Michel, que sem sequer, me dera uma chance para a verdade, que nem sequer levara em consideração, todo tempo em que vivêramos sob o mesmo teto?

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Izildinha