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quarta-feira, 10 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO

Á medida que o tempo passara, tanto eu como Marcos, já com dezesseis anos, começáramos a sentir com maior intensidade os sentimentos, que nos eram remetidos, ora de amor,ora também o seu oposto.
Mesmo tendo nos um ao outro, as vezes nos sentíramos ameaçados e jamais soubéramos por quem.
Fora interessante, porque em milhões de vezes, alegáramos estarmos impermeáveis ás invalidações, mas vez ou outra, sentíramos um novo ataque vindo de algum lugar deixando-nos mais apreensivos e inseguros.
Eu desenvolvera uma certa habilidade para pintura, e a parede da casa de meus pais vivera ornamentada pelos meus quadros. 
O amor, sentíramos nós, ser um sentimento muito abordado pelo mundo, porém, percebêramos este, indo água abaixo dentre uma multidão cética ,que vivera alegando um amor em vão, sem conseguir flexioná-lo. 
As vezes, pegara minha coberta e dobrada mesmo, jogara sobre mim, e dormira horas ,para fugir dos aborrecimentos, e pedira a proteção divina, para esquecer totalmente certos desconfortos, e viver minha vida em paz. 
Para esquecer as minhas falhas, os meus erros, as minhas culpas...
Isso eu fizera sempre, porque alguns seres, querendo saber de tudo que me envolvera, buscavam, vasculham, esquecendo, ás vezes de acautelar a própria existência,era comum alguém aparecer com inquérito pronto.
Jamais achara justo, adentrarem a vida de alguém, revirarem sentimentos, saberem o preço de tudo, num interrogatório invasivo e desleal, isso, eu vivenciara ás vezes, sendo abordada na rua.
Portanto, depois de atravessar um tempo de tórrido deserto, me reencontrara de novo, nas pessoas amigas, em minha criança predileta, um novo impulso para prosseguir.
 O importante, sabíamos eu e Marcos, que já estávamos bem cientes e conscientes também, havíamos deixado em nosso processo de evolução, muita gente para trás, e jamais poderíamos nos aborrecermos com as diferentes maneiras de compreensão, cada um caminha com a bagagem e o conhecimento que busca.
 Mas mesmo assim, tivéramos nossas recaídas, nossas fraquezas, nossas desesperanças.
Em nosso caminho, dona Rafaela, escrevera amor em nossos corações, tanto meu, como de Marcos ,ela era tão simples transparente, tão sincera e tão leal, que quando eu me aproximara, sentira a vibração de seu amor, mesmo nas broncas que ela me dava.
 Rafaela, fora mais do que uma amiga, uma mãe, era um tipo de anjo, que cruzara em meu caminho.
Marcos também, alegara senti-la, quando estávamos junto dela, se eu pudesse ficaria com ela o tempo todo, tamanho amor e dedicação sentira.
Ela pressentira meu estado emocional, e também do Marcos, quando estávamos tristes, sem que disséssemos nada, ela começava falar sobre o assunto e nos acalentar com sábias palavras, que só um anjo soubera proferir.
Ela fora nosso norte, o tempo inteiros, anos a fio e ininterruptos, morava sozinha com uma certa idade já, e nunca viajara, então sua casa sempre fora minhas férias, meu lado bom da vida, juntamente com Marcos.
Simplesmente, nunca nos imaginávamos ficarmos sem ela, porém numa manhã, bem cedo, eu acordara assustada, com um sonho que tivera com ela, liguei para Marcos e ele fora até a sua casa, que ficava mais perto da casa dele ,do que da minha.
Daí á pouco ele me retornara, dizendo que havia solicitado uma ambulância de pronto socorro, pois ela estava desfalecida e gelada.
Saí correndo desesperada, esperando que não fosse nada de grave.
Porém, ao chegar no posto de atendimentos, o médico já havia assinado a certidão de óbito, ela havia falecido no início da noite, e só pressentíramos ás cinco horas da manhã.
Entramos em contato com um irmão dela, segundo ela era o único parente e ele viera cuidar do enterro.
Eu e Marcos estávamos estarrecidos mediante o fato, perdêramos tudo de bom que tínhamos na vida, e os dias posteriores, foram tristes e angustiantes, quando chegava á tardinha, todos os dias íamos á casa dela, que nos oferecia um acolhimento de mãe, com café na caneca de ágata, uma mãe verdadeira instituída pelo coração..
O tempo fora se arrastando, após essa ausência, pois perder alguém que amamos é uma dor inexplicável,eu e Marcos agora tivéramos um ao outro, mas foi após sua partida, que Rafaela revelara mesmo ser um grande amparo para nós.
Enfim, entendêramos, que tudo fizera parte de nosso crescimento espiritual, à medida que íamos saindo da adolescência para nos tornarmos jovens, sentíramos oscilações, porém o amor que nos unia era muito forte, e decidíramos que cuidaríamos para que este nunca morresse, mas sim, uma vez instalado tivesse a capacidade de estabelecer entre nós, uma eterna aliança, uma delicada promessa, onde a veridicidade estivesse presente em nós cada vez mais.