Marcadores

sábado, 13 de junho de 2015

FRAGMENTO DO LIVRO_ÚLTIMA PALAVRA


Então, toda nossa reconciliação, era cheia de paixão, abraços e beijos, Eduardo se transformara num homem encantador e eu pensara comigo,como fora bom eu ter pedido perdão, passáramos os finais de semana nos amando cheios de saudade e a despedida sempre fora cheia de uma certa tristeza, por termos que ficarmos longe um do outro durante a semana.
Mas em meu curso de nutrição, procurara estar sempre engajada, mantendo um bom currículo inteirado às mudanças, pelas quais a sociedade viera passando, sem, contudo, deixar de priorizar a atenção dietética, tanto em nível individual quanto coletivo, por meio de ações integradas de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, nas diferentes fases do ciclo-vital e do processo saúde-doença, para atuar, de forma interdisciplinar,  em equipes multiprofissionais e com prática integrada ao sistema de saúde local.
Eu adorara o curso, mesmo porque entendera que com o decorrer do tempo, um grande número populacional, se voltaria para um cuidado especial com a sua alimentação.
Sentira os médicos contemporâneos estão focados numa saúde advinda de bons hábitos alimentares, sempre achei um curso bastante importante.
Eduardo me ligara várias vezes na semana, depois de fazermos as pazes de longo silêncio, e parece que nosso amor sempre renascera mais forte.
Eu também aplicara os métodos de nutrição saudáveis em minha casa, dava coordenadas aos meus familiares e amigos.
Como meu pai vendia produtos de sua horta,eu sempre reforçava aos nossos fregueses e freguesas, a importância de uma alimentação salutar.
Juca era um velho conhecido de toda cidade, muito divertido e quando ele passava pela quitanda, tornava as tardes mais alegres com suas histórias engraçadas.
Meu pai era amicíssimo do Juca e estava sempre conversando com ele, ouvindo suas histórias.
Juca, um senhor de uns quarenta e poucos anos, era todo desajeitado e geralmente contava as mesmas histórias, sobre o nordeste, entre elas estava Janaína, seu grande amor de juventude, cujos pais a deram em casamento, para um senhor idoso muito rico, dizendo ele, que isso acontecera comumente, nos Estados do Norte e Nordeste mantendo desde muito tempo, maiores índices de casamento infantil no país.
Mediante o fato, contam os familiares, que ele com quinze anos, ficara com problemas, passara a beber e perdera o gosto pela vida.
Até então, sempre fora uma pessoa normal...
Deixaram o Nordeste e vieram morar numa periferia da cidade de Botucatu, e trabalhavam nas lavouras de  soja, cana-de-açúcar, milho, café, mandioca, arroz, laranja, feijão, algodão, banana, fumo, batata inglesa, tomate, trigo, uva, cebola, cacau, amendoim e pimenta do reino.
Saiam de madrugada e voltavam á noite, Juca o irmão ,embora estranho, era amado por todos
Mediante fatos narrados por Juca,pudera eu constatar que, falta de entrada às informações, evasão escolar, vulnerabilidade e condição social colocam o Brasil entre os principais países com mais casamentos infantis no mundo.
Casamento entre crianças e jovens mulheres com homens mais velhos cria uma relação de poder muito desigual.
As meninas são submetidas ás ordens de seus maridos bem mais velhos e simplesmente, jamais tendem ás aspirações, apenas obedecem, criando seus filhos e cuidando da casa.
São mulheres desprovidas de esperanças, com pouca ou quase nenhuma escolaridade, submetidas aos desmandes de seus maridos.
Estas, quando com trinta anos de idade, mediante tanto sofrimento, gerando um filho por ano, já aparentam ser, uma senhora de idade avançada, desnutridas e maltratadas, infelizmente,essas meninas pobres, há muito,vêm vivendo nessas condições.