Á medida que o tempo passara, tanto eu
como Marcos, já com dezesseis anos, começáramos a sentir com maior intensidade os sentimentos, que nos
eram remetidos, ora de amor,ora também o seu oposto.
Mesmo
tendo nos um ao outro, as vezes nos sentíramos ameaçados e jamais soubéramos
por quem.
Fora
interessante, porque em milhões de vezes, alegáramos estarmos impermeáveis ás
invalidações, mas vez ou outra, sentíramos um novo ataque vindo de algum lugar
deixando-nos mais apreensivos e inseguros.
Eu
desenvolvera uma certa habilidade para pintura, e a parede da casa de meus pais
vivera ornamentada pelos meus quadros.
O
amor, sentíramos nós, ser um sentimento muito abordado pelo mundo, porém,
percebêramos este, indo
água abaixo dentre uma multidão cética ,que vivera alegando um amor em vão, sem conseguir
flexioná-lo.
As
vezes, pegara minha
coberta e dobrada mesmo, jogara
sobre mim, e dormira horas
,para fugir dos aborrecimentos,
e pedira a proteção divina, para esquecer totalmente certos desconfortos, e
viver minha vida em paz.
Para esquecer as minhas falhas, os meus
erros, as minhas culpas...
Isso eu fizera sempre, porque alguns seres, querendo saber de tudo que me envolvera, buscavam, vasculham, esquecendo, ás vezes de acautelar a própria existência,era comum alguém aparecer com inquérito pronto.
Jamais achara justo, adentrarem a vida de alguém, revirarem sentimentos, saberem o preço de tudo, num interrogatório invasivo e desleal, isso, eu vivenciara ás vezes, sendo abordada na rua.
Jamais achara justo, adentrarem a vida de alguém, revirarem sentimentos, saberem o preço de tudo, num interrogatório invasivo e desleal, isso, eu vivenciara ás vezes, sendo abordada na rua.
Portanto,
depois de atravessar um tempo de tórrido deserto, me reencontrara de novo, nas
pessoas amigas, em minha criança predileta, um novo impulso para prosseguir.
O importante, sabíamos eu e Marcos, que já
estávamos bem cientes e conscientes também, havíamos deixado em nosso processo
de evolução, muita gente para trás, e jamais poderíamos nos aborrecermos com as
diferentes maneiras de compreensão, cada um caminha com a bagagem e o
conhecimento que busca.
Mas mesmo assim, tivéramos nossas recaídas, nossas fraquezas, nossas desesperanças.
Mas mesmo assim, tivéramos nossas recaídas, nossas fraquezas, nossas desesperanças.
Em nosso caminho, dona Rafaela, escrevera
amor em nossos corações, tanto meu, como de Marcos ,ela era tão simples
transparente, tão sincera e tão leal, que quando eu me aproximara, sentira a
vibração de seu amor, mesmo nas broncas que ela me dava.
Rafaela, fora mais do que uma amiga, uma mãe, era um tipo de anjo, que cruzara em meu caminho.
Rafaela, fora mais do que uma amiga, uma mãe, era um tipo de anjo, que cruzara em meu caminho.
Marcos
também, alegara senti-la, quando
estávamos junto dela, se eu pudesse ficaria com ela o tempo todo, tamanho amor
e dedicação sentira.
Ela
pressentira meu estado emocional, e também do Marcos, quando estávamos tristes,
sem que disséssemos nada, ela começava falar sobre o assunto e nos acalentar
com sábias palavras, que só um anjo soubera proferir.
Ela
fora nosso norte, o tempo inteiros, anos a fio e ininterruptos, morava sozinha
com uma certa idade já, e nunca viajara, então sua casa sempre
fora minhas férias, meu lado bom da vida, juntamente com Marcos.
Simplesmente,
nunca nos imaginávamos ficarmos sem ela, porém numa manhã, bem cedo, eu acordara assustada, com
um sonho que tivera
com ela, liguei para Marcos e ele fora até a
sua casa, que ficava mais perto da casa dele ,do que da minha.
Daí á
pouco ele me retornara,
dizendo que havia solicitado uma ambulância de
pronto socorro, pois ela estava desfalecida e gelada.
Saí
correndo desesperada, esperando que não fosse nada de grave.
Porém,
ao chegar no posto de atendimentos, o médico já havia assinado a certidão de
óbito, ela havia falecido no início da noite,
e só pressentíramos
ás cinco horas da manhã.
Entramos
em contato com um irmão dela, segundo ela era o único parente e ele viera
cuidar do enterro.
Eu e
Marcos estávamos estarrecidos mediante o fato, perdêramos tudo de bom que
tínhamos na vida, e os dias posteriores,
foram tristes e angustiantes, quando
chegava á tardinha, todos os dias íamos á casa dela, que nos oferecia um
acolhimento de mãe, com
café na caneca de ágata, uma mãe verdadeira instituída pelo coração..
O
tempo fora se arrastando, após essa ausência, pois perder alguém que amamos é
uma dor inexplicável,eu e Marcos agora tivéramos um ao outro, mas foi após sua
partida, que Rafaela revelara mesmo ser um grande amparo para nós.
Enfim,
entendêramos, que tudo fizera parte de nosso crescimento espiritual, à medida
que íamos saindo da adolescência para nos tornarmos jovens, sentíramos
oscilações, porém o amor que nos unia era muito forte, e decidíramos que
cuidaríamos para que este nunca morresse, mas sim, uma vez instalado tivesse a
capacidade de estabelecer entre nós, uma eterna aliança, uma delicada promessa,
onde a veridicidade estivesse presente em nós cada vez mais.