Marcadores

sexta-feira, 12 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_VOZ DE TROVÃO


No recesso, a família de Marcos fora para a praia em Bertioga, eles tinham um tio que alugara uma pequena casa para eles, a mãe dele se chamava dona Berenice, e o pai Bernardo e ele tinha mais um irmão chamado Rafael, com a idade de meu irmão, ele me convidou para ir, dizendo que a mãe dele, houvera achado bom que eu fosse.
Quando eu fora perguntar a minha mãe e ao meu padrasto, se eu podia ir ao invés de ficar na casa de dona Rafaela, porque eles também viajariam no recesso,para visitar os parentes de meu padrasto e eu nunca ia.
Fiquei surpresa quando ela consentiu sem pestanejar,porém,quando falei para dona Rafaela que ia viajar aquele recesso, ela ficara preocupada, e fora conversar com a mãe de Marcos, e me dera muitos conselhos.
Eu simplesmente, ficara um pouco pensativa diante dessas advertências de dona Rafaela, quando minha mãe não dera o mínimo para minha viagem, parece que ela e meu padrasto gostaram.
Foram duas semanas maravilhosas, esquecêramos o nosso lado adolescente e brincáramos muito na praia, como duas crianças mesmo, puláramos ondas junto com o irmão dele o tempo todo.
Mas,eu percebera, que o pai dele, vezes ou outra, também bebera muito, e as brigas entre eles eram constantes, então eu entendera porque Marcos também tinha alguns problemas, dos quais ele já houvera ligeiramente citado.
Um dia antes de voltarmos, o pai de Marcos o agredira, na minha frente, eu ficara tão perdida e desconcertada, naquele dia e morrendo de pena do meu namorado ter sido agredido pelo pai, na minha frente.
O pai dele sabia que éramos namorados, pois uns dias antes havia feito uma brincadeira, meio de mal gosto, conosco, pois ainda éramos duas crianças, quase que se amparando um no outro, para podermos viver.
Fora como se eu tivesse sido agredida também, ele não só faltara com o respeito ao filho, mas a mim também, que no momento, não soubera como agir.
Eu ficara um longo tempo em silêncio, querendo não estar ali, vivenciando tudo aquilo,porém,nada acontecera por acaso.
Eu sempre observara as circunstâncias a que a vida me colocara, para me desconstruir e juntar todas as peças de novo,eu precisara a partir de tal fato, ouvir mais o Marcos.
Então, viera a minha memória, que guando conhecera Marcos, ele era relaxado e bagunceiro na escola, tinha péssimas notas, e houvera se transformado, depois que começamos a namorar.
O último amanhecer na praia, levantáramos bem cedo, e ele sempre estivera me esperando, fôramos andando, um ao lado do outro pela orla, eu pensara, que ele fosse me dizer alguma coisa, mas ele apenas chorara muito, e me pedira desculpas pelo deselegante fato.
Eu ficara com vontade de passar a mão pelo seu rosto e conter suas lágrimas, olhara ao nosso redor, e apenas o mar, então eu o fizera.
Na verdade,eu quisera tocar seu coração com um abraço, e dizer que eu estivera com ele para sempre, e que esse fato apenas fizera eu amá-lo mais do que já amava, meu sábio coração, embora adolescente, entendera tudo.
Marcos tivera em mim, a partir daí, um ponto forte para se apoiar, pois entendera também, que o sofrimento fortalece e deixa imbatível mediante circunstâncias desagradáveis da vida.
Marcos, a partir de tal momento, parecera confiar plenamente em mim também, assim como eu confiara, em seu amor, então passáramos a nos apoiarmos mutuamente e nos fortalecermos.
Eu fora deixando a adolescência, e caminhando para a juventude, vez ou outra convivera com as minhas dúvidas, mesmo porque vivera, em um reduto, onde um silêncio secular perambulara em torno da verdade.
Nada pudera ser dito, e uma série de pessoas pareciam, querer apagarem quaisquer  palavras, quaisquer atitudes que não fossem coniventes com seus interesses pessoais.
Também eu sentira, que ao entrar em um grau mais avançado de consciência, deixara muita gente para trás, encontrara pessoas em meu caminho, que desistiram depois, porque fora mais cômodo, viver o oposto, e se deixar levar pelos ventos, que carregam escombros, que ocultam veridicidades.
Eu me sentira contudo, apoiando Marcos, tendo muita força, em muitos dias, porém em outros, precisando de seu apoio porque o mundo dos humanos ,nos fora assim.
Portanto, juntamente com Marcos e dona Rafaela, constituímos o nosso mundo individual, com um sério compromisso com a verdade, entendendo que nossa vida, só a nós pertencera.